Informações Docentes, Discentes e Decentes
por Declev Reynier Dib-Ferreira
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Artigos de — 10 2007

Pinceladas sobre a Conferência Municipal de Educação de Niterói

Ontem - sábado, dia 20 - participei da 1a Conferência Municipal de Educação de Niterói. Cheguei às 8h da manhã em ponto, saí às 22:15h! Direto no batente. Fui com a dúvida se teria ou não um Grupo de Trabalho (GT) sobre Educação Ambiental (EA). Se tivesse, eu iria ficar como mediador, tentando aprovar as metas e as ações que seriam discutidas - que moéstia à parte, são muito boas, pois fui um dos autores. 

Acontece que decidiram que este tema, assim como outros (gênero, relações étnico-raciasis, etc.), seriam abordados como temas transversais, sendo por isto discutido em todos os GTs da Conferência. Melhor assim, eu acho.

Acabei mediando um destes GTs - o do Sistema Municipal de Ensino de Niterói - com a participação de cerca de 25 pessoas. Definimos umas metas e ações em relação ao Sistema referido. Acho que foi muito interessante. Se o poder público se comprometer em cumpri-las, será muito bom.

Como todos os outros, trabalhamos também sobre as metas para a Educação Ambiental, aprovando verbas e a adoção do Parque das Águas como um Centro de Referência Municipal em EA.

Hoje - domingo - aconteceram pela manhã a plenária e votações finais. Ainda não sei o resultado, mas manterei-os-as atualizados(as).

21/10/2007   2 Comentários

Dissertação de mestrado: “As diversas visões do lixo”

Continuando com a série de meus trabalhos de pesquisa, escrevo e anexo minha dissertação de mestrado.

Trabalhei nela, assim como na monografia de especialização (já postada), lá no Morro do Céu, em Niterói. Desta vez pesquisei como pensam os alunos da escola já referida anteriormente, sobre o fato de morarem, viverem, estudarem perto do lixo.

Fiz também uma pesquisa nos meios de comunicação sobre a forma de abordagem da questão do lixo e comparei as duas visões - a dos alunos e dos meios de comunicação, a qual chamei de “discurso oficial”.

Dêem uma olhada e divirtam-se:

As Diversas Visões do Lixo

21/10/2007   3 Comentários

Escola ou presídio em dia de motim?

Uma das escolas em que trabalho - mas acho que pode-se extrapolar para todas - às vezes, muito poucas vezes, se parece escola.

Muito bonitinho o poeminha do Paulo Freire, mas, na prática, a teoria é diferente… Desculpem o desabafo, mas é que eu também sou gente (eu acho…).

Tem dias que a escola se parece “presídio em dia de motim” (entre aspas porque foi uma tirada fantástica de uma professora de lá). Outros dias se parece com algo similar à febem. Outros com uma festa cheia de adolescentes barulhentos embriagados.

Um ringue de luta livre. Uma incursão policial no morro. Um hospício - dos piores. Uma praia lotada de farofeiros dos mais barulhentos e deseducados. Um arrastão. A boca do inferno. Um clube.

Parece de tudo, menos uma escola - considerando esta como um local onde as pessoas vão para estudar, aprender, conviver civilizadamente, conversar, trocar idéias e experiências.

Barulho, gritaria, palavrões, xingamentos, tapas, berros, livros voando, bolas de papel nas cabeças, futebol nos corredores, portas batendo, etc. etc. etc.

“É preciso melhorar as condições de trabalho dos professores, a organização pedagógica e o currículo”

Mas no inferno, dá pra fazer isso?

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Na mesma linha:

a) http://cafetao.org/2006/10/19/aos-menores-de-18-que-estiverem-lendo/

19/10/2007   5 Comentários

Desperdício

Impressionante (utilizarei muito esta palavra, pois há muitas coisas que ainda me impressionam), impressionante como existe burrice e desperdício de dinheiro público, mesmo nas secretarias de educação (o “mesmo” foi irônico…).

A Secretaria de (des)Educação do município do Rio de Janeiro inventou um diário pro professorado. Sim, inventou. Uma ma-ra-vi-lha! Perguntem a qualquer docente decente. É um calhamaço de umas 350 folhas encadernadas (sem exagero: trezentas e cinquenta folhas encadernadas!!) xerocopiadas - que, dali, são utilizadas no máximo umas 50 - para cada turma. Repito: para cada turma! Periga de ter professor com problema nas costas de carregar peso!

Cada folha desta maravilhosa invenção é utilizada apenas em um de seus lados. Vire o calhamaço de cabeça pra baixo, folheie-o de trás pra frente e você terá um belo caderno de 350 folhas em branco. Sim, pepel branco, aquele que polui e é responsável pelos desertos verdes que estão assolando determinadas áreas de nosso país.

Pra não dizerem por aí que exagero na argumentação, veja o Adital e a UFSC.

Todo o mundo falando em reduzir o consumo, racionar o uso dos recursos naturais e dos materiais e alguém da Cecretaria de Educassão vem com essa.

Façam as contas colegas: são mais de 1.000 escolas no município do Rio (sim, mais de mil!). Impressionante.

Se tiverem em média 20 turmas… não, podem achar que estou exagerando, digamos umas 15 turmas em média, teremos 15 mil turmas, ou 15 mil calhamaços de papel branco subutilizado espalhados por aí.

Impressionante.

Quero só ver onde vão guardar estes calhamaços ano após ano - ou será que vão jogar fora os diários? Afinal, é um documento da vida de milhares de alunos, não?

Continuando: se temos 15 mil calhamaços a 350 folhas cada, são 5.250.000 folhas!!! Fora o plástico e o espiral da encadernação! Considerando que o papel é feito de árvores, como já dissemos, considerando toda a química que é utilizada em seu branqueamento e considerando o espaço absurdo que isto ocupa… Ah, quem dera inventassem uma máquina onde pudéssemos colocar as informações sem precisar de tanto papel!

Veja as fotos e comprove:

Pequeno diário do Rio 

 diario-do-rio-02.jpg

 

Impressionante…

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Na mesma linha:

a) Entenda aqui como o papel é fabricado.

18/10/2007   2 Comentários

Monografia: “História ambiental do Morro do Céu, Niterói - RJ”

A região do Morro do Céu, Caramujo, Niterói, era, até cerca de 20 anos atrás, uma região de colinas e vales, dominados por sítios, de bom clima, poucos habitantes, muitos recursos naturais, como matas, nascentes, animais silvestres. Após o fechamento do lixão de Viçoso Jardim, em bairro adjacente, a prefeitura de Niterói passou a levar o lixo para o aterro controlado de Gramacho, em Duque de Caxias. Como o custo de tal operação era demasiado alto, a nova prefeitura da cidade se viu na incumbência de providenciar um local para servir de vazadouro de lixo.

Desta forma, em 1983, todo o lixo a cidade de Niterói passou a ser jogado, sem nenhum tratamento, na região do Morro do céu.

Este trabalho visa a contribuição para o resgate da História Ambiental desta região, construída a partir das lembranças e depoimentos dos moradores e das diversas pessoas e instituições que participaram da instalação da lixeira, buscando uma discussão entre as diferentes contribuições de cada ator social envolvido.

Download: MONOGRAFIA: História ambiental do morro do céu. (zip, 260K)

18/10/2007   3 Comentários

Perguntas…

> O que fazer com o aluno que, após várias aulas, te mostra o caderno em branco?

> A sala de aula melhor é a que tem mesas em grupo ou individuais viradas para frente?

> Prova prova o quê? Que os alunos são incompetentes pra aprender ou que a escola é incompetente para ensinar?

> O que é o “tempo do aluno”? Existe dentro da escola atual?

> Qual a real importância de o aluno saber / decorar o que “queremos” que ele saiba /decore?

> O quê ensinar? Por quê ensinar?

> Nas escolas em que os alunos conseguem aprender a ler (parece paradoxal, mas é difícil), qual a qualidade deste “ler”?

> Qual a perspectiva política e crescimentista desta leitura?

> O que é “currículo” nas nossas escolas? Conteúdos sem início meio fim, sem pé nem cabeça?

> Por quê cargas d’água estas coisas me preocupam?!?!?

17/10/2007   Nenhum Comentário

Tempo, tempo, tempo, tempo…

Cheguei às 23h em casa… como cansa dar aulas!

Hoje foi só agora de noite, das 18h às 22h. Educação de jovens e adultos. Pessoas com idades de 14 a quase 70!

Impressionante como alguns deixam a vida passar né?

Os jovens - com exceções - conversam, falam, brincam, riem, pedem pra sair toda hora, brincam nos celulares, fazem piadas…

Segundos depois de você dizer algo, invariavelmente perguntam exatamente sobre aquilo que você acabou de explicar!

Enquanto isso os adultos - com exceções - perguntam, escrevem, querem saber, reclamam da bagunça… não têm tempo a perder! Já o perderam. Seja por culpa ou por desculpa, já o perderam.

Por isso que eu digo aos jovens: “cresçam!!!”.

Acho que vou pra Brasília, ficar rico!

17/10/2007   3 Comentários

Como fazê-los fazer?

Estou no computador da secretaria da escola. Esta escola agora é a do Rio, onde também tenho uma matrícula, há uns 4 anos. Vim parar numa escola ao lado do cemitério… acho que meu destino é esse: lixo!

Uma ao lado do aterro de lixo (já saí de lá, indo pra secretaria de educação - mas isto é pra outro post), outra ao lado do aterro de gente!!!

Como eu ia dizendo, estou na secretaria da escola, utilizando o computador daqui, após dar minha aula. Hoje só tenho a primeira, das 7:10h às 8h. Escolhi este horário propositalmente, para poder trabalhar o dia todo em outro lugar.

Mas, voltando, como é difícil fazê-los fazer! Esta turma da qual saí é a 6a série, com alunos dos seus 12 ou 13 anos. Impressionante… alguns não tiram nem a mochila das costas. É sério! Não tiram nem a mochila das costas! Ficam conversando o tempo todo, andando pela sala ou mesmo sentados, sem abrir caderno, livro ou pegar num lápis.

E olha que não sou do tipo que enche o quadro com baboseiras tiradas de um livro. Aliás, este deve ser o meu erro, porque se faço isso, imediatamente eles sentam e copiam. Gostam disso, porque é a única coisa que conseguem fazer.

Como eu dou aulas em uma sala de ciências , de forma que busco a criatividade e pesquisa deles, muitos nem tentam fazer algo. Eu me nego a fazê-los copistas, eles se negam a ser pensistas.

Hoje, continuando a aula anterior, pedi para, em grupo, bolarem um jogo de ciências, pelo qual as pessoas podem aprender ciências brincando. Alguns grupos tentam, outros fazem, outros reclamam, reclamam, mas tentam, coitados… outros alunos simplesmente têm a atitude que descrevi: nada.

Impressionante.

17/10/2007   2 Comentários