Brasil foi mal no IDEB. Mas, por acaso, o Brasil vai bem em algo?

Saiu o novo IDEB.

Comme d’habitude, os índices da educação brasileira foram menos do que sofríveis:

Nos anos finais do ensino fundamental, o Ideb do País evoluiu de 3,8 para 4,0, superando a meta para 2009 e também ultrapassando a de 2011, que é de 3,9. […] No caso do ensino médio, o Ideb do Brasil avançou de 3,5 para 3,6, superando a meta nacional de 2009.

E veja que, com estes índices, ultrapassaram as metas! Que metas…

Aí vejo na TV, nas rádios, nos jornais, na internet as mesmas dúvidas de sempre…

“oh… por que a educação no Brasil é tão ruim? Por que não conseguimos fazer uma educação decente? Por que os alunos não aprendem?”

Ora ora ora, a resposta é muito mais simples do que parece: porque no Brasil, TUDO é uma merda!

Nós não fazemos NADA decente! Não é só a educação, é tudo!

Nós não conseguimos fazer nada funcionar como deveria. Nada nosso chega aos pés dos chamados países desenvolvidos (com os quais adora-se comparar a nossa educação), nem aos em desenvolvimento, que também são melhores que nós na educação.

E sabe por quê? Porque somos desonestos, a corrupção grassa, a burocracia domina, o dinheiro nunca chega onde deveria e, se chega, não é usado como deveria.

Veja:

Saúde: uma merda. Hospital, no Brasil, é uma piada. Mata, não salva. Médico é mal pago, não tem materiais, não tem equipamento. Há surtos de mortes;

Política: nem preciso comentar. Mas veja esta notícia, que interessante;

Polícia: é pior do que bandido, ao qual deveria combater. Atira, mata e depois pergunta se você fez algo. Tá precisando de um dinheiro, vai pra rua fazer uma blitz pra catar um carro. Trata a população de baixa renda como se fossem ratos. Acumul índices de assassinatos alarmantes;

Serviços: se você usa água, luz, telefone, banco (putz!) ou qualquer outro serviço, não tem como fugir, você vai se aborrecer, mas vai se aborrecer muuuuuito e terá a necessidade de utilizar a justiça (coitado…);

Justiça: falando nisso… outra instituição que não preciso nem comentar… mas deixo dois casos como exemplo: doméstica presa por tentar roubar pote de manteiga e Pimenta Neves 1 e Pimenta Neves 2;

Instituições públicas: tais como o INSS, as Agências Reguladoras, as Inspeções Sanitárias, Dentran (ARGH!) e todas outras que queiram lembrar. Poços fundos transbordando de incompetência, burocracia, vagarosidade, injustiças.

Poderíamos estender a lista até o artigo ter um metro pra baixo, mas chega.

A única classe profissinal, no Brasil, que faz o que deve e faz bem, é a da bandidagem. O bandido, sim, faz o que veio ao mundo fazer.  

Aí você poderia me argumentar: e os esportes, as artes, as músicas brasileiras? Sim, sim, tem coisa boa. Mas são muito menos valorizadas, fortalecidas do que dezenas de outros países. Todo país tem coisa boa nesses quesitos.

O que temos nesses casos são talentos e teimosias individuais, pessoas que lutam – e muito – para alcançarem seus sonhos. Assim como muitos médicos, alguns policiais, alguns políticos, alguns profissionais da área da justiça, muitos professores…

Teimosias individuais.

O Brasil (como um todo, como governo, como povo, como nação) não dá nada a eles, as exceções. E isso tem seu custo: a incompetência, a derrota, a coisa mal feita, os remendos, os índices baixos de coisas boas e os índices altos dos absurdos.

Vide as olimpíadas, onde sempre levamos goleadas de medalhas de países muito menores e mais pobres.

Não é à toa: levamos goleadas nas olímpíadas e goleadas nos rankings mundiais de educação… coincidência?

No fim, na educação, mais uma vez, a culpa recai sobre os professores, que são aqueles que estão lá, à frente, tentando fazer o que a sociedade toda desfaz.

Se se perguntam por que os professores não conseguem fazer os alunos aprenderem, pergunto: por que os policiais não acabam com a violência? Por que os médicos não acabam com as mortes estúpidas nos hospitais? Por que os advogados, juízes e afins não acabam com as tantas injustiças no país? Por que os políticos não acabam com a corrupção? Por que os funcionários públicos não acabam com a burocracia e a demora geológica?

Por que o Brasil não deixa de ser um País dos Absurdos?

Declev Reynier Dib-Ferreira
Revoltado

6 comentários sobre “Brasil foi mal no IDEB. Mas, por acaso, o Brasil vai bem em algo?

  1. Declev Reynier Dib-Ferreira, olá !

    ? Porque, em cada quatro brasileiros, somente um consegue interpretar o que acabou de ler;

    ? Porque, em cada cem eleitores brasileiros, somente quatro são Eleitores Conscientes;

    ? Porque, tudo, tudo mesmo, tem origem na Política ( depende da “vontade” política );

    ? Porque, não existe a União do Povo Brasileiro nas coisas socialmente sérias;

    ? Porque, a falta de convicção no valor do VOTO SEMPRE NULO é fato constatado;

    ? Porque, somente uma[i] Reestruturação do Sistema Eleitoral Político – SEP, feita pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, [/i]satisfazendo plenamente o que for exigido pela maioria dos eleitores, poderá constituir uma nova geração de candidatos politicamente qualificados , apropriados aos cargos em pleitos eleitorais e

    ? Porque, o que é certo não atrai audiência e, assim, fica difícil sua divulgação.

    Sem mais, para o momento.
    Abraços à todos !
    Somel Serip.
    Gerente Geral CNBVN ? Coordenador.

  2. Declev Reynier Dib-Ferreira,

    Caro amigo, seus comentários são perfeitos, pontiagudos e persistentes. Tenho muito orgulho de tê-lo entre os meus melhores amigos do Rio de Janeiro e também professor, ou melhor “sofressor”.

    Seus pontos de vista são perfeitamente compreensíveis e deixo para vc logo mais (no seu email) o meu atual pleito jurídico com a UESC, aqui em Ilhéus, na Bahia, para que você leia e compreenda os absurdos que estou tomando partido diante de uma realidade totalmente desorganizada nas instituições de Ensino Superior do Brasil em termos de implementação de cursos de pós-graduação, é pior eles não tem interesse de corrigir nada, nos tratam como se não houvesse memória ou acervo no que temos de mais valioso e inexorável: o conhecimento de cada pessoa.

    Temos ainda um ministro abjeto, como este, que em todos os momentos tomou atitudes desconcertadas e sua estratégia decisória não passa de mero discurso repetitivo sem ações diretivas e concretas.

    Os esquemas educacionais são completamente inoportunos e desinteressantes para todos nós, trabalhadores dessa área. E, ainda mais, temos que conviver com os desvios que estão aí demonstrados nessa matemática perfeita dos indicadores brasileiros atuais do IDEB.

    A realidade meu caro Declev Reynier Dib-Ferreira, essa não muda aqui há décadas. Planos decenais que nunca foram cumpridos, métodos pedagógicos que nunca chegaram à excelência de considerar a Educação Brasileira (a Cultura e a Ciência) pelo menos, razoavelmente, próxima à de nossos irmãos estadunidenses.

    Abraços,
    Alexandre Reis.

  3. Caro Declev,
    Mais uma vez concordo contigo e aplaudo sua indignação, da qual compartilho!
    É um problema amplo, complexo, que envolve a sociedade TODA realmente. Não temos um país sério!
    E, infelizmente, mesmo os mais teimosos e idealistas de nós acaba se cansando…
    E como trabalhei anos como orientadora educacional, dentro de escola pública (sou professora também, além de pedagoga, como vc sabe), tudo isso foi ficando cada vez mais claro pra mim. Fora de sala de aula, mas dentro de escolas públicas (acompanhando de perto as escolas particulares também), pude ver, ouvi e acompanhar muito de perto a realidade do nosso povão hoje, a mentalidade, os costumes, a cultura, os valores… Da infância à vida adulta. No que há de criativo e belo e no que há de miserável e violento.
    Os alunos que recebemos vão continuar sem interesse nos estudos, por vários motivos, mas principalmente porque vêem o exemplo de quem “se deu bem na vida” (que é sinônimo de “ficar rico rápida e facilmente” em nosso país) e é por aí que querem ir, não importando mais questões como honestidade, solidariedade, justiça, humanismo e o próprio valor do conhecimento em si. E isso sem contar que esse conhecimento, que ainda se tenta passar nas escolas, precisaria de uma reformulação total também!
    Por que o povão iria agir diferente, se vê tantos exemplos nojentos vindo de cima???
    Existem exceções, claro, mas o individualismo e o “vale tudo” imperam cada vez mais e isso em todas as classes sociais em nosso país! E o resultado disso aparece em todas as profissões, especialmente nas citadas por vc aqui…
    E buscar “bodes expiatórios” é sempre mais fácil do que olharmos a realidade toda, incluindo o hábito de fazermos uma auto-crítica sempre que exercitarmos esse olhar.
    SOCORROOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!
    Será que ainda temos jeito????????
    Eu, no momento, estou tentando, aos poucos, me dedicar mais à Psicologia Clínica novamente (é a minha outra profissão) e ainda estou de licença médica na escola (com Síndrome de Burnout, me tratando, tomando remédios fortes…), sem saber se conseguirei voltar a trabalhar lá algum dia…
    Grande beijo,
    Regina Milone.

  4. Sabem por que o Brasil foi mal no IDEB? Porque o governo tirou os professores PSS mais experientes de sala de aula e colocou os iniciantes(academinco), não que eu seja contra os academicos lecionarem, para isso já tem os estagios, para adquirirem a talexperiencia, mas com isso foi tirado de sala de aula mais de 14 mil professores com uma excelente bagagem e substituidos sem dó e nem piedade por inesperinente, eu quero que o Brasil e o Governador se explodam com tanta falta de concideração com a classe educadora do Paraná inclusive, o Beto Richa s´´o foi e esta ,SENDO DECEPCIONANTE.

    • Oi Sonia,

      Quase tudo o que fazem em educação é decepcionante.

      Mesmo quando investem rios de dinheiro, pois investem no que querem (e onde ganham), não no que precisamos de verdade.

      Abraços,

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