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Como comparar com as mesmas regras e provas escolas com comportamentos tão díspares e alunos com histórias tão diferentes?

Como comparar com as mesmas regras e provas escolas com comportamentos tão díspares e alunos com histórias tão diferentes?

As manchetes covardes não param de comparar as “performances” das escolas públicas com as particulares ou com as públicas que não são tão “públicas” [quando me refiro às públicas, excluo as universitárias e demais que fazem seleção e têm padrão diferenciado].

Mas tem-se que ler com atenção as entrelinhas, pois justamente aquilo que deveria ser destacado, ao contrário das notas em si, é somente citado aqui e ali – como eu disse antes, apenas por algumas especialistas entrevistadas – e sem nenhum destaque pela  mídia.

Felizmente, neste caso que utilizo hoje [Jornal O Globo, 13/09/11, p.10], o jornal não chamou o “especialista” ioschpe para verborragiar as besteiras dele.

Talvez por isso mesmo esses aspectos importantes e verdadeiros tenham sido apresentados ao menos de alguma forma.

Vejamos algumas pistas:

O Coluni de Viçosa (3º no ranking do estado) tem uma seleção de alunos apertadíssima para as três séries do ensino médio, (…) alta qualificação dos professores, uso da estrutura de uma universidade (…).

Os professores têm dedicação exclusiva. A qualificação em mestrados e doutorados também é incentivada pela direção, mesmo caso do Colégio Santo Antônio, de Belo Horizonte, 5º lugar geral no ranking nacional.

Ôôôpa!… seleção de alunos e professores com dedicação exclusiva???

Igualzinho às escolas públicas!

Outra:

O rigor e a cobrança sobre os alunos fazem com que o Santo Antônio seja conhecido como uma escola para poucos – os índices de desistência no meio do ano letivo são os maiores de Belo Horizonte.

Ôôôpa!!… escola para poucos???

Igualzinho às escolas públicas!

Mais um:

No São Bento, os professores recebem bons salários, o corpo docente é envolvido, os alunos têm aulas em horário integral (…).

Ôôôpa!!!… professores com bons salários e alunos em horário integral???

Igualzinho às escolas públicas.

Pra finalizar:

O Cap-Uerj tem uma clientela selecionada (…) quem entra no ensino médio passa por um vestibulinho e os professores têm doutorado.

Ôôôpa!!!!… clientela selecionada????

Igualzinho às escolas públicas.

Essas escolas são boas, ou bons são os alunos que são selecionados?

  • Professores com bons salários e dedicação exclusiva;
  • Alunos selecionados (só ficam os “melhores”);
  • Escola com estrutura;
  • Escola de tempo integral

[Qualquer semelhança com o que venho dizendo há anos aqui no blog, não é mera coincidência]

Ora, quem mais precisa, tem a pior escola. Quem menos precisa, tem a melhor escola.

E querem que tenhamos os mesmos resultados??? E querem comparar duas realidades tão diferentes??? E não têm pudor em classificar como “piores escolas” (ou “piores alunos e professores”)???

Covardia!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor de escola pública

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About Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

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4 comments

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  2. Excelentes colocações. Injustiça de comparar escolas diferenciadas com as publicas, que recebem o mínimo de investimento e onde os professores q pensam em passar por um mestrado sao vistos com maus olhos, como de estivessem querendo estudar pra “fugir do servico”

  3. Madge Bianchi

    Parabéns novamente, professor. Será difícil ver outro texto que aponte tão claramente os motivos dessa disparidade de resultados.

    E é muito triste e revoltante assistir propagandas na TV, do Mec e das Secretarias estaduais de educação, tentando convencer a população de que a qualidade na educação está melhorando. E convencem muita gente devido ao aumento de merenda escolar, de transporte para os alunos, de uniforme e material gratuitos, entre outros. Mas qualidade naquilo que é o objetivo principal da escola não parece aumentar.

    Tenho a impressão de que aumenta cada vez mais a ideia de que qualidade na educação é diploma “debaixo do braço”. Então, se tem um lugar para as crianças ficarem, passarem aquelas horas, se alimentarem e usarem um transporte seguro para ir e voltar e não sendo necessário comprar material escolar nem uniformes, ótimo. Melhor ainda se as pessoas que trabalham nesse lugar também levam a criança ao posto de saúde ou psicólogo quando necessário. Quem liga pra formação do professor (senão ele mesmo)? Só é necessário alguém pra ficar com os alunos e evitar que briguem naquelas horas.

    Triste realidade.

    • Oi Magde,

      É exatamente isso que estão querendo que nos tornemos: técnicos que tomem conta dos alunos.

      Enquanto isso, nas escolas pra ricos, o estudo é fundamental.

      Nada melhor para aprofundar as desigualdades.

      Abraços,