Escola municipal do Rio de Janeiro implanta rodízio de turmas para driblar a falta de professores. Claro que deve ser culpa da escola!!!

Escola municipal do Rio de Janeiro implanta rodízio de turmas para driblar a falta de professores.

Claro, turba ignara, isso é culpa da escola.

É a escola que faz os concursos, certo?

É a escola que chama os aprovados, certo?

É  escola que contrata os professores, certo?

É a escola que manda os professores pra lá mesmo, certo?

É a escola que trata os professores como marionetes, mandando-os pra cá e pra lá a seu bel prazer, certo?

Não, não é. É a secretaria de educação.

Mas, eis que…

A Secretaria municipal de Educação adverte: se houver falta de professor neste início de ano letivo, os próprios diretores devem assumir as salas de aula.

Ãhn?

Ah, sim… e deixa a escola sem diretor, sem coordenador…

— Os diretores são professores também. É uma boa oportunidade para exercitar o contato com a sala de aula — frisou Costin [secretária de educação], que mandou uma advertência para a diretora da escola:
— Foi uma atitude equivocada. A coordenadoria de educação (CRE) deve ser avisada quando falta um professor, e neste caso não foi. Enquanto se pensa numa estratégia, o diretor, o coordenador pedagógico, ou até mesmo o professor da sala de leitura assumem aquelas turmas.

Isso é de uma perversidade tamanha que nem tenho como definir.

Realmente, isso não pode ter saído da boca da secretária, não pode. Isso só pode ser fala de algum assessor desavisado e que não entende nada de educação.

Será que realmente a escola nunca avisou à CRE que estava faltando professor???

Oras, quem acreditaria nisso? Quem acreditaria que a escola não avisaria à CRE que estava faltando professor? Que escola não faria isso?

É, de fato, uma maldade fazer uma afirmação dessas em um jornal de grande circulação.

Isso merecia, inclusive, uma investigação por algum órgão sério e se veria que, muuuuito provavelmente, a escola deve ter avisado insistentemente à CRE que ali estava faltando professor.

Eu sei disso, porque trabalho dentro de escolas e não dentro de um gabinete com ar condicionado dando canetadas.

Vivo no mundo real da educação e já vi isso acontecer muitas vezes.

A escola NÃO TEM AUTONOMIA e posso dizer, hoje, depois de mais de 10 anos de docência em escolas públicas de periferia, que A PIOR COISA que tem para a educação é a centralização das decisões nas secretarias de educação, na maioria das vezes dirigidas por afiliados políticos.

Mas não fiquem somente me escutando ou me lendo, vão à fonte primária e leiam o desabafo de uma professora desta escola.

Ou ela está mentindo (professora concursada que está dentro de sala de aula), ou a CRE e a SME estão enganadas.

Vocês decidem.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor de sala de aula, não de discurso

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2 comentários sobre “Escola municipal do Rio de Janeiro implanta rodízio de turmas para driblar a falta de professores. Claro que deve ser culpa da escola!!!

  1. oi, meu nome é ana flávia, sou professora e fiquei muito triste com essa situação….gostaria muito de ajudar…quem sabe vou trabalhar com vcs….um abraço e permaneçam firmes….um abraço

  2. Essa é a mesma REALIDADE de todas as escolas públicas de periferia em que trabalhei. Um absurdo total!!!!!!!!!
    E isso quando um professor não tem que cobrir duas e até três turmas AO MESMO TEMPO, passando matéria no quadro em uma e mandando os alunos copiarem, indo para a segunda e terceira fazer o mesmo e, é claro, não tendo como explicar a matéria em nenhuma delas!
    Declev sabe do que está falando!!

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