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Aluno branco da rede privada tem nota 21% do que aluno negro de escola pública. Alguma novidade?

Aluno branco de escola privada tem nota 21% maior que negro da rede pública.

Alguma novidade em relação a isso?

Já escrevi diversas vezes sobre a maldade social que fazemos ao oferecer aos que menos precisam uma escola melhor do que para aqueles que mais precisam.

Vejam, por exemplo, estes artigos:

O que é uma boa escola?

Manter a criança na escola, mas qual escola?

Carta aberta à futura secretária

Escola, professores, alunos, educação…

Sim, a escola pública tem que melhorar. Mas a questão central não é essa.

O aluno branco da escola privada tem à sua disposição todas as facilidades e direitos sociais, culturais, ambientais etc.

O aluno negro de escola pública não tem nada a mais do que a escola pública, que não está preparada para atendê-lo em suas necessidades.

Um pequeno e mísero exemplo: quando um aluno branco de escola privada tem dificuldade na escola, vai pra explicadora (no meu tempo, “professora particular”).

Outros: ele mora em um bairro onde a violência não impera nem é a lei, ele vai para uma casa onde tem seu quarto, seu canto de estudo, suas coisas. Tem acesso à tv de [mínima] qualidade (por assinatura), tem acesso a bens culturais como cinema, shows (sim, isso faz diferença), viaja e tem acesso a outras culturas, tem acesso a cursos de línguas, esportes e outros…

Sim, isso faz TODA a diferença quando se vai fazer algum trabalho na escola.

Não basta achar que somente a escola será capaz de mudar isso, se não mudarmos a grande desigualdade social entre os brancos de escola privada e os negros de escola pública.

E também não adianta achar que a escola que se oferece hoje aos alunos pobres e negros será capaz de suprir, minimamente, as carências que ele tem.

Precisa-se de uma escola TOTALMENTE diferente, de horário integral, onde os professores sejam muito bem pagos, não se falta material, onde as coisas funcionem, onde as salas de aula não sejam lotadas como um presídio, onde tenha espaço decente para brincar, fazer esportes, artes, cultura…

Ou seja, TOTALMENTE diferente do que temos.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Não tenho culpa

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No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

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About Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

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