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O que é Síndrome de Burnout afinal e como tem atacado os profissionais de educação?

Acho importante conhecermos um pouco mais sobre esse assunto, tanto através de informações quanto de relatos de experiências (estes relatos prefiro deixar para os comentários), já que se trata de algo cada vez mais comum entre os profissionais de educação.

Passarei informações colhidas na internet aqui – existem muitas outras -, tendo selecionado as que me pareceram mais realistas, já que tive que lidar com esse problema durante anos, em mim mesma e em outros colegas.

A Síndrome de Burnout é um termo psicológico que descreve o estado de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho. O termo “burnout” (do inglês “combustão completa”) descreve principalmente a sensação de exaustão da pessoa acometida. É um estado de esgotamento físico, emocional e cognitivo produzido pelo envolvimento prolongado em situações geradoras de stress.

 

Costuma apresentar três fases sucessivas;

Desequilíbrio caracterizado como estresse;

Sintomatologia característica: ansiedade, tensão, fadiga e esgotamento;

Afrontamento defensivo: fase em que acontecem mudanças nas atitudes e conduta do indivíduo com tendência a lidar com os outros de maneira distante, rotineira, apática e mecânica.

 

Os profissionais mais atingidos são os que trabalham mais diretamente com pessoas, tais como: médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, professores, estudantes, psicólogos, assistentes sociais, policiais, agentes penitenciários, bombeiros, etc., pois trabalham em contato diário com pacientes, alunos, clientes, usuários, indigentes, presos, criminosos, etc.

Burnout é quando o trabalho ameaça o bem estar do trabalhador. É o esgotamento mental e físico intenso causado por pressões no ambiente profissional.

Os fatores determinantes vêm de uma combinação de variáveis físicas, psicológicas, sociais e organizacionais.

 

Fatores da síndrome de burnout, entre educadores, segundo algumas pesquisas já feitas:

1) Exaustão emocional – em um primeiro momento ligada, em geral, à insatisfação salarial e ao fator idade;

2) Diminuição de realização pessoal – insatisfação geral com o crescimento e com o trabalho, falta de significado nas tarefas a cumprir, poucas horas para pesquisa, necessidade de auto-realização, frustrações, desilusões, distância entre a teoria aprendida e a prática (realidade concreta) encontrada nas escolas, etc.;

3) Despersonalização – falta de conhecimento dos resultados de horas de pesquisa, falta de sentido, perda do idealismo inicial, etc.

 

O que mais dificulta o trabalho do educador, especialmente o exercício profissional do professor, nas escolas públicas e particulares, segundo variadas pesquisas, em ordem do maior para o menor dos problemas encontrados:

– Salário

– Condições físicas

– Falta de material didático

– Falta de interesse dos alunos

– Barulho

 

Fatores de stress:

– Comportamentos inadequados e indisciplina dos alunos

– Elevado número de alunos por classe/horário

– Execução de tarefas burocráticas e administrativas

– Pressões de tempo e excesso de trabalho (sobrecarga de atividades)

– Expectativas familiares

– Falta de recursos materiais para o trabalho

– Diferentes capacidades e motivações dos alunos

– Carreira docente

– Multiplicidade de papéis a desempenhar

– Relacionamento pais/professores

– Políticas disciplinares inadequadas

– Pouca participação em decisões institucionais

– Falta de apoio da coordenação e colegas

– Necessidade de atualização profissional

– Elevado número de disciplinas/aula

 

Estratégias de enfrentamento em educadores, especialmente professores de escolas públicas e privadas:

– Confronto

– Afastamento

– Autocontrole

– Suporte social

– Aceitação de responsabilidade

– Fuga e esquiva

– Resolução de problemas

– Reavaliação positiva

 

Pode se apresentar através das seguintes etapas:

– Ilusão pelo trabalho – choque entre o idealismo inicial e a realidade prática, gerando frustrações, irritabilidade, incredulidade, tendência a ironias, deboche, ceticismo, etc.

– Desgaste psíquico – exaustão, vontade de não realizar mais nada, sensação de que qualquer coisa que faça não fará significativamente diferença nenhuma, vontade de desistir, etc.

– Indolência – uma das formas defensivas de reagir ao desgaste físico e emocional, por se sentir sem saída.

– Culpa – sensação de que não está conseguindo ser um bom profissional, baixa da auto-estima e da autoconfiança, etc.

 

O esgotamento profissional do qual a síndrome de burnout nos fala tende a aparecer mais nos primeiros anos de profissão, onde o idealismo ainda é grande, e depois de muitos anos de trabalho na área, quando o cansaço físico e emocional já é bastante intenso. No entanto, essa síndrome pode aparecer em qualquer idade e tempo de trabalho, especialmente em pessoas que tenham um tipo de personalidade:

– Empática

– Sensível

– Humana

– Idealista

– Altruísta

– Entusiasta

– Obsessiva

– Dedicada profissionalmente

 

A Síndrome de Burnout costuma aparecer acompanhada de sintomas psicossomáticos, tais como:

– palpitações

– cefaléias freqüentes

– cansaço crônico

– crises de asma

– desordens gastrointestinais ou úlceras

– dores cervicais

– insônias

– hipertensão

– alergias

– diarréias

– alterações menstruais

 

Além das estratégias de enfrentamento já listadas acima, alguns profissionais procuram lidar com os sintomas da burnout investindo em atitudes que podem ser úteis e produtivas ou apenas defensivas, dependendo do caso:

– planejamento

– supressão de atividades concomitantes (quando possível)

– suporte instrumental

– suporte emocional

– reinterpretação positiva

– aceitação

– religiosidade

– foco na expressão das emoções

– humor

– uso de substâncias

-negação

– desligamento comportamental

– desligamento mental

 

Posso dizer que, na minha experiência, vi cada um desses sintomas, atitudes, emoções, reações, enfim…

É tudo muito sofrido.

Passei por isso na pele.

E vocês, o que tem a contar sobre esse assunto?

Abraços,

Regina Milone

Pedagoga, Arteterapeuta e Psicóloga

Rio, 30/10/2012

 

Referências bibliográficas na web, utilizadas nesse artigo:

http://www.pedagogiaaopedaletra.com/posts/a-ocorrencia-da-sindrome-de-burnout-em-professores-do-ensino-medio-da-rede-publica/

http://revistadeciframe.com/2011/02/10/sindrome-de-burnout-como-identificar-e-enfrentar-esse-problema-que-afeta-a-vida-de-tantos-profissionais/

http://zona31-adriana.blogspot.com.br/2011/04/conoces-el-sindrome-de-burnout.html

http://www.pedagogiaaopedaletra.com/posts/a-ocorrencia-da-sindrome-de-burnout-em-professores-do-ensino-medio-da-rede-publica/

http://profcoordenadorpira.blogspot.com.br/2010/10/sindrome-de-burnout-em-professores.html

http://deodefreitas.blogspot.com.br/2011/01/sindrome-de-burnout.html

http://companheirasophia.blogspot.com.br/2008/06/sndrome-de-burnout-em-professores.html

http://wwwizasalies.blogspot.com.br/2011/01/sindrome-de-burnout.html?spref=fb

http://www.sinprors.org.br/extraclasse/out06/especial.asp

http://umacentelha.blogspot.com.br/2011/10/sindrome-de-burnout-exaustao-emocional.html?spref=fb

 

About Regina Milone

Regina é pedagoga, arteterapeuta e psicóloga. Tem experiência profissional como professora, pedagoga e orientadora educacional, facilitadora de grupos diversos com dinâmicas de grupo e arteterapia – com todas as faixas etárias, de crianças à terceira idade, além de atendimento individual e em grupo com arteterapia e como psicóloga clínica de orientação junguiana. Especificamente em Educação, ela tem experiência em escolas públicas (da Baixada Fluminense, principalmente) e particulares, de creches ao 9º ano de escolaridade do Ensino Fundamental (como recreadora, professora, pedagoga, orientadora educacional, arteterapeuta, psicóloga).

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39 comments

  1. Infelizmente, Regina, quanto mais engajado é o professor, mais estresse ele acumula. Não é por acaso que muitos colegas apenas “batem o cartão”, discutem a rodada do Brasileirão ou qual o melhor creme da revista da Avon e voltam pra casa completar a alienação assistindo novela.
    Critico e ao mesmo tempo sinto inveja, pois a cada dia que passa vou sendo consumido, exatamente como o palito de fósforo da imagem lá em cima. Talvez a saída seja mesmo a alienação.
    Não há como negar, os professores estão doentes MESMO!
    Parabéns pela escolha do tema, Regina!

  2. Obrigada, Luiz!

    É um tema importante, acho eu, ainda mais na nossa área.
    É atual, cada dia mais presente e funciona assim mesmo, como vc colocou: “quanto mais engajado é o professor, mais estresse ele acumula”.
    E os que parecem totalmente alienados são, muitas vezes (não sempre), aqueles que estão na defensiva, atitude típica também da burnout, pois simplesmente não conseguem mais se envolver e se sentir tão impotentes… É triste realmente.

    Abração,
    Regina.

  3. Regina, eu nem vou discutir sobre Burnout entre os docentes porque o remédio não depende deles. Mas seria de todo interessante que os psicólogos estudassem também e dessem um nome à síndrome que se manifesta como a apatia/antipatia dos alunos-problema. Já que o profissional fica “burnout” (e a ilustração do fósforo queimado é exata), proponho que o caso dos alunos seja chamado de “wickless” (“sem pavio”) porque nunca consegue acender a “chama” (em analogia com um isqueiro).

  4. Concordo plenamente com o João Carlos!

  5. João Carlos,
    Se vc leu todo o texto, viu que a burnout atinge também alunos.
    Da forma que vc coloca, parece que os grandes “culpados” pelo adoecimento dos professores são os alunos! Isso é um absurdo!!! É uma simplificação maniqueísta, na minha opinião.
    Mas, mesmo pensando assim, respeito a sua opinião. Só não vou deixar de dar a minha!
    Nós somos os adultos nessa relação. Não podemos reagir de forma tão infantil ou adolescente como eles.
    Quanto aos professores e demais educadores não poderem fazer nada em relação ao burnout, podem sim! Podem se tratar, buscar ajuda profissional, buscar e levar informações a respeito para os colegas, buscar o sindicato, procurar dividir seu tempo de forma a ter, também, alguma atividade que lhe seja mais gratificante na vida, podem se preservar emocionalmente um pouco mais dentro daquele ambiente que tanto os afeta, podem buscar outras formas de dar aulas – aulas-passeio, por exemplo, dão super certo! -, entre mil outras coisas que eu poderia ficar citando aqui até cansar.
    Se, mesmo depois de diversas tentativas, não melhorar, ainda resta a opção de mudar de área de atuação, o que é super triste e injusto mas, muitas vezes, é o único jeito de preservarmos nossa saúde. Foi o que aconteceu, de certa forma, comigo.
    Te garanto que, numa aula-passeio, numa atividade física e/ou artística, vc acende a chama de qualquer aluno que pareça “sem pavio”.
    Concluindo, “aluno-problema” não existe. São os adultos que carimbam na testa de muitas crianças esse rótulo e elas vão crescendo assim. Inclusive se vc tira da turma os que são identificados como “problema”, logo outros, que se sentiam intimidados por estes, também botarão as manguinhas de fora e começarão a aprontar. A “paz” dura pouco. Isso é fruto do próprio sistema educacional arcaico que temos e próprio, também, das fases de desenvolvimento da criança e do adolescente. Muitos falam sobre esse assunto sem nunca tê-lo estudado, infelizmente. Ainda vou escrever um artigo aqui sobre isso. Acho que poderá ser útil.
    Obrigada pela participação!
    Um abraço,
    Regina Milone.

  6. João Carlos,
    Só completando… Lutemos pela democratização da escola e pela total reformulação dela! Aí sim, conseguido essa mudança, teríamos mais chances de afastar a burnout e outras síndromes…
    E isso significa lutar por todos os educadores e por todos os alunos, sem distinções!
    Um abraço,
    Regina.

  7. Se eu dei a impressão de que “a culpa é dos alunos”, desculpe. Muito ao contrário, eles são as maiores vítimas do descalabro da educação (na verdade, nem só da educação: vivemos uma crise de valores nesta sociedade ocidental).
    Para citar um direitista esclarecido, Robert A. Heinlein, “toda sociedade, onde ‘crianças e mulheres primeiro’ não for a base de todas as leis e costumes, está fadada à extinção” (citado de memória – ele repete isso de diversos modos em diversos livros).
    Eu concordo entusiasticamente com você sobre a urgência da necessidade de não só proporcionar uma escola que funcione, como (e principalmente com isso) reformular totalmente o ensino.

  8. Desculpe a mim então, João Carlos, se te entendi mal.
    Esses assuntos são delicados, mexem direto com nossas emoções, isso pode nos confundir, enfim…
    Que bom que concordamos quanto a reforma total do ensino e da instituição escola! Quanto mais gente pensante batalhar por isso, de alguma forma, melhor!!!
    Mais uma vez, desculpe por qualquer coisa… e obrigada pela participação!
    Abração,
    Regina.

  9. Eu sofro de burnout e depressão.Venho me tratando há 4 anos e estou afastado da sala de aula.Tenho mais de 20 anos de magistério no Estado de S.Paulo e gostava muito de lecionar-mesmo com os salários,que sempre foram baixos, até há uns 10 anos atrás.Não gosto mais e não penso em voltar.É muita violência moral e física!E muita cobrança em cima do professor:somos culpados,segundo os “especialistas”(e como tem especialista nessa porra!),até pela violência que sofremos;dizem que não estamos preparados pros desafios do século XXI!Total bullshit!Quanto a culpabilizar os alunos…o que dizer de uma pessoa que joga absorvente dentro da caixa d’água da escola?e de alguém que põe chumbinho de rato no café dos professores?e de alguém que manda o professor tomar no c*porque levou umas bronca por andar pela sala atrapalhando a aula e os outros colegas.Em 1992 um aluno da 7ª série de uma escola da prefeitura de S.aulo estava fazendo embaixadinha na minha aula.Quando tomei a bola dele ele começou a me empurrar e a dizer palavrões!Isso já não é mais indisciplina!Por que na rua uma criança dessas é tratada como marginal e dentro da escola eles são apenas “vítimas”.Isso também não é maniqueísmo?Outra coisa;o que podemos fazer INDIVIDUALMENTE é pouco.Muito pouco.Mas como classe trabalhadora podemos pressionar:há um projeto de lei do Sen.Paulo Paim prevendo punição pra quem maltratar professor.O projeto,se não me engano,foi apresentado em 2009 e,não ei porque cargas d’água não virou lei ainda!Deve ser por causa dos defensores dos desvalidos,fracos e oprimidos que dizem que punição não resolve!Enquanto isso somos 20% de depressivos segundo dados da APEOESP (nosso sindicato no Estado de S.Paulo).É o dobro da população em geral!Isso sem contar os ansiosos,estressados,os que têm calo na garganta,pressão alta etc.
    Os professores estamos doentes,sim,e muito!Eu,particularmente,estou melhor agora:tomo 3 antidepressivos,tenho bruxismo e um pouco de insônia(antes era muita insônia,o que me impedia de dar aulas de manhã direito).Resolvi o meu problema:me afastei e resolvi me dedicar à minha outra profissão,que é a música(embaixo tem o site onde hospedo minha música com minha banda de 2 pessoas e 2 máquinas:um sampler e um sequenciador).Talvez eu volte a lecionar,mas não no estado e não biologia,que é minha formação inicial:pretendo fazer uma pós lato senso em Ed.Musical e lecionar pra grupos pequenos ou alunos individuais.Mas isso se não tiver outra alternativa porque se puder apenas compor,tocar e estudar música é o que vou fazer até morrer.
    E quem quiser apoiar o(s) colegas músicos e professores (minha cantora Elisete também é professora)entre no site acima e ouça nosso som (e minha música).

  10. Valter Augusto,

    Muito obrigada pela participação!

    Acho ótimo que outras pessoas apareçam assumindo que sofrem de burnout, depressão, etc., como eu e vc.
    Melhorei muito depois de sair do trabalho em escolas e investir mais na psicologia, minha outra área. Além disso, sou arteterapeuta e isso me ajuda também.

    Que bom que vc tem a música! Mas, veja que interessante, mesmo com todo o sofrimento que passou e passa, ainda pensa em dar aula, de música, dessa vez… Pra mim, isso é vocação!
    Eu também adoro dar aula! Mas não nas condições das escolas atuais.

    Só não concordo com vc no que diz respeito a punir alunos com o rigor da lei. Não acho que isso resolveria nada, só aumentaria a revolta e diminuiria as chances desses alunos mais agressivos melhorarem. Eles não são adultos ainda e isso faz toda a diferença.
    Mas não punir na forma da lei não significa um “vale tudo”, onde qualquer ato fique sem consequência. Precisamos avaliar caso a caso, para acertarmos nisso ou, pelo menos, não piorarmos mais ainda o quadro que vivemos nas escolas. Não é “deixar pra lá”, minimizar, chamar de coitadinho, mas também não é tratar aluno como criminoso que vai ajudar, na minha opinião.

    Tanto professores quanto alunos são vítimas desse sistema perverso, que começa bem antes e além dos muros da escola. Todos os educadores realmente comprometidos com a mudança sofrem muito diante desse quadro todo. Sou pedagoga, especialista em educação sim (embora entenda sua irritação com tantos que se dizem especialistas sem o serem com competência), e também sofri e sofro horrores com esse estado de coisas. E concordo que sozinhos conseguimos pouco. Por isso, sempre busquei orientação e ajuda no sindicato, embora não tenha me sentido suficientemente de acordo com eles a ponto de entrar numa luta como sindicalista.

    Ter conseguido desenvolver alguns projetos, em escolas, em equipe, com pedagogos, diretores e professores bacanas com quem também tive o prazer de trabalhar, ajudou muito. Mas, mesmo com tudo isso, fui além dos meus limites, caí de cama, tirei várias licenças médicas até precisar parar de vez, parei e, agora, escrevendo, estou procurando contribuir de outra forma pois, como vc, também tenho vocação de educadora, apesar de tudo…

    Abraços e melhoras…
    Regina Milone.

  11. Me vi em cada tópico descrito acima, menos na CULPA, ALTERAÇÕES MENSTRUAIS (ehehe), RELIGIOSIDADE e outras poucas de menor importância.
    Fiquei quase 2 anos afastado medicamente, mas os peritos nunca deixam completar 2 anos pra não aposentarem os infelizes, o que gera ainda mais desgostos e desapontamentos. Não fosse a atual diretora da minha escola, uma colega de trabalho e de faculdade, eu estaria trabalhando. A que preço é que não ouso nem pensar.
    O lado bom´foi que pude me dedicar seriamente a uma atividade
    – sem renda- que há muito eu negligenciei.
    A poesia.
    E continuo mudando o mundo com a poesia, com o reaproveitamento de materiais diversos, plantando árvores aos borbotões e sendo educador dos mais próximos, afinal, é isso que faço de melhor.

    bjs Regina.

  12. Rosangela Frohe

    Oi, Regina, mais um excelente texto seu, que vou copiar e guardar para estudá-lo mais profundamente, pois de alguns anos pra cá, tenho me deparado na minha prática clínica com inúmeros caso de Burnout. Por todo o sofrimento que acompanho de cada um dos meus clientes, posso ter uma ideia do que vocês – educadores – tem que suportar e tentar superar, até chegar ao ponto de desenvolver a Síndrome.
    Acredito que existam coisas que possamos fazer individualmente para tentarmos minimizar os efeitos desse quadro totalmente desestruturado em que o Ensino no Brasil mergulhou. Mas concordo com quem disse, que só isso não é o bastante para impedir que a Síndrome se instale. Faz=se necessária um ampla reforma na Educação desde a parte discente, passando pela docente, coordenadoria, secretaria… Ou seja, uma nova forma de ver a Educação e todos os envolvidos nela.
    Enquanto isso, nós – psicólogos – vamos apagando os incêndios, fazendo os rescaldos, vendo o que sobrou e ajudando a cada vítima a reconstruir e dar um novo sentido a sua própria história.
    Bjs, Regina

  13. Querido Dante,

    Vc com alterações menstruais seria engraçado realmente…rsrsrs
    Fora isso…
    É difícil não nos identificarmos com pelo menos parte desses sintomas, reações e emoções da burnout… O bicho tá pegando há muito tempo!!
    Mas, se saiu o professor Dante das escolas, ganhou o mundo com o poeta!!! Existe algo mais incrível, talentoso e inspirador do que a ARTE nesse mundo? Só é páreo pras maravilhas da natureza!
    Salve, poeta!!! Vida longa!!!

    Beijão,
    Regina.

  14. Querida Rosângela,

    Conheço sua dedicação como psicóloga, fomos colegas de faculdade e fico muito feliz por ter considerado meu texto útil ao seu trabalho!
    Pesquisar sobre burnout me ajudou muito também e ajudou a ajudar pacientes.
    É mesmo algo muito sofrido e complexo, com raízes sociais, históricas, culturais, psicológicas, etc. Uma casa de marimbondos! Se tocar de leve, lá vem chumbo grosso!!
    Assim tem sido a educação em nosso país.
    E vc tem razão: muitas vezes somos nós, psicólogos, que temos que apagar alguns desses incêndios depois (como fazemos, como pedagogos também, dentro das escolas), embora alguns sejam até necessários que queimem forte – de preferência sem machucar quem já está tão machucado nessa área – para serem vistos por quem não faz ideia do que temos que lidar hoje, cotidianamente, na educação.
    Realmente a reforma na educação precisa ser total!!!

    Grande beijo, Rô!
    Regina.

  15. Cara Regina,permita-me discordar de você:punir também pode ser educativo e mais:pela 1º vez eu vejo um parlamentar se preocupar com essa violência que atinge os professores.Os alunos são vítimas,sim,mas são também agentes da violência.Temos alunos traficantes,Regina!E menores!Eu não sou a favor de baixar maioridade penal e meter os meninos na cadeia.Também não é assim!Mas afastar o profissional do aluno-agressor seria ótima ideia.Meu diretor relatou o seguinte caso:uma aluna menor namorada de um traficante quase arrancou o olho de uma professora no murro!Ela não pôde ser transferida compulsoriamente porque isso não existe mais.Ok.O diretor,que é sindicalista da APEOESP,nosso sindicato aqui no Estado de SP, foi falar com o traficante pra ver se convencia a menina a se transferir.Ele não quis e a pobre colega teve de ver a agressora todos os dias até o final do ano letivo!Os outros alunos acharam que era ótimo agredir professor:o status aumenta,o stress causado pelo “burn out”neles,alunos,diminui (Qual a taxa de burn out em alunos,Regina?Que eu saiba burn out é doença típica de quem cuida de pessoas.Alunos cuidam de quem?) e els ainda gozam do apoio dos pais e autoridades.O juíz que julgou o caso que relatei,o da namorada do traficante,disse à menina:”e se vc se sentir pressionada pela Escola pode voltar aqui”.Eu não entendo essa resistência contra a punição de alunos agressore.São resquícios da Nova Escola,talvez.E quanto a eles ficarem mais revoltados?E daí?Pelo menos eles vão pensar 2 vezes antes de xingar um professor!Desculpa,mas essa postura de “coitadismo” me incomoda demais!Quanto a minha “vocação”.Ensinar e aprender é a nossa vocação como espécie,visto que pouco do nosso comportamento é inato;ela é que é a responsável pelo nosso sucesso nesses 2 milhões de anos de evolução humana.Ou seja,todos nós temos a vocação de ensinar e aprender.Eu disse que voltaria a lecionar se não houvesse outro jeito de eu sobreviver como músico.
    Bom.É isso.Vc ouviu minha música?Se não ouviu,ouça e me conte o que achou.Abraço.

  16. A não punição, para mim, é a mãe dos problemas.

    Puna-se de verdade e com rigor os políticos corruptos, e veremos quantos mais ousarão fazê-lo.

    Punir alunos não é igual, obviamente, a adultos.

    Mas a não punição é dizer que podem fazer o que quiserem.

    E fazem.

  17. Amigos Valter e Declev,

    Não vejo problema algum em discordarmos (nesse caso, eu e vc, Valter)! Estranho seria se, vcs falando do lugar do professor na escola e eu falando do lugar do pedagogo víssemos tudo exatamente da mesma maneira. Escola é espaço de diversidade e isso não deve ser abafado.

    A questão da punição é polêmica, mas já existem as medidas sócio-educativas previstas em lei. Já existem! Pra quê mais leis??? Isso é colocar o professor como coitadinho numa situação em que tanto professores quanto alunos tem sido vítimas!
    Lei pra culpabilizar professor ou culpabilizar aluno é jogar um contra o outro, a sociedade contra os dois e, para os políticos, que deveriam realmente se responsabilizar pelas maiores reformas educacionais através das políticas públicas, políticas essas que deveriam ser criadas com a participação de quem vive o dia a dia da escola, acabam ficando de fora dessa guerra, satisfeitos com isso. Para eles, verem alunos e professores se digladiando é ótimo, pois assim nunca se chega realmente neles! O olhar da sociedade para antes.

    Já fiz um trabalho com meninas cumprindo penas – medidas sócio-educativas -, menores de idade em instituição que não chamamos de “prisional” mas que, na prática, são sim. As histórias delas eram tristíssimas! Abandono, rejeição, violência física, psicológica, sexual, exploração de trabalho infantil, humilhações de todos os tipos, roubos, tráfico, gravidez, assassinatos, etc. Isso em meninas de apenas (a partir de) 11 anos de idade, ora praticando esses atos e ora sendo vítimas deles.

    Não acho que uma lei que leve um aluno agressor para um tipo de punição como essa vá ajudar em nada. Ao contrário! Se falei em revolta, foi porque esses adolescentes estão por um fio e tratá-los assim é empurrá-los de vez pro crime.

    Mas, se a punição for apenas institucional, escolar, aí já concordo. É preciso ter critérios. O aluno que pratica uma violência do tipo que sua amiga sofreu, Valter, não deveria continuar na mesma escola e sim ser transferido para outra. Concordo com vc nisso.
    Já em casos menos graves, pode-se tentar manter o aluno na escola, com outro tipo de punição – perder aulas-passeios, por exemplo -, o que teria que ser decidido caso a caso. Tentaríamos recuperar esse aluno, antes de simplesmente “expulsá-lo”. Isso também é educar e também é responsabilidade da escola!

    De qualquer forma, essa história de punição ou recompensa é antiga, deveria estar ultrapassada na minha opinião e eu, sinceramente, acho que só se deve apelar para ela em último caso. Educar à base de condicionamentos não ajuda a desenvolver espíritos críticos e nem cabeças pensantes, criativas e curiosas.

    Quanto a dar aula de música, Valter, achei que isso te interessava sim, fora de escolas, com grupos que estivessem ali com vontade realmente. Entendi errado então. Mas adoraria ouvir sua música sim, claro! Com o maior prazer!! Só que não veio o link. Como faço para ouvi-la?

    Quanto a burnout não atingir alunos, descobri que atinge sim, após pesquisar bastante, pois burnout é estresse no mais alto grau relacionado ao trabalho e o aluno que leva o estudo à sério sente-se tremendamente preocupado, pressionado, incapaz de dar conta de uma série de exigências, sofre com isso, sofre com as condições da escola e dos colegas (tanto os que “atrapalham” a turma quanto os que querem se dedicar), como muitos professores e outros profissionais de educação também sofrem, desde o ensino básico até o universitário. Em relação a alunos adultos, é só pensar em época de teses, dissertações… o estresse é fortíssimo! Estudar é o trabalho do aluno e, nesse sentido, pode haver burnout também entre alguns deles, em todas as faixas etárias. Eu também não sabia disso antigamente, mas aprendi muito pesquisando.

    Troquemos sempre, meus queridos, concordando ou não!!! Contem comigo pra isso!

    Abraços, Valter e Declev!
    Beijos,
    Regina.

    • Oi Regina,

      Como sempre falo por aqui, punição há vários graus, mas é punição.

      Há, sim, hoje em dia, punições previstas – ou medidas sócio-educativas, mas não são cumpridas.

      Nem mesmo em relação ao professor. Somente quando o caso é muito grave e “vaza”, um professor é de fato punido.

      Ou, então, quando ele nem tem culpa ou faz algo como divulgar fotos de uma sala de aula com goteiras em que os alunos têm que assistir aulas de guarda-chuva aberto.

      Nesses casos, são punidos.

      Que mensagens passamos assim – impunidade e punição indevida?

      Isso serve tanto para professor quanto para aluno, quanto para gestores – cada um como seu grau de responsabilidade.

      Abraços,

  18. Tenho que dar a minha opinião sobre este tema da punição.
    Na sociedade, as leis e as respectivas punições para o seu descumprimento não impedem que um indivíduo a pratique. Porém, se existem é porque existe um problema e a impunidade só aumenta este quadro, pois institucionaliza a transgressão e dá o aval para que as pessoas possam descumprir TODAS as leis desta sociedade.
    Se usarmos o exemplo da família, chegaríamos a mesma conclusão: o conjunto de regras que os pais impõem sobre os filhos devem ser obedecidas. Do contrário, perde-se o respeito não só pelas regras mas também pela autoridade dos pais.
    Na escola não é diferente. Não se trata de criar novas leis, pois se realmente colocarmos em prática as existentes já resolveríamos boa parte dos problemas. Uma agressão (física ou verbal) de um aluno com o professor, por exemplo, trata-se de um crime previsto em lei e deve existir a punição assim como seria se fosse o mesmo menor contra qualquer cidadão na rua. Antes de ser um professor e um aluno são dois cidadãos. Não existe coitadinho nessa história. Deve-se apurar os fatos e punir o culpado. Ponto! Isso é educar. Hoje em dia as coisas estão indo para um caminho nebuloso. Há pouco tempo um aluno agrediu a professora em Santos e os pais abriram um processo contra a docente. Que tipo de educação é essa?
    Antes de casos extremos, como agressões, medidas educativas para situações menores dentro da escola poderiam servir como exemplo para os demais alunos. Por que o aluno que faz guerra de comida no refeitório não pode passar um dia ajudando a faxineira da escola e aprendendo a valorizar o seu trabalho? O mesmo pode ser feito contra os pichadores. Enfim, concordo que existe uma superproteção com os nossos alunos e isso pode ter efeitos irreversíveis para o futuro do país. A impunidade é sim o motor para a transgressão e para a desvalorização das instituições.

  19. Mas o maior problema da impunidade, Luiz, como disse o Declev, é que ela vem de cima. Com impunidade e punição indevida fica difícil educar, porque nada educa mais do que o exemplo!

    Quanto a punir aluno e professor na forma da lei, repito que não podemos esquecer que não são simplesmente dois cidadãos iguais, Luiz, como vc disse, mas um adulto e um menor:duas PESSOAS sim, mas NÃO dois adultos! Isso faz toda a diferença!!!

    Essa é uma das faltas que a pedagogia faz na formação do professor, a meu ver. Ele não estudou o quanto é diferente o desenvolvimento da criança e do adolescente em relação ao adulto. Por isso, não se pode punir igualmente e nem se cobrar deles a mesma maturidade no comportamento e na compreensão das coisas!!

    Muito antigamente, as crianças eram tratadas como mini-adultos, mas os tempos mudaram, a ciência evoluiu, descobriu-se que há imensas diferenças físicas, cognitivas, emocionais, intelectuais e sociais entre adultos de um lado e crianças e adolescentes de outro.

    Fora isso, claro que medidas como trabalhar um dia ou mais com a faxineira ou a merendeira da escola, por exemplo, seria muito válido para certos maus comportamentos dos alunos, sem dúvida.

    Quanto a agressões maiores, todos deveriam sofrer as consequências do que fizeram, saindo da escola (expulsão do aluno, dependendo do caso; na minha opinião, só em último caso), cumprindo medidas sócio-educativas (alunos), sendo exonerados e julgados criminalmente (no caso dos professores pedófilos, por exemplo…), e por aí vai.

    Uma coisa que se esquece muito é que educador não é promotor, juiz nem advogado! Nossa função não é julgar e punir, ou vigiar e punir, como diria Foucault!!! Mas, infelizmente, muitos querem exatamente isso pra educação, o que seria um tremendo retrocesso.

    Então, essa questão tem sido muito mal colocada, a meu ver. Não se trata de “punir alunos ou tratá-los como coitadinhos” nem de “culpar o professor por tudo ou o considerar a grande vítima de tudo”!
    É um maniqueísmo simplista ver as coisas dessa maneira, no meu ponto de vista. O ser humano é muito mais complexo do que isso e, portanto, todas as instituições criadas por nós foram, são e serão repletas de contradições. Não é uma linha, às vezes reta e em outras tortuosa; está mais para uma espiral, às vezes ascendente e outras vezes descendente. E digo isso só pra usar uma imagem mais próxima do turbilhão humano.

    Por essas e outras é que faz uma falta incrível o estudo da Filosofia, das Artes, da Psicologia… tanto na formação dos futuros educadores quanto para a formação dos próprios alunos mais velhos (Ensino Fundamental e Médio).

    Mas o povo brasileiro é extremamente conservador e gostaria mesmo que voltássemos atrás, repetindo no discurso aquela velha balela de que “antigamente a educação era muito melhor, os professores eram mais “respeitados”, etc.” Isso é falta de conhecimento sobre a própria História da Educação!
    Mas, como muitos dos que tiveram chance de estudar esses assuntos “levaram nas coxas” (me desculpem pela expressão popular chula), ficaram sem saber o quanto é importante conhecer muito mais sobre Educação para ser bom profissional nessa área e não recair nos mesmos erros…

    É pra frente que se anda, gente! Aprendendo com os acertos e erros do passado, claro, mas se adaptando aos novos tempos.

    Respeitar não é obedecer simplesmente. Isso parece pensamento de colégio militar! Ok. Talvez para eles uma coisa seja igual a outra – respeitar=obedecer – e quem coloca seus filhos nesse tipo de escola quer isso. Tudo bem. É uma escolha e um direito. Mas ter essa postura em escolas regulares? Acho péssimo!
    Vc pode perfeitamente discordar, ser diferente, questionar, etc., e respeitar a pessoa profundamente. Não são coisas excludentes!
    Por essas e outras, realmente busquei uma escola bastante aberta para o meu filho e nunca me arrependi.

    Abraços,
    Regina.

  20. Regina,o link pro site é este aí em cima.Não aparece?Então vou pô-lo aqui em baixo:http://palcomp3.com/virundangas.
    Quanto às outras questões,desculpe,mas até falar sobre elas me deixa pior:nem o violão me acalma depois de falar de escola!Mas acho que,depois de ter lido sua resposta,que não discordamos tanto assim.
    Mas ouça a minha música.Você,o Declev e quem mais quiser!
    Abraço.

  21. Valter, vou ouvir sua música com prazer!!! “Amarradona”, cariocamente falando! 😉
    Que bom que, afinal, nem discordamos tanto assim em relação ao que falamos sobre escola aqui nos comentários.
    Grande beijo, saúde e muita arte sempre pra vc, meu querido!
    Apareça sempre que quiser por aqui! Achei sua contribuição corajosa, honesta… muito importante!!!
    Abração,
    Regina.

  22. Valter,
    Acabei de ouvir e curti muito seu som, sua banda, a interpretação de vcs, o arranjo, o balanço… Muito bom!!! Até divulguei no facebook!
    Parabéns!!!!
    Beijão e continue criando, cara! Afinal, “quem canta seus males espanta”!
    Abração,
    Regina.

  23. A síndrome de Bournot já me acometeu várias vezes na vida e me levou á bebida como compensação. Era a muleta com que eu disfarçava o sofrimento com stress. Existe até uma escola norte-americana que relacionava o alcoolismo com diversos graus de stress.
    Engraçado que, quando abandonei o álcool, o stress também me abandonou. Agora só luto contra uma depressão moderada, o que é bem mais fácil de se lidar. Ficar dependente de um remédio é bem melhor que do álcool. Assim sobram apenas a hipertensão e a diabetas. Dá pra levar. Quem mandou ser escritor no Brasil?

    Beijos do admirador,
    Waldo.

  24. Obrigado,Regina.E se vc quiser um mau professor fora da sala de aula continue ajudando a divulgar minha música e a banda de “2 pessoas e 1 máquina”que é a VIRUNDANGAS.Digo mau professor porque não consigo mais me ver numa sala de aula e,com certeza,se tiver de voltar,vou fazer merda!Não que eu queira,mas é que não posso evitar!Sou tão melhor músico!

    • Valter,

      Te entendo profundamente.

      Sou um artista frustrado.

      Mas “acho” que não faço merda em sala, apesar de ser, hoje, um professor anti-um-monte-de-coisas-que-os-professores-fazem, tal como provas, reprovações, planejamento de aulas, etc.

      Quem quer estudar, comigo, estuda, quem não quer, eu não me apoquento mais.

      E assim sobrevivo.

  25. Então fique na música, Valter! Dou a maior força!
    A gente tem mais é que tentar ser feliz!!!
    Pode contar com a minha divulgação!
    Beijão,
    Regina.

  26. Declev,
    Se essa é a forma que tem encontrado para dar aulas mais próximas do que acredita e preservar a sua saúde, dou a maior força. Mas acho que merece viver, mais do que só sobreviver, meu amigo…
    Beijos,
    Regina.

  27. É, Waldo… Ser artista no Brasil – escritor, ator, músico, artista plástico… – também acaba estressando, porque pra ganhar dinheiro é uma barra!
    A burnout acaba pegando muita gente realmente…
    Se cuida, meu amigo! Saúde em primeiro lugar!!
    E muito obrigada pela participação aqui e pela coragem de se expor!!!
    Beijos,
    Regina.

  28. Eu já estou na música,Regina e Declev!Só falta sobreviver da minha arte.Sou músico 24 horas por dia:esta é minha verdadeira profissão.Além da banda de MPB,que é um trabalho mais de vanguarda,com aqueles compassos esquisitos e modulações,eu tenho uma outra banda com um trabalho mais “povão”na qual atuo como compositor,percussionista e violonista!E ainda tem o quarteto de percussão erudita de que participo no Conservatório onde faço o curso técnico.Quero fazer uma pós em Orquestração no Conservatório Brasileiro aí no Rio:é meu sonho de consumo.
    Sobre aquele negócio de “fazer merda”,Declev,é exagero,porque eu nem mesmo consigo permanecer tempo suficiente pra isso dentro de uma escola.

  29. Regina,já que vc quer me ajudar a divulgar a VIRUNDANGAS , mande o nosso link pras pessoas que vc mais ama.Se vc não gostou da gente,mande pros seus inimigos.Ó o link aí ó:
    http://palcomp3.com/virundangas
    Beijão e obrigado pelo apoio!

  30. Valter,
    Eu curti o que vc chamou de “um trabalho mais de vanguarda, com aqueles compassos esquisitos e modulações”. E aposto que o seu trabalho de música mais “povão” também é bom!
    Se depender de mim, estarei sempre divulgando, ok?!
    Mas aposto que, se vc também desse aulas de música pra quem realmente quer – aulas particulares, talvez… -, poderia gostar e se surpreender com a possibilidade de unir o seu lado educador com o artista… 🙂
    Sucesso pra vc!!!
    Beijos,
    Regina.

  31. Eliane Duarte Cunha

    Acho importante que nós professores demos forças uns para os outros, pois, sinceramente, se eu pudesse, eu desistiria de ser professor! Não aconselho pra ninguém, sinceramente! Cada vez que penso em educação, me revolto por não ser entendida principalmente pelos pais dos alunos, meu maior problema na escola. Sou professora de séries iniciais e os pais acham que podem nos mandar, que podem nos controlar e nos dizer o quê e como fazer… não têm consideração nenhuma por aqueles que lidam diariamente com seus filhos… Para eles, somo cuidadores e não professores. E, me desculpe, Regina Milone, pelo que vou dizer aqui, mas desde que entrou a Pedagogia dizendo que professor é educador, que estas atitudes dos pais começou a vigorar. Deixamos de ser professores(profissionais da educação) para sermos educadores(cuidadores)… Se tu ensinas, é porque tu estás exigindo demais dos alunos; se tu não ensinas, é porque não és bom professor; se chamas a atenção do aluno por algo que ele fez de errado, é porque tu gritas muito e os reprimes…enfim, tudo o que fazemos não está valendo de nada… Não gosto de Pedagogia por causa de tudo isso: pensam que podem mudar o mundo bastando o professor ter boa vontade em fazer e se esquecem que lidamos com pessoas… Se ao menos a sociedade exigisse dos pais a responsabilidade de criarem bem os filhos que geram, como exigem do professor ser bom educador, acredito que seria a cura para muitos males não só de professores, como também de alunos. Se a sociedade voltasse um pouco mais para a FAMÍLIA, MUITAS COISAS seriam bem melhores em termos educacionais, sociais e tudo o mais. A família joga suas responsabilidades para a escola resolver(até mesmo as pessoais) e nós não temos poder para isso. A educação vai mal porque a família vai mal. E a sociedade está tendo que lidar com índice de marginalidade incríveis que vemos há toda hora. Francamente, estou cansando de LUTAR CONTRA A MARÉ!

  32. Eliane, entendo seu desabafo, mas estranhei bastante as suas críticas à Pedagogia, que considerei tremendamente injustas. E logo em um texto no qual vejo o lado do professor o tempo inteiro, mostrando o quanto está desgastado e, com razão, adoecendo (Síndrome de Burnout) por causa disso.
    Vamos por partes.
    A Pedagogia não inventou moda. Ela é a BASE do trabalho de todo profissional de Educação, constando dos cursos de formação de professores em todos os níveis. Além disso, quase 100% dos pedagogos são também professores, uma grande parte com anos de experiência em sala de aula, atuando como professores regentes de turmas.
    Pedagogia e Educação são sinônimos. Inclusive no dicionário: “educador = Que, ou aquele que educa, ou dá educação a outrem; mestre, preceptor, professor, pedagogo” (Dicionário Michaelis). Quando trabalhamos na área e falamos de Educação, de maneira geral, estamos falando como educadores, sejamos professores, pedagogos ou as duas coisas.
    União entre os professores é fundamental, não só nos momentos de se lutar por melhores salários, mas tem que ser a união de todos os envolvidos em Educação, o que inclui pedagogos, diretores de escolas, alunos e pais de alunos também, na minha opinião. Os funcionários da escola e a comunidade do entorno também precisa ter voz e participar.
    Você comete vários erros, a meu ver, no seu comentário. Por exemplo, quando diz ” (…) desde que entrou a Pedagogia dizendo que professor é educador, que estas atitudes dos pais começou a vigorar. Deixamos de ser professores(profissionais da educação) para sermos educadores(cuidadores)…”. Você mesma está se contradizendo, pois diz que os professores são profissionais da educação – ser “profissional da educação” é o mesmo que ser “educador”; a palavra já diz – e que não são cuidadores, colocando a palavra “educadores” como sinônimo de “cuidadores”, o que é um outro erro – você não vai encontrar essa definição de educador como cuidador em lugar nenhum -, pois não somos “babás” nem pais dos alunos, mas, como educadores, nosso papel também NÃO É só depositar conteúdos na cabeça das crianças e dos adolescentes e sim ensinar, aprendendo a aprender junto com eles. Vale muito a pena ler os livros do Paulo Freire sobre isso. E ele deu aula a vida inteira – lembre-se disso antes de achar que ele era só mais um teórico, como muitos professores acusam, hoje em dia, os pedagogos de também serem.
    Outro erro é quando você diz: “Não gosto de Pedagogia por causa de tudo isso: pensam que podem mudar o mundo bastando o professor ter boa vontade em fazer e se esquecem que lidamos com pessoas”. Essa frase não tem o menor sentido! Um bom pedagogo é justamente aquele que lembra, o tempo todo, que está lidando com pessoas e não com máquinas ou depósitos, e mostra isso aos outros profissionais da educação/escola, assim como aos pais e alunos.
    Pode ser que você tenha conhecido pedagogos mal formados, medíocres, superficiais… Infelizmente existem muitos assim, da mesma forma que existem tantos professores péssimos também, e você pode ter generalizado por causa disso. Mas repito: é injusto e incorreto. A sua avaliação é generalista, parcial e, me desculpe dizer, muito preconceituosa também. Seria o mesmo que eu dizer: “todos os professores são ignorantes, sem base, não estudam, não pesquisam, só reclamam e é por isso que a educação está como está”. Mesmo existindo professores incompetentes como esses, existem muitos outros lutando dia a dia, buscando soluções, abertos para aprender e tentar coisas novas, enfim, existem professores excelentes também e, por isso, não dá pra generalizar.
    Mas é um direito seu expor suas opiniões aqui, assim como é um direito meu discordar e informar, já que eu sei bem o que é ser um pedagogo competente e, por isso, já que você fez essa crítica a todos, o mínimo que tenho a obrigação de fazer é corrigi-la e mostrar em que pontos está enganada.
    Quanto a cobrar mais dos pais, concordo que é importante, mas é importante também cobrarmos dos políticos, pois grande parte dos problemas que nossos alunos apresentam é de origem social e, portanto, vai muito além das relações familiares que tem em casa. Quem nasce e cresce em meio à pobreza extrema, violência e ignorância, vendo uma pequena elite milionária dominando tudo, não tem como criar os filhos dignamente, muitas e muitas vezes. E é lógico que os frutos dessa política de educação horrorosa, que temos em nosso país, acaba gerando cada vez mais alunos desinteressados e professores estressados. O problema maior é macro, é social, repito. E, pra lutar contra esse problema maior, precisamos sim de união, entre TODOS os profissionais de educação, junto com os próprios alunos e suas famílias.
    Já escrevi outros artigos e textos mostrando mais e mais o que nós, pedagogos, temos que lidar dentro das escolas. Se você tiver interesse em sair dessas generalizações simplistas e conhecer mais à fundo o assunto, leia, comente e vamos trocar ideias e experiências. Quem sabe você muda de ideia em relação à Pedagogia?
    Concordando ou não, aqui ou ali, saiba que me mantenho aberta para a troca. Você será sempre bem vinda.
    Um abraço.

  33. Olá. Fiquei admirável e agradavelmente surpresa ao encontrar seu site e suas postagens. Tenho 50 anos e só depois de criar meus filhos retornei à faculdade, me formei e no ano seguinte me efetivei. Estou há quatro anos no Estado e tenho apresentado 80% dos sintomas que você descreve. Não quero acreditar que estou doente, luto diariamente contra a apatia e o desinteresse, tento ser a melhor professora possível quando estou em sala, mas a angústia que sinto antes de ir para o trabalho e o alívio na saída são sensações que não consigo dissipar. Evito ir aos médicos, pois estou em estágio probatório, último ano, e não quero ter problemas, mas agora, depois de ler o artigo, pressinto que a busca do tratamento se faz necessária. Muito obrigada por tão excelente explicação. Saúde pra você a para os colegas que comentaram.

  34. Olá, Edna.
    Obrigada por ler meu artigo e deixar seu comentário!
    O fato é que, há muito tempo, tudo tem sido feito para que a escola pública NÃO FUNCIONE.
    Não há interesse ou vontade política para mudar esse quadro.
    As maiores vítimas são os alunos – crianças e adolescentes, ainda formando a própria identidade -, seguidos pelos professores. Mas, como pedagoga, posso te dizer que, quanto mais idealista é o profissional e quanto mais abrangente é o seu olhar, mais sofre. Eu, trabalhando como pedagoga, acabei com essa síndrome, que descrevi neste texto, tendo que pedir aposentadoria proporcional. Sofri muito.
    Mas não procure se autodiagnosticar. Não é simples assim. Só mesmo um profissional da área – psicólogo e/ou psiquiatra – é que vai poder dizer se o seu estresse já está no nível dessa síndrome ou não. Eu sou psicóloga, mas, mesmo assim, precisei de ajuda profissional.
    Essa síndrome tem ficado conhecida, entre educadores, como a “doença da classe”, pois cada dia aumenta mais a quantidade de profissionais da Educação com esses sintomas.
    Enfim…
    De qualquer jeito, sempre é bom desabafar e trocar ideias e experiências com colegas, como fazemos assim, pois sozinhos acabamos penando mais ainda.
    Saúde pra você, querida! Isso é o principal.

    Beijos,
    Regina Milone.