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Educação Física e o Futebol ou Futsal: a grande questão

Estamos iniciando mais um ano letivo, mas as questões que envolvem a educação física não mudam muito. Assistimos palestras, gostamos, queremos aplicar o que aprendemos em nosso planejamento, mas nos deparamos sempre com essa questão: o futebol e o futsal nas aulas de educação física.

Quando perguntamos aos alunos o que gostariam de aprender nas aulas de educação física, a  grande maioria responde: FUTEBOL OU FUTSAL.

E essa é a grande luta que travo, numa das escolas que trabalho. Não sou contra o futebol ou o futsal, mas o aluno tem o direito e deve conhecer as outras modalidades esportivas e, se possível, outra formas de movimento, como a ginástica artística, acrobática e mesmo de academia.

Muitas vezes fico me perguntando por que só futsal ou futebol? Será que o problema está na prática pedagógica dos professores de educação física? Será pela facilidade do aluno de já ter algo que domina e não quer ter o trabalho de aprender outras modalidades?

Em todas as escolas que trabalho (total de 3), as turmas sempre escolhem futsal ou futebol para trabalhar em um dos bimestres. Numa das escolas, os alunos sempre jogam futsal antes da aula, isso foi um das combinações feitas para que eu pudesse trabalhar as outras modalidades. Com outras turmas, o futebol ou futsal acontece no final da aula. Essa forma de trabalhar é muito utilizada por nós para que possamos trabalhar.

Outra questão a ser levantada é a forma como trabalhamos esse futsal ou futebol e o que realmente os alunos querem. Para os alunos as aulas de futsal ou futebol literalmente significam “rola a bola”, ou seja, as equipes já estão formadas antes das aulas, excluindo os menos habilidosos e as meninas, e a função do professor é apenas apitar o jogo.

Essa forma me causa grande irritabilidade, fico o tempo todo me questionando: o que estou fazendo aqui? Para que estudei tanto?

Essa também é minha outra grande luta, pois quero trabalhar um futsal ou futebol cooperativo, lúdico, que propicie a participação de todos. Trabalho com as traves viradas, de mão dadas, em dupla com um da dupla de olhos vendados, 4 equipes ao mesmo tempo jogando na quadra… Aproveito para refletir com os alunos por que estão jogando dessa maneira e sabe o que mais ouço?

“Essa professora é louca, isso não é jogar futsal ou futebol, não vou participar”.

Assim começamos nova rodada de negociações para que eu possa dar aula e que não tenha só futebol ou futsal da maneira deles.

Termino o texto fazendo um desabafo, o que está errado: o professor, a educação, o sistema? Será que todo ano terei que negociar? Quando os alunos aprenderão a ter mais respeito pela educação física? Onde está a falha? O que está faltando no meu fazer pedagógico?

Giseli Brum

About Giseli Brum

Giseli é professora de Educação Física e está no magistério há 20 anos trabalhando em 3 lugares diferentes vivendo realidades diferentes, uma escola particular da zona sul e duas prefeituras: Rio de janeiro e Duque de Caxias.

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3 comments

  1. vanderlan ramos silva

    acho que não devemos excluir o futsal e nem o futebol nas aulas de educação fisica, mais sim saber como mediar este impulsos que os alunos tem pelas modalidades, sabemos que é de fundamental importância que a criança vivenciem todas as modalidades esportivas, por que o ajudara na sua formação integral, o que esta faltando é o comprometimento pelo ensino e não a exclusão destas modalidades, pois tem varias adaptações onde podemos utiliza- las de forma espontânea e prazerosas -, mais para isto acontecer o professor tem que ser criativo tem que esta atualizado, a educação fisica é a unica matéria onde podemos ter esta flexibilidades e temos uma grade de opições é na educação fisica que trabalhamos o ganhar , o perde, a inclusão social, a recreação informativa, a coordenação motora ampla, fina, grossa , cognitiva etc dos alunos não precimos estar repetindo modalidaes mais sim , criando adaptações para inclusão destas modalidades explesão corporal, costumes cultural etc

    • Bom dia. Mas foi o que ela disse, ela não quer trabalhar o futsal da forma convencional até pq essa forma os que jogam já conhecem e ela é excludente, o que ela relata é até mesmo para trabalhar o futebol mas da maneira Fela como professora ela tem que negociar e acredito que isso seja uma realidade do país pois sou de BH e aqui é da mesma forma, este ano trabalho com o 1 ao 5 ano a primeira coisa que perguntam é se vai ter futebol, além do futebol ser um esporte culturalmente inserido no Brasil, ele é endeusado pela mídia e ele é excludente deste pequebo, temos que tentar mudar o olhar deles na infância. Eu tenho dar o máximo de possibilidades aos meus alunos para que quando chegue a hora de entrar com os esportes eles vejam de uma forma diferente

  2. Também acho que o futsal e o futebol podem continuar – estão na alma dos brasileiros; é nossa cultura -, da forma tradicional e da forma criativa que vc também faz com eles, Giseli. Dá pra ir alternando e, nos outros bimestres, apresentar outros jogos, expressão corporal, dança, capoeira, etc., até pra não ficar dando ênfase exagerada a atividades essencialmente competitivas.
    Essa galerinha – os alunos – costuma ter muito ritmo e gingado e isso poderia ser mais bem aproveitado nas aulas de educação física, já que pouco ou nada se fala a respeito da enorme importância do conhecimento do próprio corpo na educação como um todo.
    Quanto aos alunos terem mais respeito pela educação física, acho que isso só acontecerá pra valer quando os próprios professores, de todas as disciplinas, começarem a tratar a educação física dando-lhe a mesma importância que dão às suas próprias matérias. O exemplo vem de cima.
    Um abraço…