Especialistas em educação e verborragia

Tenho evitado ler qualquer matéria sobre educação que sai na grande imprensa, para tentar ser feliz.

Mas minha meia dúzia de leitores e alguns amigos não deixam e volta e meia me mandam uns links, me instigam a ler e escrever sobre.

Aí, leio. E a cada escrito que leio sobre educação, minha azia aumenta, meu estômago embrulha, minha raiva aumenta e minha vontade de largar a educação, idem.

Vejam, por exemplo, o que dizem os “especialistas” em educação nesta matéria deste fantástico meio de comunicação, jornal o globo: “Especialistas apontam defasagem nas escolas”, a qual versa sobre violência nas escolas:

Para Miriam Abramovay (…) as escolas não estão conseguindo vencer a cultura da violência e não têm um diagnóstico sobre as razões de tantos conflitos no ambiente educacional.

— A escola é muito defasada em relação à realidade dos alunos. Temos uma educação do século XIX para alunos do século XXI, com uma linguagem que não chega aos jovens. A escola é chata e entediante para os alunos. E isso cria conflitos — diz Miriam.

Ou seja, para ela, a culpa da violência nas escolas é da escola, que é chata.

“A escola é defasada em relação à realidade dos alunos”, mas, que alunos? Aqueles meus que moram em morros e favelas onde a violência impera? Aqueles meus que  vivem sob o comando de traficantes e quando a polícia invade é para dar tapa na cara deles? Aqueles meus que vivem praticamente em uma zona de guerra?

O pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP Renato Alves afirma que muitas vezes as escolas não dão a devida atenção a violências menores que acontecem em sala de aula, e elas acabam se transformando em algo maior.

— A violência física é a ponta de um iceberg de outras violências que acontecem e não são tratadas. Ninguém dá um soco do nada. Começa com olhares, xingamentos e empurrões. Se o professor pede algo para o aluno, e ele responde de forma atravessada ou se o professor responde de forma atravessada, isso vira uma bola de neve — afirma.

Segundo Alves, as escolas foram perdendo função ao longo do tempo e não se preocupam mais com a convivência e bons relacionamentos. De acordo com ele, se antes os colégios eram voltados para a formação de profissionais, hoje eles estão mais preocupados com a aprovação em vestibulares.

Ok, ok, este professor disse palavras interessantes. Concordo com ele quanto às “violências menores”. Mas dizer que as escolas não dão a devida atenção a isso e não se preocupam é uma afirmativa que não se sustenta.

Os professores, coordenadores e direção muitas vezes atuam junto a estas atitudes, mas nem sempre têm êxito, nem mesmo têm amparo. Nada mais podem fazer do que dar uma bronca. Mas, em todas as escolas que já trabalhei e trabalho, as crianças levam advertências, os responsáveis são chamados, os alunos são suspensos, mas… E SE continua-se a agir assim?  O que se pode fazer? Nada.

Agora, a campeã da verborragia:

Para Luciene Tognetta (…) ainda há um problema generalizado de formação de professores, que não são preparados para lidar com a agressividade de crianças, nem para se relacionar bem com elas. Na opinião de Luciene, os educadores não usam bem o tempo que têm para debater sobre a violência na escola.

— Nos encontros semanais que os professores têm para discutir questões como essas, eles preparam festas juninas, vendem calcinhas e trocam receitas de bolo — diz Luciene.

Vejam o que esta “especialista” diz!

Ela não afirma que “fez uma pesquisa em algumas escolas e já viu isso acontecer”. Ela diz que “ELES” – ou seja, nós, todos(as) os(as) professores(as) – vendem calcinhas e trocam receitas de bolo nos encontros semanais!

É de uma leviandade terrível!

Eu pergunto: é possível fazer esta afirmação leviana, maldosa, mentirosa sem nenhuma sansão? Sem nenhum constrangimento? Sem nenhum direito de resposta? Sem nenhuma prova?

Pergunto a alguém que seja de um sindicato: há possibilidades de se entrar com alguma ação coletiva de injúria e difamação contra esta pessoa?

Senhora “especialista” Luciene: eu não vendo calcinhas nem troco receitas de bolo nas reuniões semanais!!!

Prove o que está afirmando! Seja profissional o suficiente para não soltar asneiras ao vento sem uma prova acadêmica, científica.

Não, isso não será possível, sabe por quê? Porque, se, por acaso, a senhora já viu isso acontecer, trata-se de exceção, de um acontecimento que não pode ser generalizado a todos, como o são as investigações nas áreas sociais. Trata-se de, talvez, o ocorrido em uma ou duas escolas, não mais.

Sinceramente, pretendo analisar a possibilidade de um processo contra a sua pessoa por calúnia e difamação, pois ao generalizar desta forma leviana, inclui toda a classe dos professores em seu ódio injustificável, e isso também se aplica a mim.

Abraços revoltosos,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor de sala de aula, e não um especialista que fica verborragiando asneiras para aparecer na mídia.

Um comentário sobre “Especialistas em educação e verborragia

  1. É este tipo de especialista que o Brasil não precisa. Ficar pesquisando é muito fácil, quero ver é entrar dentro de uma sala de aula e lecionar. Escrever livros é ótimo, mas quero ver é viver a realidade sobre à educação que escrevem, sem olhar para os outros como cobaias para ganhar dinheiro às custas de quem realmente trabalha neste país. Vivemos uma nova realidade e um novo momento, nostalgia não trás benefícios para nosso ensino. Quando estudava existia respeito pelo(a) professor(a); hoje isso é muito difícil. O(A) professor(a) era o dono da voz; hoje ele pede licença para falar e mesmo assim não é atendido. Antes o salário de um(a) professor(a) era o necessário para ser respeitado; hoje tem que ir às ruas para pedir aumento, caso contrário os políticos não estão nem ai. Pergunto aos especialista, antigamente tinha alguma formação para professores(as)????????? Lógico que não. Hoje, quando falamos em capacitação na área educacional, observamos que o dinheiro que deveria ser destinado para ajudar na formação dos profissionais da educação é desviado pelos gestores dos estados e prefeituras para outras áreas, menos para o ensino. Para finalizar, quanto aos colegas que escrevem sobre o setor educacional, é muito bonito criticar, mas porque não deixam seus bancos e comecem a trabalhar em uma escola da periferia, de preferência aquela que tem muitos problemas, os quais não preciso citar, e vivam conosco o verdadeiro ensino do Brasil na atualidade. Vamos parar de escrever e viver. Ai sim, depois disso, dessa experiência maravilhosa, vocês podem chegar a uma ótima conclusão sobre o que escreveram, criticando o trabalho que fez, retirando uma retórica condizente com menos parcialidade e mais realidade. Chega de saudosismo!!!!!!!!!!!!! Quanto a nossa amiga que generalizou o modo de trabalhar de nossa classe, o que peço a ela é mais respeito e menos hipocrisia, porque não posso pagar por uma meia duzia que está na educação como Hobby e não por vocação. Abraços e fiquem com DEUS. /

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