Escola: caso de saúde pública.

                Dizem por aí que as crianças são o futuro do país, e eu concordo. Mas que futuro é esse que estamos preparando?

                A cada dia a angústia se concentra nos corações e nas mentes de pessoas que realmente se comprometem com o ato de educar. É muito bonito aos olhos e ouvidos dos teóricos e de pares, criar teorias mirabolantes para que os outros as executem. O grande problema é que a teoria tem passado longe da prática, e dar assistencialismo aos familiares dos alunos das redes públicas de ensino tem agravado os problemas educacionais.

                Hoje, a escola está sucateada, o comprometimento com os nossos alunos é mínimo e, embora o governo até tente um pouco, está longe de ser o suficiente. Auxiliar financeiramente  as famílias não resolve problemas de saúde e psicológicos que comumente em sala de aula detectamos. E não precisa ser especialista para saber que a mãe de “Joãozinho” está sendo espancada pelo marido e seus outros cinco filhos assistem a tudo quietos. Não precisa ter um diploma para notar que “Pedrinho” está sendo perdido para o tráfico de drogas. Nem precisa de bola de cristal para ver que “Zezinho” não aprende porque não se alimenta adequadamente.

                Criança na escola, no Brasil, é só estatística. Assim como o IDEB e o índice de analfabetismo. Porque a criança real, aquela que chega suja à escola porque não tem água em casa, aquela que chega com o dedo necrosando porque não tem médico no Posto de Saúde, aquela que falta aula porque tem dores de dente terríveis, e não encontra na rede pública de saúde odontologistas; essas crianças não são aquelas que os livros e os teóricos esperam encontrar nas salas de aula. Essas crianças são invisíveis, inaudíveis e não são palpáveis. E se elas não existem, é mais fácil criar teorias de gabinete que são lindas, mas que precisam muito mais do que simplesmente uma sala de aula e um professor com giz e apagador nas mãos.

                Chega de tentativas, não há mais tempo para isso. Precisamos de governantes audaciosos, que combatam roubos e desvios de verba; que valorizem e incentivem professores a trabalhar dignamente, e que prioritariamente não enxerguem o aluno como um número, que o vejam com uma peça de um grande quebra-cabeça social que, estando danificada, prejudica o todo. Não há como funcionar uma sociedade com as engrenagens corroídas.

8 comentários sobre “Escola: caso de saúde pública.

  1. Amei sua contextualização da nossa realidade amiga!!! falta-nos muita coisa para uma educação de qualidade, os alunos citados nas leis não existem e porque será que não querem vê-los?
    Continue nos representando neste site…lindamente.

    • Amiga e companheira de angústias, obrigada pelo comentário e a nossa luta é pelos alunos!

  2. Concordo com você, Emily!
    Quem convive diariamente com as crianças das escolas públicas e com suas famílias vê, diariamente, o quanto de miséria e violência ainda existe, o tanto de injustiças sociais com os quais temos que lidar, as consequências extremamente desgastantes que essa total falta de condições básicas de vida, saúde e educação dignas trazem para todos. É revoltante! Se até o básico ainda é negado ao nosso povo e aos profissionais dessas áreas – Saúde e Educação -, que são o MÍNIMO que um país precisa ter funcionando bem se quiser ser reconhecido como país realmente civilizado, como podemos, então, falar em “progresso” e “desenvolvimento”?!
    Mas sou a favor do estudo, da pesquisa, do conhecimento sobre as diversas teorias existentes sim, pois cada uma delas foi desenvolvida a partir de ideias e de práticas também. O problema não vem das teorias, na minha opinião, e sim do descaso político, do pouco investimento em educação e saúde (incluindo aí a constante atualização de seus profissionais) e no conformismo do nosso povo. Enfim…
    Parabéns pelo texto!!!
    Abração. 🙂

    • Regina, concordo que a teoria é importante. Mas ainda continuo “achando” que os teóricos passam longe do que ocorre numa sala de aula real. Digo pelas minhas experiências. Também estudo bastante e trago algumas preferências teóricas para minha prática docente, mas no final de tudo, o que acaba acontecendo é que me vejo muitas vezes diante de um labirinto, buscando o melhor caminho para atuar com essa galerinha que não teria condições de aprender… eu, falo que eles são guerreiros, porque diante de tantas privações, ainda conseguem motivação para irem à escola. De qualquer forma, acho muito importante essa troca on line.

      Obrigada pelo carinho e atenção.
      Emily.

      • Emily,
        Acho ótimo trocarmos ideias e acho mil vezes melhor quando opiniões diferentes umas das outras aparecem. Afinal, se não aprendermos a lidar com as diferenças entre nós, educadores, nunca seremos capazes de ajudar a formar cidadãos que respeitem uns aos outros, cada qual com sua individualidade, na vida.
        Quanto a sua experiência ter te mostrado que as teorias passam a léguas de distância da realidade das escolas, a minha me mostrou outras coisas. Até porque uma boa teoria é algo vivo, em movimento, embasada também em várias práticas. Ninguém pode ou deve se considerar um profissional da educação se não gosta de ler, estudar e pesquisar. Se não formos exemplos, pros nossos alunos, da importância do estudo, aí seria melhor nem existir mais a instituição escola no mundo. O educador é o que valoriza, em primeiro lugar, o conhecimento e o ser humano. Senão seria melhor atuar em outra área. O que não é o nosso caso e nem o dos colegas aqui do blog, pois é visível o quanto somos comprometidos com a busca de uma educação de qualidade e o quanto sofremos com tudo que temos/tivemos que enfrentar nessa busca.
        Grande abraço…
        Regina.

  3. Emily,
    Acho ótimo trocarmos ideias e acho mil vezes melhor quando opiniões diferentes umas das outras aparecem. Afinal, se não aprendermos a lidar com as diferenças entre nós, educadores, nunca seremos capazes de ajudar a formar cidadãos que respeitem uns aos outros, cada qual com sua individualidade, na vida.
    Quanto a sua experiência ter te mostrado que as teorias passam a léguas de distância da realidade das escolas, a minha me mostrou outras coisas. Até porque uma boa teoria é algo vivo, em movimento, embasada também em várias práticas. Ninguém pode ou deve se considerar um profissional da educação se não gosta de ler, estudar e pesquisar. Se não formos exemplos, pros nossos alunos, da importância do estudo, aí seria melhor nem existir mais a instituição escola no mundo. O educador é o que valoriza, em primeiro lugar, o conhecimento e o ser humano. Senão seria melhor atuar em outra área. O que não é o nosso caso e nem o dos colegas aqui do blog, pois é visível o quanto somos comprometidos com a busca de uma educação de qualidade e o quanto sofremos com tudo que temos/tivemos que enfrentar nessa busca.
    Grande abraço…
    Regina.

Os comentários estão encerrados