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Escola leva banho de agrotóxicos

Uma escola no interior de Goiás levou um banho de agrotóxico.

Essa notícia remete-me a muitos absurdos relacionados.

Poder-se-ia achar simplesmente que foi um acidente, coisa “que acontece”.

Mas, também se pode ver que país é este que estamos construindo – ou destruindo.

Pra começar, o absurdo do latifúndio megalomaníaco que aqui existe, talvez sem comparação em todo o mundo.

O governo e o lobby do latifúndio – muito bem organizado, a ponto até mesmo de raptar a Comissão de Meio Ambiente do Senado – cantam loas à grande produção agrícola brasileira.

Mas esquecem-se, sistematicamente, de dizer que as mesmas empresas estão dominando e contaminando tudo com transgênicos. [E, para mim, a discussão sobre transgênicos vai muito além da saúde, envolvendo questões políticas, culturais e sociais importantíssimas – mas isso é ponto para outro artigo].

E também esquecem que o Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo! Isso é muito, muito e muito grave. Não dá pra saber, hoje, as consequências disso na saúde humana a médio ou longo prazo.

Mas, foda-se dane-se o povo, né?

Dane-se o povo: alaga-se, muda-se, mata-se e… pulveriza-se!

E é aí que entra o motivo deste artigo: dane-se o povo a ponto de se pulverizar uma escola com agrotóxicos!

Segundo as investigações, o plano de voo da aeronave mostra que o avião despejou agrotóxico a menos de 15 metros da escola. O dono do avião justifica que o piloto não viu que era uma unidade de ensino.

O veneno que intoxicou as pessoas que estavam na escola é o engeo pleno. De acordo com o delegado regional de Rio Verde, Danilo Carvalho, pelas leis ambientais e de utilização de agrotóxico, esse inseticida só pode ser aplicado via terrestre.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 37 pessoas foram intoxicadas, sendo oito adultos. As 29 crianças, com idade entre seis e 14 anos, foram atingidas enquanto brincavam na quadra de esportes.

Percebem?

Ele “não viu” que ali era uma escola!

O veneno que foi jogado só pode ser utilizado em terra!

É uma série de absurdos que vão se acumulando.

E isso é uma, somente uma das coisas que acontecem por aí de desrespeito com as crianças, com as escolas, com o “futuro” da nação.

Quem está dentro da escola diariamente vê isso sistematicamente.

É abuso, é violência, é falta de água, é poeira e sujeira, é lixo, é droga, é bala perdida, é falta de transporte, é falta de cultura, é falta de saúde…

Mas nós, os professores, temos que dar conta de ensinar e educar sozinhos.

Chega de estarmos sozinhos!

É hora de o ECA ser respeitado de fato!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
ECA!

ps.: aposto que NADA acontecerá com os latifundiários e demais agentes desta insanidade.

 

About Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

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One comment

  1. Verdade, Declev… Nada acontecerá com os grandes latifundiários, muito provavelmente.
    Um absurdo essa história!!!!!!
    É difícil até escolher por que ângulo criticar primeiro! É um conjunto de erros e descasos tão grandes, que dá canseira até pra começar a analisar…
    Mas vc já disse tudo. Já analisou com objetividade e conhecimento.
    Só me resta estar solidária à sua crítica… 🙁