Manifestações pelo país – Como trabalhar o assunto nas escolas

Manifestações pelo país – Como trabalhar o assunto nas escolas

Um dos maiores erros da instituição escola em nosso país, ainda hoje, é supervalorizar conteúdos antigos e método de ensino tradicional, em suas maiorias bastante desestimulantes para os alunos.

Mas, para a escola fazer sentido para o aluno, o que poderia ser ensinado? E de que maneira?

Uma forma de começar a responder à essa questão seria observando de que maneira a escola relaciona o que ensina em sala de aula com o que o aluno vê acontecendo em seu cotidiano familiar e social.

Um exemplo simples, claro e atual: como os alunos, em suas diferentes faixas etárias e experiências de vida, estão entendendo as manifestações que tem acontecido diariamente em várias cidades do Brasil, neste mês de junho de 2013?

A “pedagogia da libertação”, criada e desenvolvida por Paulo Freire, grande educador brasileiro, é conhecida e pesquisada em diversas universidades ao redor do mundo. Mas, e no Brasil, ela tem sido utilizada? Como?

Esta pedagogia propõe uma educação crítica a serviço da transformação social e utiliza “temas geradores”, ou seja, os alunos são alfabetizados com as palavras que usam no dia-a-dia, sempre associando o processo de alfabetização com a vida. Mas ela não termina quando acaba o processo de alfabetização e deve continuar norteando os educadores realmente interessados em pensar e viver a Educação de forma ampla e profunda.

Se utilizarmos outras visões, como a da Psicologia Clínica, por exemplo, veremos que, mesmo vivendo no mesmo meio social, cada indivíduo tem sua subjetividade, identidade e maneira pessoal de reagir ao mundo.

Já a Psicologia Social nos lembra que grande parte da própria subjetividade humana é formada pelo meio e cultura em que vive. Não é algo que simplesmente “vem de dentro”.

Pensando na Pedagogia Libertadora de Paulo Freire e no conhecimento da Psicologia Clínica e Social, entre outros saberes que ainda poderíamos acrescentar, estaríamos levando em conta todas as variáveis que formam o ser humano – a influência do meio, da cultura, da sociedade, da família, da escola, do momento histórico… -, percebendo que são muitas vezes complementares e não excludentes. Nesse caso, com o olhar aberto à complexidade humana, como a escola pode ajudar na descoberta e no desenvolvimento de seus alunos, preparando-os para viverem nesse mundo?

Lembremos que, para Paulo Freire, todos têm saberes. Diferentes entre si, mas igualmente saberes. Nesse caso, como podemos lidar com o aluno que ainda está formando sua personalidade básica – mesmo já tendo seus “saberes”… -, isto é, como podemos lidar com o aluno que é criança ou adolescente?

A subjetividade vai se formando ao mesmo tempo em que a necessidade de aprender a viver em sociedade. E a escola precisa trabalhar nessas duas vias e com a complexidade que cada uma delas traz. Importante que fique claro, para o aluno, que todos somos iguais enquanto raça humana – e essa é a única “raça” a qual nós, humanos, pertencemos – e que, ao mesmo tempo, todos somos diferentes, pois cada um é um e tem algo de original, único e particular para expressar no mundo. A escola tradicional costuma uniformizar tudo (não só vestimentas), reprimindo, nos alunos, muito do que poderia emergir de criativo. Nesse sentido, uma proposta libertadora e transformadora de educação teria muito mais dificuldade de se desenvolver. Portanto, para que a pedagogia proposta por Paulo Freire possa ser utilizada, a instituição escola precisa se comprometer com um novo projeto de educação. Esse é um ponto que não podemos esquecer.

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Mas, voltando à questão inicial deste texto, como trabalhar com os alunos o que tem acontecido em nosso país, levando em conta que cada aluno é fruto de um meio social, cultural, histórico, econômico e, ao mesmo tempo, que cada um é capaz de trazer algo de novo ao mundo, criando, pensando, aprendendo, tentando, sem anular seu jeito próprio de ver o mundo e se sentir dentro dele? Como fazer isso? É possível?

Em primeiro lugar, como disse acima, a escola precisa comprometer-se com um modelo de educação transformadora. A seguir, precisamos levar informações básicas aos alunos. Sobre o que é plebiscito, por exemplo, palavra que tem sido repetida e, no entanto, que muitos alunos desconhecem.

Uma ótima forma de trabalhar questões políticas com os alunos é no momento de se votar para escolher o representante da turma. Que um número “x” de alunos possa se candidatar, falar de suas propostas, para, depois, os candidatos serem votados pela turma. Eleição direta, claro! É uma ótima chance de questionar com eles o que é “representar” um grupo.

Uma outra ideia prática, para trabalhar com alunos que ainda são crianças, é pedir que tragam notícias de jornal ou de internet que lhes chamaram a atenção em relação às manifestações. A partir daí, divididos em grupos, podem criar uma forma de apresentar ao resto da turma aquilo que cada um escolheu e mostrar como uniram aquelas percepções individuais em grupo, incluindo perguntas e dúvidas que tenham a respeito, mas chegando a uma produção coletiva, que pode ser expressa em desenhos, colagens, cartazes, expressão corporal, textos (de acordo com a produção possível a cada faixa etária), etc. Estaremos desenvolvendo, com isso, a capacidade de olhar pro que é individual – a visão de cada um e o motivo que o levou a escolher aquela notícia – e respeitar as diferenças que aí aparecem e, ao mesmo tempo, estaremos exercitando, com eles, um outro olhar também, para aquilo que é coletivo, isto é, que é comum a todo um grupo ali reunido. Da mesma forma que milhares de pessoas têm participado das manifestações e de suas reivindicações, eles, alunos, também possuem seus motivos pessoais, suas próprias opiniões ou indagações e, ao mesmo tempo, precisam saber agir em grupo, pensar coletivamente, procurar pontos em comum, a fim de equilibrar o “eu” e o “outro”, o indivíduo e a sociedade.

Com alunos que já são adolescentes, todas as sugestões acima também podem ser utilizadas, estimulando-os a serem autônomos e criativos, e, também, podemos utilizar debates de vários tipos, onde desenvolvam de forma verbal e/ou escrita as suas idéias, aprendendo, na prática, a como se colocar, questionar, negociar, conciliar, encontrar formas de se expressarem sem que precisem da anulação de qualquer indivíduo ou dos grupos. Descobrirão como é importante criar regras, para serem seguidas por todo o grupo, para que consiga realmente contar com a participação de todos, sem que uns intimidem os outros. Estarão, na prática, aprendendo um pouco sobre o que é fazer política, o que é participar, como descobrir e valorizar afinidades sem precisar anular completamente as individualidades para isso, entre outras propostas possíveis. Um grupo pode desenvolver mais a parte crítica, expondo as questões sobre as quais o povo tem reclamado nas ruas. Outro grupo pode exercitar como seria possível desenvolver aquelas críticas já passando para o “como” fazer, isto é, o grupo procuraria desenvolver a capacidade de propor soluções, indo além das reclamações e críticas.

Observar o que foi mais difícil ou mais fácil para cada aluno e para cada grupo e trabalhar essas observações com a turma depois, fazendo-os refletir sobre os desafios que encontramos tanto no momento da crítica quanto no momento da busca de solução para o que foi criticado, seria uma forma dinâmica e bastante prática para que começassem a se envolver e compreender de maneira mais ampla o que tem acontecido. E essa experiência poderia ser usada, depois, para pensarem juntos sobre a própria escola onde estudam, buscando sua melhoria.

Não são precisos discursos partidários, nem nada parecido, para podermos desenvolver, com eles, o que é mais importante, libertador e transformador nisso tudo: a CONSCIÊNCIA de que podemos ser sujeitos ativos, responsabilizando-nos e participando efetivamente das mudanças que almejamos para os problemas de nosso país.

Uma educação só pode ser libertadora, como pretendia Paulo Freire, se oferecer esse espaço LIVRE para as descobertas, dúvidas e construções dos próprios alunos, cada um e cada grupo de acordo com suas capacidades cognitivas, sociais e emocionais, dando espaço tanto para as subjetividades se expressarem quanto para o desafio maior de unir subjetividades em torno de afinidades, idéias comuns, aprendendo, assim, a ser um indivíduo e, ao mesmo tempo, aprendendo a assumir seu lugar na sociedade, como alguém capaz de enxergá-la, criticá-la, se unir com outros indivíduos e, a partir daí, começar a transformá-la.

Mas esses objetivos devem ser trabalhados ao longo de todo o ano letivo, através das atividades citadas acima e de várias outras – inclusive ouvindo as sugestões dos alunos sobre isso -, para que não sejam tratados apenas de forma temática ou imediatista, como se faz muito nas datas comemorativas em que acontecem as festividades anuais das escolas, por exemplo.

Quando as manifestações populares diminuírem, a escola deve deixar de tratar do assunto? Não. Discutindo os desdobramentos de tudo que aconteceu no país, a escola deve continuar desenvolvendo, a partir daí, o hábito de questionar, criticar, ouvir, aprender, ensinar, trocar, ser único e ser parte de uma coletividade ao mesmo tempo. E deve se comprometer a desenvolver tudo isso não só nos alunos, mas em todos aqueles que trabalham em Educação, já que esse é um aprendizado sem fim.

É trabalhoso, exige atenção e criatividade, mas, aí sim, conteúdos muito mais relevantes para a vida dos cidadãos estariam ocupando o merecido lugar de destaque nas escolas brasileiras.

 

 

Regina Milone.

Pedagoga – Orientadora Educacional -, Arteterapeuta e Psicóloga.

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2013.

 

 

 

10 comentários sobre “Manifestações pelo país – Como trabalhar o assunto nas escolas

  1. Penso de forma diferente. Acredito que o professor deveria ser um ser conectado e inclusive viver o ser político em seu espaço de responsabilidade de atuação enquanto sujeito também transformador. O debate que deve ser proposto nas escolas deve ter conexões com as redes, não dá pra manter o debate refém a meros acontecimentos históricos como se a escola não estivesse dentro desse complexo universo do educar. É hora de nós professores ensinar inclusive a nós mesmos o nosso exercício de ser críticos e cidadãos também políticos, observadores e atentos ao mundo ao seu redor. Essa Pedagogia Crítica ela é engajadora e reveladora de quantos debates sobre poluição do ar e da nossa água, questões essenciais com o uso de meios de transporte mais ecologicamente sustentável, e desperta o sujeito que questiona o seu próprio saber, vivendo um movimento de avanço e de retrocesso.

    Saber por exemplo que a maioria de nós pedagogos, e muitos educadores estamos alheios aos espaços virtuais e seus debates, desconsiderando a capacidade de alcance da Internet e da rede e seu poder educativo, ainda é um grave problema de entendimento para muitos educadores. Muitos deles sequer estão atentos a esse movimento de forma crítica. Falamos de momentos de trânsito de eras.

    Em meus pensamentos, penso e procuro romantizar e comparar isso a transição de eras. Tais como para o homem foi a descoberta do fogo. É um novo sair da caverna.

    Então em minha opinião o papel do professor cumpre várias funções, esclarecer o debate e ensinar eles a usarem Twitter de forma responsável, serem pessoas críticas e contestadoras das informações que recebem. Desenvolvendo espírito crítico e de investigação, que esperamos que seja alcançado pelos nossos jovens através do entendimento que educação é tecnologia. Que seja ela hoje limitada por 140 caracteres, ou censurada como é no Facebook. É preciso ensinar as pessoas a não deixarem sua privacidade ser invadida por meio virtual.

    O que precisamos é de um debate sobre acesso da educação as tecnologias não meramente no sentido de alcance como moldador de cidadãos que entendem a história, mas de cidadãos que fazem a sua história.

  2. Acredito que todas essas práticas listadas, realmente funcionam… O mais importante é vivenciar o universo escolar e contextualiza-lo em sala de aula. Para os Professores que trabalham com humanas no Ensino Médio e Fundamental foi um ótimo momento para se discutir o que é Estado ? Como funciona ? A quem pertence ? E por ai vai…
    Se forem alunos do Ensino Médio vale a pena levá-los nas manifestações… Estive em algumas delas e senti um enorme orgulho de ser Professor…
    Sou Professor há 21 anos aqui em Brasília e durante as manifestações eu vi ex-alunos que agora eram: PMs, Repórter, Vândalo…
    E isso me fez refletir… Participei da Educação desses caras e agora eles estão aqui…Diferentes, politizados… Cada um buscou o seu caminho e defendia aquilo que acreditava… E como eles chegaram lá ? Com aquilo que lhes foi ensino durante esses últimos vinte anos em nosso país.
    De uma certa forma a nossa educação avançou muito e ainda tem muito que avançar… Mas as mudanças estão acontecendo… Como aconteceu entre Patrício e Plebeu em Roma ou entre Nobreza e Burguesia durante a Revolução Francesa.
    É importante destacar para os nossos alunos que acabamos de viver um momento histórico, mas que não foi único em nossa história… Como o movimento cara pintada dos anos 90 esse também faz reivindicações por reformas em todo o sistema político nacional,claro que as idéias estavam meio desorganizadas, mas ainda assim eram idéias e realmente, gostei do que vi…
    Portanto acredito que esse é o tipo de acontecimento que pode ser aproveitado de muitas maneiras diferentes pelo Professor, Escola, Comunidade e principalmente o Estado.
    Axé.

  3. Obrigada pelo comentário, Sidiney Rodrigues!!!
    É ótimo quando aparecem outros pedagogos por aqui!
    Não acho que pensemos tão diferente assim. Nada do que vc diz ou do que digo exclui um ao outro.
    Mas, antes de discutir mil questões, deve-se partir do que está acontecendo naquele momento – e, no caso do Brasil, as manifestações tem sido diárias – para desenvolver justamente o espírito crítico, questionador, a capacidade de pensar com a própria cabeça, sem ser papagaio dessa ou daquela ideologia… É aprender o que é ser um ser político no mundo, sem direcionar os alunos pra essa ou pra aquela visão, mostrando a eles as várias leituras de mundo possíveis, e, a partir daí, estimulando-os a pensar, buscar, pesquisar, refletir… aprender a produzir tanto individualmente quanto em grupo… aprender a ler nas entrelinhas… Essas são questões centrais!!!! Sem elas, nunca os alunos serão livres e nunca a pedagogia será verdadeiramente libertadora!
    Dito isso, concordo que os educadores – professores, pedagogos, etc. – deveriam estar mais conectados sim! A internet tem sido revolucionária e ficar longe dela é quase que ficar fora do mundo, hoje em dia!!!
    É claro que o debate sobre a poluição, a falta de água no mundo e todas as questões ligadas ao meio ambiente e a sustentabilidade precisam ser discutidos sempre também! Na verdade, são muitas as questões a serem conhecidas, questionadas, debatidas… Sem dúvida! Mas a minha sugestão, neste texto, foi ligada às manifestações políticas que tem acontecido por todo o país, justamente porque é através de acontecimentos históricos sim, antigos ou atuais, que podemos ir mostrando o que é estar inserido num mundo que funciona assim ou assado. Mas ensinamos muito mais e melhor estimulando os alunos a pesquisarem, criarem, se colocarem (nesse caso, os tímidos precisam de nossa ajuda e incentivo), perguntarem o que quiserem e, a partir disso, os convidarmos a pensar e propor soluções.
    A escola precisa trabalhar muito o que acontece no mundo a cada momento. Precisa se atualizar, nesse sentido. Trabalhar em tempo real. E, para isso, os próprios educadores precisam fazer o mesmo, pois grande parte é apolítica, enquanto outros são “radicais” que, muitas vezes, não leram um único livro dos que embasam a ideologia que dizem seguir!
    É impossível ensinar algo ao outro se não aprendermos primeiro!!!!!
    Quanto a educação ser tecnologia hoje, não vejo bem assim. Acho que é TAMBÉM, mas não só. O que atrapalha e impede tantos de usarem a tecnologia é justamente aquela visão, pra mim ultrapassada, de que a tecnologia é alienante e que qualquer movimento político verdadeiro não pode vir dali, como se o uso da internet pra reunir pessoas fosse só um grande oba-oba!
    Muito obrigada por ler e comentar meu texto, Sidiney!!! É assim que as discussões avançam!
    Aqui no blog o nosso único “pagamento” são os comentários dos leitores!
    Um abraço…

  4. Oi, Luizão!
    Que maravilha contar com sua participação aqui!!!!!
    Brasília se manifestando! Que bom!!!!
    Realmente escrevi pensando mais no Ensino Fundamental, mas, desde crianças pequenas até jovens do Ensino Médio, esse assunto pode e deve ser trabalhado com os alunos nas escolas. Com certeza! E de várias formas, adequando-se à faixa etária dos alunos, como disse logo no início do meu texto.
    Fico muito feliz quando ouço/leio opiniões otimistas como a sua, pois ajudam a relembrar que somos vários brasis e que, pelo menos em parte, nosso país tem melhorado!
    Acho muito bacana vc ter levado seus alunos de Ensino Médio para participar das manifestações. Acho que é por aí mesmo! E, depois, já na escola, qualquer pesquisa, debate ou criação a respeito do que vivenciaram poderá ser muito mais rica e ampla.
    Concordo com tudo que vc escreveu.
    Muito obrigada por ler o texto e deixar seu comentário, participando do nosso debate aqui. Muito obrigada mesmo!!!
    Grande abraço…

  5. Regina,

    Trata-se de uma tema que fez parte das minhas conversas com alguns colegas professores.
    É uma pena que muitas redes ainda se preocupem com um currículo muito extenso, quase como se quisesse formar um especialista.
    Tenho várias ideias que proporcionam aos alunos o diálogo com o tempo presente, mas quase sempre a execução esbarra na angustiante falta de tempo para o debate, até mesmo para temas relacionados aos conteúdos.
    Em certos momento, sobretudo a partir do nono ano, sinto-me um professor de cursinho.
    Parabéns pelo texto!

    Abração!

  6. Oi, Luiz Eduardo!
    Que bom que vc leu e comentou o meu texto!! Agradeço muito por isso, pois realmente o valorizo como o grande educador que vc é!!!
    O Luizão, de Brasília, que escreveu aqui também, é professor de História, como vc. Acho ótimo ouvir/ler as opiniões de vcs!!!!
    Realmente não gosto desse perfil conteudista de tantas escolas, que acaba criando um abismo entre o que está acontecendo no mundo naquele momento e o que a escola tenta enfiar goela abaixo nos alunos. Muitas vezes são coisas que estão acontecendo na porta da casa de tantos alunos!!!
    Deixar isso de fora é o fim da picada!
    Por isso, quando alunos vinham me dizer que escola era um troço muito chato, eu tinha que concordar… Mas tentava sempre mostrar que a escola é feita por todos – é um microcosmo da sociedade, onde todos nós também atuamos, por ação ou omissão – e que, por isso, eles deveriam cobrar, sugerir, questionar… buscar alternativas para aulas mais interessantes junto com os colegas e com os professores! Mas como reclamar e parar nisso é bem mais fácil… E é esse o exemplo que os adultos ainda tem dado aos jovens: na hora de reclamar, aparecem mil pessoas, mas na hora de sentar diante do desafio de um problema, questionar, pesquisar e procurar criar soluções, não sobra quase ninguém interessado.,..
    Por tudo isso acho que a discussão sobre os currículos tinha que ser pra ontem!!!
    Mas vejo muitos professores já fazendo diferente, procurando priorizar o que creio ser essencial para o aluno se entender no mundo onde vive. E é possível – além de muito necessário! – fazer comparações entre a teoria estudada na escola e a vida prática de todos nós, a todo momento. É possível partir da vida “real” para as consequentes pesquisas e debates. Ficam muito mais interessante assim!
    Sempre fui rebelde e nunca me prendi a currículos e conteúdos programáticos. Eles existem em excesso justamente pra não haver debate e não deixar nenhum espaço livre pra se abordar o “mundo real”, os acontecimentos do momento, etc.
    Grande abraço, meu amigo… 🙂

  7. Regina, minha querida..

    Concordo contigo. Mas trabalhar assim, ainda é um desafio em nossas realidades escolares hoje em dia. Temos tantas questões contra ( e sei que não podemos e nem devemos desistir). Mas mexe com nossos alunos se habituarem a isso, também as disponibilidades dos locais, o espaço físico adequado, precisamos fazer nossos alunos enxergarem além do que está diante de seu nariz, reeducar os pais e até alguns colegas de trabalho. É necessário termos espaço também na própria escola para as trocas e restruturações.Sabendo que teremos uma movimentação diferente, para uma prática renovadora, Você sabe do que falo, pois conhece a realidade da escola que trabalho. Cada tentativa de aula diferente é um super desafio que pode ou não dar certo. Realmente tudo que falou se faz necessário e infelizmente temos tantas lutas, desafios a superar que, as vezes confesso que tem momentos que desanimo e outros que recupero minhas forças! Seu texto como sempre muito bem elaborado!
    Bjs
    Ana Lília

  8. Amiga querida!
    Texto ótimo, claro e objetivo. Concordo plenamente com tudo o que você escreveu. Sou uma admiradora de Paulo Freire e de sua proposta de educação libertadora. Penso que, hoje, implantar este tipo de educação é um grande desafio que se faz necessário em nossa sociedade tão deficiente de investimentos nesta área. Sonho em ter jovens e crianças que encontrem dentro das escolas um apoio aos seus questionamentos. Educação construída desta maneira faz com que homens melhores cresçam entre nós. Continuo sonhando com isso porque considero a escola o alicerce de um país.
    Um beijo,
    Parabéns pelo texto.
    Andreia Maraglia

  9. Ana Lília querida,
    Que bom encontrar comentário seu aqui!!!! E que ótimo que gostou do texto!
    Trabalhamos anos juntas e vc sempre foi uma professora queridíssima pra mim! Realmente conhecemos bem a realidade daquela escola e sabemos como milhares de outras, pelo Brasil a fora, também (não)funcionam assim…
    Concordo com cada palavra do que disse.
    Muitas vezes não são boas ideias que nos faltam e sim estrutura mínima para as colocarmos em prática… Isso entristece e nos deixa indignadas, com razão.
    Mas, como vc disse, a escola nos desafia diariamente e, em minha opinião, é preciso união para termos força para mudar alguma coisa, seja trabalhando dentro ou fora das escolas, mas conhecendo a realidade delas.
    Muito obrigada por passar por aqui, amiga, e deixar seu comentário tão pertinente!!!!!
    Saudades de vc e do pessoal da Sampaio…
    Mil beijos, <3
    Regina.

  10. Andreia querida,
    Que bom que passou por aqui, leu o texto, gostou e comentou! Muito obrigada!!!
    Vc também trabalhou em escola, como psicóloga, não é mesmo?
    A realidade cotidiana das escolas hoje, especialmente das públicas, é quase catastrófica! Não dá pra usar termo mais ameno do que esse. Falta tudo: material didático, infra-estrutura física, profissionais bem pagos, atualizados e valorizados em suas funções, número bem menor de alunos por turma, etc. Está cada dia mais difícil trabalhar sem essas condições! Como proporcionar educação de qualidade assim? Como dar atenção aos alunos, tanto como turmas quanto como indivíduos com suas particularidades???
    Como diz uma amiga querida: tudo tem sido feito pra escola NÃO funcionar. E concordo com ela. Infelizmente é assim mesmo…
    Esse modelo de escola está falido, a meu ver. O abolicionismo escolar é até uma ideia interessante, nesse sentido, embora ainda utópica. Mas, se pudermos ir criando juntos essa nova escola, acho que é uma instituição que ainda poderá ser útil a todos sim. Mas só com mudanças estruturais realmente.
    Mais uma vez, obrigada por passar por aqui e deixar seu comentário, sensível e idealista como sempre!
    Mil beijos, querida… <3
    Regina Milone.

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