Dividir para governar: eis a manobra do município do Rio de Janeiro

Se você tem uma categoria profissional unida e batalhando juntas, ninguém segura.

Se todos estivessem, por exemplo, fazendo greve e reivindicando melhores condições de salários e de trabalho para TODOS, não teria pra ninguém!

Nem pra paes nem pra costin.

Mas… maquiavel já ensinava, há séculos, formas de dominação e de perpetuação do domínio. Dentre uma delas, o “dividir para reinar”, agora adaptado, em tempos não-monárquicos, a “dividir para governar”.

Então, é por isso que pessoas e categorias inteiras são cooptadas.

Vejamos o caso do município do Rio de Janeiro, como isso vem acontecendo.

Esta semana houve a votação e aprovação, na câmara, de três projetos de lei envolvendo diferentes categorias de funcionários dos profissionais da educação.

Isso, na mesma semana, pasmem, em que estamos em greve e em luta por um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) para todos os profissionais da educação!

Ora, pergunto: se estamos em luta – esta é a palavra: luta – para a feitura e aprovação de um PCCS decente para todos os profissionais da educação, por que haveria de haver a votação de três projetos separados, para três categorias de profissionais de educçaão diferentes?

Não são eles, afinal, profissionais da educação e suas melhorias não deveriam estar contempladas no PCCS de todos?

Ah, sim, dividir para governar.

Será que estes profissionais, agora, continuarão unidos a nós – professores – em greve e em luta pelo PCCS e por melhorias para todos?

Eu acho que não.

Não os estou culpando nem não quero julgar ninguém. Mas isso se chama cooptação.

De qualquer forma, algumas análises e considerações sobre estes projetos e o que temos no PCCS que estão querendo aprovar à fórceps na câmara sejam necessárias.

Vejamos algumas informações retiradas de uma notícia publicada no maravilhoso, isento e imparcial jornal o globo:

“Um dos projetos aprovados prevê um aumento salarial de até 40% para os professores de educação infantil e pré-escolar que se formarem em pedagogia. Atualmente, o cargo exige apenas a formação de professor no ensino médio.”

“O terceiro projeto prevê um aumento salarial de até 170% para auxiliares de creche (AAC) — que até então precisavam ter apenas o ensino fundamental — que se formarem no ensino médio, entre outros benefícios para a categoria.”

Agora, em relação ao nosso grandioso PCCS que o prefeito pretende nos entubar, eu, que sou professor de 16h que tenho doutorado não ganho NADA a mais por isso. Somente o mestrado é pago, e sabe quanto? 12%!

Ah, sim… SE e somente SE fizermos a opção por 40h passamos a ganhar pelo doutorado… 15%. (não cumulativo com o mestrado, mas sim 15% no total!).

Vejam esta tabela que eu mesmo fiz com as propostas de melhorias salariais por formação:

Comparação entre gratificações

Percebem?

Se uns estudarem mais 3 anos e passar do Fundamental para Médio, ganham 170% a mais.

Outros, que já têm o Médio, se estudarem mais 4 anos e fizerem uma faculdade, ganham 40% a mais.

Outros, que já têm faculdade, se estudarem mais 2 anos e tiverem mestrado, ganham somente 12% a mais.

E, estes, já tendo mestrado, mesmo estudando mais 4 anos e tiverem doutorado ganham… NADA a mais! Só se passar pra 40h e aí, sim, ganham…. 15% a mais!.

Ah, e segundo o plano, seu mestrado e doutorado (se você optar por 40h) só valerão se for na área de educação! Ora, eu sou da área de Ciências e tenho doutorado em Ciências… valeria?

O que você acha disso tudo?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Doutor em Ciências, com tese sobre educação ambiental em resíduos sólidos dentro da ensino formal, mas sem ganhar nada a mais por isso

ps.1: NÃO ESTOU, de jeito nenhum, falando CONTRA o aumento no salário dos AACs ou de outros. Muito pelo contrário, pois o que eles ganham hoje – menos de R$ 700,00 – é VERGONHOSO, inclusive pelo trabalho extremamente importante, desgastante e de grande responsabilidade que assumem.

ps.2: Não deixem de ler também, sobre estes assuntos:

Comparação de salários entre Niterói e Rio de Janeiro

Nojo da educação municipal do Rio de Janeiro

ps.3: Leia também sobre o assunto destes três projetos com o Renato Cinco, vereador do Psol.