Dia da Consciência Negra, Cotas e afins… se você é contra, você é racista

Hoje, dia 20 de novembro [2013], é feriado. Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Vejo muitos comentários pelas redes sociais contra este feriado. Os argumentos são muitos, mas a base é de que “todos são iguais”, “todos são humanos”, “todos são brasileiros” etc.

Diz-se que só a existência da data já demonstra um racismo e que o certo seria não ter o feriado.

“Consciência humana”, “legislação separatista” e outras pérolas são encontradas pela net.

Até mesmo estas frases, acreditem se quiserem, eu tive o desprazer de ler em comentários: “Esquece esta besteira de escravo negro que não ocorreu nesta República do Brasil” e “Não houve escravatura, como instituição, nesta República do Brasil.”

Quando em discussões sobre cotas para negros, por exemplo, nas universidades, dá-se a mesma discussão: “não é um problema de cor, mas social”; “o preconceito no Brasil é contra os pobres, não contra os negros”, blá blá blá.

Mas, afirmo e reafirmo para quem quiser e para quem não quiser: se você pensa assim, mesmo que tente se enganar afirmando ao contrário, você é racista!

E não adianta terem seu discurso frases do tipo “eu não sou racista, mas sou contra as cotas”, ou “eu tenho vários amigos negros”, ou “já namorei uma negra(o)”.

VOCÊ É RACISTA!

Explicar-vos-ei minha razão para tamanha peremptoriedade.

Em primeiro lugar, há que se considerar que contra fatos não há argumentos. E é um fato que o negro sempre foi e ainda hoje continua sendo marginalizado, massacrado, rejeitado, diminuído, sacaneado, escamoteado, preterido e assassinado neste país sem racismo.

Uma rápida pesquisa pela internet pode nos munir de centenas de dados que nos provam isso.

Aí, mesmo com todos os dados, números, pesquisas e argumentos, os racistas dirão que isso está mudando, pois que um negro já chegou até mesmo ao supremos tribunal federal, uma negra já foi governadora do Rio de Janeiro… até mesmo é presidente na nação mais poderosa do mundo!

“As oportunidades estão aí, iguais para todos!”.  “Basta estudar para vencer na vida!”. “Quem quiser, consegue!”

Bom, é exatamente aqui que entra o meu argumento final.

Ora, se juntarmos os dois pedaços de texto acima, veremos que há um lapso de bom senso, a não ser que, novamente afirmo, você seja racista.

Vejamos.

SE o racismo é social e não de cor; SE as oportunidades são iguais para todos; SE não há racismo no Brasil; SE quem quiser se dar bem se esforça para isso; SE basta estudar para vencer na vida; SE para entrar na universidade basta o mérito da pessoa…

e

SE, mesmo assim, com toda esta terra farta de oportunidades e de igualdade em um país sem racismo os negros são os mais pobres, são os mais assassinados, têm os empregos menos valorizados, vivem nas áreas mais miseráveis, ocupam uma mísera parte das vagas nas melhores universidades etc [como comprovado pelas pesquisas]…

A única explicação possível é a de que os negros são um bando de preguiçosos, de descompromissados, de bandidos [bandido bom é bandido morto], de burros, de acomodados!

Ora, se não há racismo e as oportunidades estão aí para todos e, ao mesmo tempo, as estatísticas são aquelas que já citamos, os negros são assim!

Eu posso desenhar de outra forma, pra você, racista, entender o seu próprio pensamento:

No Brasil não há racismo, as oportunidades são iguais para todos e quem quiser chega lá

Mas, mesmo assim…

Os negros são os mais pobres, mais assassinados e os mais alijados da riqueza do país há séculos

Logo…

Os negros são preguiçosos e burros.

Então, se você pensa assim, você é racista.

Ou então, meu amigo e minha amiga, você pensa como eu penso: as oportunidades NÃO SÃO iguais para todos; há um massacre histórico contra a população negra que vem há séculos (e ainda) sendo alijada das benesses sociais; a sociedade é racista e, por conta disso tudo, a população negra como um todo (as poucas exceções não contam!) tem extrema dificuldade de se inserir politica, social, financeira e culturalmente na sociedade brasileira.

E, portanto, há de se fazer políticas compensatórias na forma de cotas, Leis e outras mais.

Não há como se pensar diferente.

Ou se é racista, ou se entende criticamente uma história de desigualdades e de injustiças que culminou na situação que ainda hoje estamos presenciando.

De que lado você está?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Pelas cotas e pelas políticas compensatórias

3 comentários sobre “Dia da Consciência Negra, Cotas e afins… se você é contra, você é racista

  1. Excelente texto que esclarece e limpa qualquer dúvida sobre a necessidade das cotas e políticas compensatórias.

    Parabéns!

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