É “bandido”? Espanca! Mata! Depois reza pedindo desculpas…

São tantos absurdos em uma só notícia que nem sei… Cada vez mais fico com medo de sair de casa, fico com receio de multidão, tenho “preguiça” dessa sociedade.

E nem vem dizer de “elite branca”, porque estas coisas independem de ser classe A, B ou Z.

Pipocam casos de agressões a supostos “bandidos” pelo Brasil dos Absurdos afora. Eu já discuti isso aqui quando perguntei “O que é um ‘bandido’ pra você?“.

Mas, pessoas, mesmo que seja bandido!! Bandido “bom” NÃO É bandido morto. O bandido faz “bandidagem”; o Estado, a sociedade, não. Então, o “bom” pra sociedade é um bandido que seja capturado, julgado e penalizado conforme a lei e a justiça e, ainda, que possa ser ressocializado de forma humana (se ele assim decidir e quiser, senão, fica preso).

No mais, para além disso, é barbárie que deveria ter ficado no passado.

Deveria, mas não ficou.

Esta sociedade tão “patriota”, que chora por uma seleção como se ela fosse seu próprio país, ou tão melosa com os animais, capaz de chorar por um cachorrinho de rua, é capaz de matar alguém a pauladas porque roubou um desodorante!

Mas quem bate esquece-se que ele mesmo fura fila; engana o governo pra ganhar um auxílio desemprego que não deveria; faz de tudo pra sonegar algum imposto; compra objetos que sabe serem provenientes de roubos; suborna o guarda; coloca gato de luz e de água em casa sem nenhum peso na consciência…

Que atire a primeira pedra…

Mas, vamos à notícia: Professor de História é confundido com um ladrão e linchado

Leiam a matéria e brinquem do jogo dos 7 absurdos. Pra simplificar, vou listar alguns deles [trechos retirados da fonte] e fazer um breve comentário.

“Confundido com um ladrão, um professor de História foi espancado por moradores da periferia de São Paulo…”

Este eu já comentei. Linchamento – MESMO DE UM LADRÃO – é retorno à Idade Média. Sociedade justa tem justiça para cuidar destes casos. Mesmo se fosse o próprio ladrão, já é um absurdo. No caso, ainda pior, porque o cara “foi confundido”.

 “Ainda assim, André Luiz Ribeiro, mulato de 27 anos, foi levado para a delegacia, onde ficou por dois dias, já que o  dono do bar assaltado confirmou em depoimento que André seria o ladrão.”

O cara ficou DOIS DIAS preso porque “o dono do bar” confirmou. E isso, claro, SEM FLAGRANTE, pois que nem era ele o ladrão! Mas é o flagrante a condição primordial e única para alguém ser preso imediatamente. É só fazer uma pequena e rápida pesquisa para ver que TODOS são soltos porque não têm flagrante.

Mas ele ficou DOIS DIAS preso injustamente. Será por ser “mulato”?

“O professor contou que, socorrido por bombeiros, teve de falar sobre a Revolução Francesa para provar sua inocência. […] O professor foi socorrido por bombeiros que passavam no local. Um deles, segundo Ribeiro, teria dito: “Se você é professor de História, então dá uma aula sobre Revolução Francesa”.”

Bombeiros… ah, os bombeiros… a corporação militar mais respeitada e confiável do Brasil. Os bombeiros que os socorreram quiseram uma “prova” de que ele era, de fato, um professor, e não o assaltante (como se professor não pudesse ser assaltante). Ora, e se ele estivesse mentindo, não seria socorrido?

“Ribeiro também diz que foram os bombeiros que salvaram a vida dele pois enquanto ele dava a aula sobre a Revolução Francesa para provar que era professor, ouviu o proprietário do bar dizer que ia buscar um facão. Em seguida, a Polícia Militar chegou no local, o levou para o pronto-socorro da região e depois o encaminhou para o 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias), onde ficou preso até sexta-feira.”

Ok, os bombeiros o salvaram. Mas ele provou ser professor, e não o bandido, mas o que a polícia fez? O levou pra delegacia e o deixou preso!!!

“O proprietário do bar assaltado, Djalma dos Santos, 70 anos, negou que tenha espancado o professor. Questionado se tinha certeza de que Ribeiro era um dos assaltantes, ele desconversou.

— A população que acorrentou, que bateu, eu não fiz nada. […] Eu gritei que era ladrão e a população da rua foi atrás dele. Se ele não devia nada, vai dar uma mancada dessas de estar correndo no meio dos bandidos na hora do assalto? — afirmou o proprietário do bar.”

Ou seja, o “homem de bem” (conforme os bandidobomébandidomorto costumam chamar, “só” gritou que ele era ladrão. O coitado “não fez nada”. Nem lincho nem foi buscar um facão.

Culpa do professor, que “estava correndo no meio de bandidos na hora do assalto”…

Sabe por que ele estava correndo “no meio de bandidos”? Porque SOMOS TODOS bandidos neste país!

O próximo linchado pode ser alguém da sua família. Ou você mesmo, quem sabe?

Linchamento

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Preguiça do Brasil