A culpa é da (in) Justiça

Eu venho afirmando categoricamente, há anos, que o grande problema do Brasil é a “Justiça” – entre aspas, porque o que mais vemos por aí é injustiça praticada pelo próprio Estado.

É a injustiça e a falta de justiça a principal gênese (considerando múltiplas origens) dos problemas deste país.

Uma sociedade como a nossa deve ser, ainda, até certo ponto e após certo ponto, punitiva. Mas a punição não como um modelo de vingança, no estilo boçal dos que vociferam “bandido bom é bandido morto” e os justiçamentos com as próprias mãos, paus e pedras.

Mas sim punição no sentido de fazer alguém pagar pelo seu erro perante a sociedade, ensiná-lo a não fazer e desestimular outros a fazerem o mesmo.

Fico a imaginar se cada político, empresário ou qualquer corrupto e corruptor fosse correta e justamente julgado, correta e justamente condenado, correta e justamente punido. Se fossem de fato para prisão. Se aquilo que ele tenha retirado da sociedade fosse justamente devolvido, na medida do possível [como bloqueio e apreensão de bens].

Mas não.

O que se vê é uma enxurrada de sentenças injustas e até mesmo esdrúxulas. O que se vê é um monte de corruptos sendo agraciados com as letras da Lei no que ela é branda, e um monte de pé-rapado faminto sendo escorraçado com as mesmas letras da Lei, no que ela é cruel.

E tudo isso com detalhes sórdidos: com justificativas inimagináveis saindo da cabeça de homens  e mulheres que são nomeados pela sociedade para zelar pela justiça e igualdade.

E o que acontece, então? O que se vê é a repetição de crimes e falcatruas e bandidagens e corrupções com a certeza da impunidade.

Os que têm muito, têm a certeza de pagar pela sua impunidade. Os que têm pouco, se sentem no direito e, se é para fazer pequeno e “se ferrar”, que diferença faz fazer enorme?

Pense: com tantos exemplos de gente que rouba pão para matar a fome de um filho sendo preso sem direito a clemência, por que não, então, fazer logo “um serviço” dos grandes e ter a possibilidade de “ganhar” milhões? Se é pra se ferrar, por que se ferrar por um pote de manteiga?

Pode-se dar inúmeros exemplos que estão espalhados pela internet. Mas vejamos apenas alguns:

Por que será que os que praticam crimes contra mulheres não se sentem inibidos?

E sobre quem rouba, assalta, furta… quem é realmente culpado e deve ser condenado? A resposta desta pergunta é “depende”. É famoso? Tem dinheiro?

Vejamos:

E quem bate este injusto martelo? Pessoas comuns, NÃO-DEUSES, mas que se sentem deuses e no direito de fazer o que querem, até mesmo ir contra as leis que eles mesmos têm que aplicar aos outros, tendo a complacência perniciosa de seus pares!

Exemplos:

Repito: a culpa é da Justiça.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Justo