Sobre saber ler e entender

Sobre Leitura e escrita, saber ler e entender.

Meio de maio de 2015. Lá se vão uns 3 meses de aula no 7º ano.

Alunos de 12-13 anos que estão, no mínimo, em seu sétimo ano dentro de uma escola.

Situação 1

Indico o exercício a ser feito.

No quadro: “ler e fazer a apostila até a página 12”.

Todos vão direto para a página 12, afinal, o professor mandou fazer a página 12…

Mudo a frase para “ler e fazer a apostila DA PRIMEIRA PÁGINA ATÉ a página 12”.

Reclamam que é muita coisa.

Situação 2

Na página 12, ao explicar uma experiencia a ser feita, dentre os materiais necessários tem-se a frase: “alimento já pronto como arroz cozido, canjica ou mingau de bebê”.

Uma aluna me pergunta: “professor, pode ser outra coisa ao invés da canjica?”.

Leio pacientemente com ela a frase, explicando-lhe a diferença entre o “ou” e o “e”.

– Aaaah tá…

Situação 3

Tenho um crachá para sair da sala. Quem precisar sair para beber água, ir ao banheiro, falar com alguém ou qualquer outra coisa não precisa nem me pedir, basta pegar o crachá, que fica sempre em um canto na minha mesa, e sair. Quando volta, deixa-se o crachá no mesmo lugar e outro aluno pode sair. Sempre um por vez.

Invariavelmente alguém vem à minha mesa e pergunta: “professor, cadê o crachá?”.

– Pense – respondo eu.

– Eu não sei!

– Onde está o crachá?, pergunto.

– Eu não sei, eu te fiz esta pergunta!

– Vamos pensar: onde o crachá fica?

– Aqui.

– Para que ele serve?

– Para sair de sala.

– Ele está aí?

– Não.

– Então onde ele pode estar?

– Com alguém lá fora.

– Então… onde está o crachá?

– Lá fora com alguém.

– O que você tem que fazer?

– Esperar ele voltar.

– Ok.

[…]

Vem outro e…

– Professor, onde esta o crachá?

[…]

Abraços,

Declev Reynier Dib Ferreira