Aluno mata dois colegas em sala: Buylling ou cultura?

Um Aluno mata dois colegas em sala. Ele entrou na escola armado e atira em diversos colegas, matando dois e ferido mais alguns.

Gostaria de pensar sobre o assunto, sem tentar simplificá-lo como estão fazendo. A mídia rapidamente parece culpar os colegas por meio do buylling que eles teriam cometido ao assassino.

Sim, buylling é horrível, cruel, inaceitável. Não estou aqui para minimizá-lo. Mas a reação ao buylling, se foi buyilling, poderia ter sido outra, se a educação e a cultura também fossem outras.

Uma criança que sofre buylling, em geral, fica acuada, separada, triste, amuada.

Então, o que leva um menino a pegar uma arma e matar outras pessoas? Afinal, quantas centenas ou milhares de pessoas não sofrem de buylling e não fazem isso?

Então, gostaria de pensar por outro aspecto e já vou logo avisando que este é um artigo de opinião, não jornalístico, que não tenho provas de nada e vou falar como se fosse um caso hipotético, ou seja, que pode ser verdade em muitos outros casos, não nesse, ou vice-versa.

Acho que  deu-se pouco destaque e pouca importância ao fato de o assassino ser filho de policiais militares. Pra mim pode ser sintomático.

O que é e o que representa no Brasil a instituição Polícia Militar?

Devemos lembrar que a polícia do Brasil é a que mais mata em todo o mundo. Leiam sobre isso, há inúmeros artigos na internet além deste já linkado acima.

Então, quais os valores da PM? Como trabalha a PM? Como a PM trata o povo? Como a PM resolve suas pendências? Como os futuros PMs são tratados, ensinados?

Com uma pesquisa simples também podemos saber algo sobre isso, não precisa acreditar em mim:

Chegamos, então, às perguntas: como esse menino foi criado, em que meio, em que cultura, quais valores, como foi ensinado a resolver conflitos? São muitas as questões.

Quantas vezes ele ouviu que “bandido bom é bandido morto”? E, pra ele, os que os fizeram sofrer eram o quê?

Quantas mortes já viu ou soube que ocorreram no dia-a-dia?

Quantas vezes já ouviu coisas como “tem que meter tiro nessa cambada”, “isso não é gente”, “tem que morrer mesmo”, “a solução é o paredão”, “a população de bem tem que andar armada” e outras pérolas deste tipo?

Quem são seus ídolos e das pessoas às quais convive?

A ditadura matou pouco? O erro dela foi torturar e não matar?

São apenas conjecturas, pensamentos. Nada é absoluto. Aliás, pode ser tudo ao contrário, afinal, não sei a história dele nem de seus pais. Eles podem ser exceção.

E este não foi o primeiro caso e, infelizmente, pode não ser o último; nem todos são filhos de policiais.

Mas, essas conjecturas podem trazer pistas à situação atual da nossa sociedade e nos fazer pensar em que tipo de sociedade queremos construir, independente da nossa área profissional.

Com mais armas? Com justiça pelas próprias mãos? Com linchamentos? Com a máxima “bandido bom é bandido morto”?

Afinal, então, quem são os bandidos? E se nós (ou nossos colegas de classe) formos os bandidos, morremos todos?

Aproveite, e leia esse relato:

Abraços,

Declev Reynier Dib Ferreira

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