Categoria — 06. Educação
Sobre binóculos e lupas
Talvez tenhamos que nos ater mais aos detalhes, às pequenas coisas e, para isso, tenhamos que saber observar melhor.
Enxergamos o mundo com olhos de humanos, mas deveríamos observar com os instrumentos adequados às situações.
Determinadas vezes, olhar com binóculos, outras com lupas.
Ao enxergar uma turma com olhos de humanos vemos uma massa homogênea, um bando de gente. São bagunceiros; são quietos; são bons; são maus; são bons estudantes…
São?
Quem são?
Devemos, neste caso, estar sempre com o binóculo a postos, preparado para uso. Enxergar um aluno mais de perto, estando longe.
Quem é; onde vive; com quem mora; tem família; pai; mãe; irmãos; vive com os avós; padrasto; tem atividades externas; fez pré-escola; está namorando?…
E, ao mesmo tempo, devemos estar sempre com a lupa, para observar os alunos bem de perto, lá dentro, mas ao lado dele.
O que ele quer; quais suas aspirações; tem medo; tem coragem; o que gosta; o que tem facilidade; por que não aprende; o que quer para o futuro; por que faz o que faz; como se vê; por que se vê deste jeito?
Sem esses “aparelhos”, sem essas observações, não vemos o outro. Apenas vemos nós neles.
E, como são todos diferentes de nós, não os entendemos.
Se não os entendemos, não os atingimos, não os ajudamos e não os educamos.
09/07/2008 5 Comentários
A importância da educação familiar: como atuar na raiz do problema escolar
Acho que estão confundindo as coisas.
Pensam hoje que a escola e os professores são os salvadores desta sociedade decadente. Que irão educar as crianças para serem os cidadãos do futuro.
Será que não estão colocando muitas obrigações na escola? E será que a forma de enfrentarmos a situação não está errada? (pergunta sem sentido, visto saber-se a resposta).
Sim, está errada. (viu?)
Mesmo que a escola tenha este ‘poder’ e obrigação, a forma de atingir os objetivos está errada.
Quem já leu meu post sobre a metodologia de construção de projetos denominada “árvore de problemas x árvore de objetivos“, percebeu por onde devemos começar a atuar para a solução de um problema: pela raiz.
“O Mal se corta pela raiz”, diz o esquecido e desprestigiado ditado popular.
E quem tem experiência em escola sabe que, em geral (pois sempre há exceções), aqueles alunos-problema são justamente aqueles que tem uma “família-problema”.
São aqueles que os responsáveis são irresponsáveis; que os responsáveis são ausentes; que não têm em casa nada mais do que trabalho forçado, surras, molestações, brigas; aqueles que você sabe que se chamar a mãe virá uma pessoa 10 vezes pior do que o próprio filho…
Então, o que tenta fazer a escola? Dar jeito no filho (na árvore), quando se sabe que o problema está na família (na raiz).
E o que se faz com os responsáveis? São chamados para ouvirem diversas pessoas falarem como seu filho é mal-educado, como é brigão, como é desrespeitoso, como não faz nada em sala, como vai mal na escola… Então, adivinhem… os pais dos piores não vão! - ou ao menos não voltam.
Tenho a idéia de uma escola diferente (novidade, né?).
Pra mim, a escola deveria ser permanentemente aberta para os responsáveis. Deveria ser uma “escola de pais”. Mais do que tentar ensinar os filhos, sem sucesso, deveríamos ensinar os responsáveis a sê-los.
Quantas vezes os ouvimos dizer “eu não sei mais o que fazer!”; “eu já tentei de tudo!”, “esse menino não tem mais jeito!”; “só se eu der uma surra!”, entre outras frases mais desesperadas do que as nossas?
Sabemos que o ciclo está cada vez mais curto: a criança que passa por nós com resultado pífio terá uma criança antes mesmo de deixar de ser criança. E que condições terá (com a família que tem) de ser uma boa mãe, de ser um bom pai?
Como saberá ajudar seu filho a ser um bom aluno se ele mesmo não o foi?
O que pode fazer a escola?
Para mim, a escola deve ter um processo paralelo permanente de “formação continuada” para responsáveis.
Cursos e palestras ininterruptos, em todos os dias e horários possíveis, sobre
“como ser uma boa mãe e um bom pai”,
“como ajudar seu filho nos estudos”,
“o que fazer para que seu filho seja uma pessoa melhor”,
“qual a importância do que se ensina na escola”,
“caminhos a serem trilhados para o futuro do seu filho”,
entre dezenas de outros exemplos que eu poderia dar.
E assim que chegasse, eles deveriam ser tratados como quem nos paga, com respeito, não como o pai ou a mãe que pôs no mundo aquele ser que me tira do sério:
Ficha de inscrição no curso ou palestra,
lista de presença,
cafezinho com biscoito,
certificado de participação,
Festa de formatura no final do ano para aqueles que participaram - independente da carga horária,
Cartilha ou outro material didático de cada curso ou palestra,
Material didático para anotações,
Recursos audiovisuais interessantes (data-show, devedês),
Dinâmicas de grupo,
Grupos de autoajuda no estilo “Responsáveis Anônimos”, quando cada um poderia trocar sua experiência com os outros - experiências exitosas para problemas que acham insolúveis.
É isso.
“Escola de responsáveis”.
Estes podem entrar e sair, observar as aulas, conversar com os professores, assistir aulas com o filho.
E paralelamente a isso, daríamos aulas às crianças.
17/06/2008 7 Comentários
Arte na educação
Artigo publicado na Revista Sabor de Escola, número 1, maio de 2007, p.20-21.
O ensino compartimentado sugere aos alunos uma conseqüente divisão do mundo e da natureza em “matérias” e espaços diferentes. Sugere uma falsa idéia de separação de idéias e disciplinas que não existe no mundo real. Quem nunca ouviu de um aluno frases como “mas você não é professor de matemática!”, ou “você é professor de ciências, não de português!”… Uma visão integrada do mundo ajudaria, por sua vez, ao aluno entender este mesmo mundo que o cerca e do qual ele faz parte.
22/10/2007 6 Comentários