Informações Docentes, Discentes e Decentes
por Declev Reynier Dib-Ferreira
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Categoria — Desabafo

Professor tem que ter paciência!

Ainda não ascendi o suficiente na escala evolutiva no quesito Paciência - apesar de achar que a tenho. Só que vejo a paciência como um copo vazio, em que as pessoas vão enchendo-o, enchendo-o, enchendo-o… até derramar. Quando derrama, é porque acabou o estoque.

Paciência é algo que certas vezes me falta. Mas falta justamente com aqueles com quem deveria ter mais. “Não tenho mais paciência com Fulano” quer dizer o quê? Que simplesmente que não tenho paciência, ou que o meu copo é pequeno pra ele? Ou que foi cheio e não foi esvaziado?

Aos outros, aos quais a tenho, a tenho porque é fácil, certo?, porque esses não precisam. Não usam o meu parco estoque. Aqueles que, por serem como são, necessitam mais, fico sem. Então, tenho pouca.

É claro que o tamanho do copo varia muito, indo do dedal ao canecão de chopp irlandês de acordo com o dia, a hora do dia, da fome, da quantidade de horas dormidas, do estresse, da quantidade e qualidade do sexo, etc.

Mas, pensando relacionalmente à proporção existente no mesmo momento distribuída a pessoas distintas, continuo tendo com quem não necessita - por não abusar - e não tendo com quem necessita - por muitos motivos.

Sempre penso nisso e fico atento quando estou em sala. Senão acaba fazendo com que trate uns e outros de forma umas e outras.

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Na mesma linha:

a) http://blog.controversia.com.br/2007/10/28/professor-profissao-perigo/

b) http://pf.filho.zip.net/arch2007-06-03_2007-06-09.html#2007_06-06_15_17_58-120461234-0

c) http://josedacosta2005.zip.net/arch2006-01-01_2006-01-31.html#2006_01-23_12_30_10-100403366-0

d) http://josedacosta2005.zip.net/arch2005-12-01_2005-12-31.html#2005_12-13_20_16_13-100403366-0

10/11/2007   Nenhum Comentário

Escola é chata porque não faz sentido

Escola é chata porque não faz sentido é o título de uma notícia do Jornal da Ciência. è quase que chover no molhado esta afirmação hoje em dia. O problema é como fazer sentido no mundo de hoje… Como fazer fazer sentido - principalmente com o público com o qual atuo, que vive num bairro pobre, violento, onde só tem caminhão, poeira e bandidos heróis?

No artigo, algumas das causas são as disciplinas desconectadas do cotidiano, professsores desmotivados e reprovações. Ô coisinha difícil de mudar né? Como ficar motivado sendo professor neste país de… de… de merda? Como conectar as disciplinas ao cotidiano, se o nosso cotidiano é totalmente diferente dos alunos? Se nosso mundo e o deles são mundos paralelos, que não se encontram? Hoje em dia não sou a favor da reprovação (ainda reflito sobre isso, um dia eu escrevo), mas o que fazer se o aluno não faz, não se interessa, não estuda, não aprende, não desenvolve como sabemos (ou pelo menos queremos) que ele deva e pode fazer? Não queremos que ele aprenda - pelo menos eu penso assim - por aprender, mas porque acreditamos que será importante para a vida dele, para que possa mudar sua própria condição de vida!

Rubens Alves diz que para reverter o quadro deve-se mudar “a cabeça e o coração do professor”. Bonito… concordo… mas como? Achacando seu salário? Enfurnando-o em uma sala de aula com o quadro e o giz e 30-40 alunos? Fazendo-o ir de uma escola para outra tendo que almoçar correndo ou mesmo nem almoçar? Como? Trabalhando em 3 turnos, como eu conheço muitos que fazem? Pois é assim que somos “motivados” a motivar os alunos!

Diz ainda que “a escola não tem nada a ver com a vida dos jovens da periferia”. Não faz sentido pra vida do jovem. E não tem a ver nem faz sentido mesmo! Concordo… mas como mudar? O que faz sentido pra vida daquele aluno que vive ali, muitas vezes é, segundo a experiência que tenho, o bandido, a arma, o namoro… Difícil competir com as “armas” que nos dão! Difícil competir quando nos encontramos com eles poucas horas por semana, enquanto o lado mais divertido da vida deles está quase o dia todo em sua companhia!

O que você acha? Tem alguma idéia?

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Na mesma linha:

a) Utopia

28/10/2007   1 Comentário

Quer comprar um carro?

Eu já falei por aqui que este é um país de… de… de merda?!? Pois é, acho nunca é demais repetir. E se o país é de merda, o Rio é de quê? De mosca de merda? Bem fez Raphael de estar longe! Falemos um pouco do transporte na cidade. Pode ser qualquer uma, mas moro em Niterói e trabalho também no Rio, fazer o quê?

Todo mundo nasce e é criado desde criancinha pra ter um carro. Pensa só: quantos “carrinhos” a criança ganha em toda sua infância? As mulheres ganham bonecas e panelinhas, é verdade, mas hoje em dia, por pressões igualitárias até elas ganham carrinhos. Quando crescem, estas crianças querem o quê? Um carro, claro!

Só que vou dizer uma coisa pra vocês: NÃO CABE!!! E ninguém quer andar de ônibus, todos querem ter seu monstrengo de tonelada pra carregar 70 quilos!

Mas é compreensível, do jeito que é o transporte público neste país de merda e cidade de mosca de merda… O governador do estado de mosca de merda ajudou a fetranspor (federação das empresas de transporte de gado passageiros) a lançar o Riocard… um cartão em que você adianta o dinheiro da passagem ao empresário e não ganha desconto!!! (veja).

Pois é… e sabe o detalhe? Estes empresários de transporte de gado passageiros são como os ladrões institucionais banqueiros: estão sempre tentando ganhar mais um, nem que seja diminuindo custos em qualidade, atendimento, horário, lotação, roubo, etc.

Eu tenho 37 anos, não dirijo, nunca dirigi, sempre andei de ônibus e já rodei meio mundo e o Brasil todo assim mesmo; então tenho experiência pra falar.

Vamos a alguns fatos:

a) Você que dirige, meu amigo, se for pego falando ao celular, é multa! Pois os nossos amigos empresários estão retirando todos os trocadores de ônibus, deixando com os motoristas as simples funções de dirigir, prestar atenção nos passageiros que querem entrar e sair, pegar o dinheiro, dar o troco, sair rápido pra não trancar a rua, controlar o horário, correr quando atrasado, murrinhar quando adiantado… E a prefeitura deixa. Por que será que eles querem o cartão riocard? Para adiantar o dinheiro pra eles e não precisar - de fato - do trocador;

b) Os ônibus estão ficando cada vez menores e com uma só porta! Mesmo nos horários e rotas de grande movimento. Aí você tem que entrar e sair pelo mesmo lugar - às vezes com uma só roleta. Imagina: ele pára num ponto, tem gente querendo entrar, tem gente querendo sair… E a prefeitura deixa.

c) Às vezes a porta de saída é lá na frente, junto à roleta. Que que você tem que fazer? Ir lá pra trás - se tiver cheio, passar por todo mundo - depois ir lá pra frente de novo pra saltar! Ô idiotice! E a prefeitura deixa.

d) As roletas agora são travadas. Aí você chega, passa o cartão, demora; espera o troco, demora, tenta passar uma vez, tá travada. Tenta de novo, tá travada, só consegue na terceira! E a prefeitura deixa.

e) Não existe mais aquele lugar antes da roleta pras pessoas poderem entrar e ir passando aos poucos. Existe um curralzinho cada vez menor que para mim, com minha pequena protuberância frontal, já fica difícil de passar. Você imagina as situações acima e umas 5 pessoas no ponto pra entrar. Pronto!, o ônibus vai ficar parado uns bons minutos no ponto até todo mundo poder entrar…

f) Preciso falar do preço da passagem?

g) Da limpeza?

h) Das “habilidades” dos motoristas no trânsito?

i) Ah… não satisfeitos com o que ganham de nosotros, os ônibus estão virando carros alegóricos de propaganda!!! Paga!!! E por acaso a passagem diminuiu um centavo por eles estarem ganhando a mais com isso? E aprefeitura deixa!

E depois não sabem por que que ficam aquelas filas imensas de ônibus e de carros nas ruas, chamadas de engarrafamento!

ps.1 Vejam o blog da Transporte ativo. Quem sabe eu não compro uma?

ps.2 Deve ser horrível morar numa cidade em que os empresários de transporte de gado passageiros formam uma máfia

ps.3 Mais opiniões.

26/10/2007   1 Comentário

Como não enlouquecer?

Às vezes me sinto enxugando gelo! Não… neste caso o gelo acaba.

Me sinto estancando com as mãos o sangue de uma grande ferida! Não… neste caso o doente sucumbe e morre.

Me sinto espantando centenas de moscas de um pedaço de carne! Neste caso as moscas cabarão por acabar com a carne, mais cedo ou mais tarde.

É assim que me sinto às vezes por ser professor.

Tudo bem… depois piora.

ps. fiquei em dúvida se às vezes levava o acento grave indicativo da crase. Verifiquei.

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Na mesma linha:

a) http://somaisumaprof.blogspot.com/2007/09/farta-de-ser-prof.html

24/10/2007   2 Comentários

Pobre não tem vez

Pobre não tem vez neste país de… de… de merda mesmo! (embora a Mírian ache que seja pior ser classe média…). Faz-se de tudo para que o Brasil seja um paraíso de se morar, mas quando se tem dinheiro. E faz-se de tudo para que aqueles que não tenham dinheiro façam de tudo para aqueles que tenham dinheiro tenham cada vez mais e vivam cada vez melhor. Entendeu?

Vamos a uns exemplos simples:

a) Quem viaja de ônibus e quem viaja de avião? Resposta óbvia. Então, banheiro de aeroporto é de graça, banheiro de rodoviária é pago!

b) Tarifas bancárias: quanto mais dinheiro você tem lá dentro do “ladrão institucional”, menos tarifas você paga. Oras, se você tem mais dinheiro, é porque você poderia pagar mais tarifas; e se você tem menos, todas as tarifas absurdas lhe fazem diferença! Veja mais.

c) Se por acaso o governo quer diminuir o uso de algo, aumenta-lhe o custo! Oras, se aumentam o custo, na verdade o que se faz não é diminuir o uso, é negar o direito aos pobres, certo? Afinal, quem tem dinheiro pode continuar usando. É comum vermos argumentos do tipo “tem muita gente, tem que aumentar o preço pra controlar”… Caraca! Se você controla o fluxo de gente pelas tarifas, você controla é a entrada dos pobres! Vê se com Fernando de Noronha não é assim (se bem que lá pobre não entra de qualquer jeito, mas é só pra dar um exemplo). Vê se não fazem assim com os carros: tem muito carro na rua, tem que diminuir o uso deles; assim, aumenta-se o custo do carro (gasolina, impostos, exigências mil), ao invés de diminuirem as passagens dos ônibus!!! (um pouco sobre os carros)

d) Por último em uma lista que é interminável, a pérola: agora colocaram juizados especiais dentro dos aeroportos para que os riquinhos possam fazem suas reclamações de íntegros cidadãos consumidores de forma rápida e eficiente. Coitadinhos… não podem esperar um pouquinho pelo avião… Gentes, não digo que está certo o que fazem. Eu também ando de avião e acho que respeito ao consumidor nunca é demais. Mas vejam: AS PESSOAS - ou melhor, os pobres - MORREM EM FILAS INTERMINÁVEIS NOS HOSPITAIS HÁ SÉCULOS!! (veja, veja e veja de novo!) Vão aos hospitais diversas vezes e não conseguem ser atendidos por que não tem material, o médico faltou, não tem leitos… Os pobres apodrecem nas cadeias mesmo após muito tempo terem cumprido suas penas! São lesadas constantemente por contratos absurdos de empréstimos leglizados retirando-lhes juros muito acima do mercado! Sofrem nas mãos dos rodoempresários (de ônibus, não de rodos) com linhas e empresas de ônibus safadas, sujas, com funcionários despreparados, tarifas absurdas, atrasos injustificáveis, horas em pontos de ônibus!

E NUNCA NINGUÉM TEVE A BRILHANTE IDÉIA DE COLOCAR JUIZADOS ESPECIAIS EM NENHUM DESTES LUGARES!!!

País de merda.

24/10/2007   7 Comentários

Escola ou presídio em dia de motim?

Uma das escolas em que trabalho - mas acho que pode-se extrapolar para todas - às vezes, muito poucas vezes, se parece escola.

Muito bonitinho o poeminha do Paulo Freire, mas, na prática, a teoria é diferente… Desculpem o desabafo, mas é que eu também sou gente (eu acho…).

Tem dias que a escola se parece “presídio em dia de motim” (entre aspas porque foi uma tirada fantástica de uma professora de lá). Outros dias se parece com algo similar à febem. Outros com uma festa cheia de adolescentes barulhentos embriagados.

Um ringue de luta livre. Uma incursão policial no morro. Um hospício - dos piores. Uma praia lotada de farofeiros dos mais barulhentos e deseducados. Um arrastão. A boca do inferno. Um clube.

Parece de tudo, menos uma escola - considerando esta como um local onde as pessoas vão para estudar, aprender, conviver civilizadamente, conversar, trocar idéias e experiências.

Barulho, gritaria, palavrões, xingamentos, tapas, berros, livros voando, bolas de papel nas cabeças, futebol nos corredores, portas batendo, etc. etc. etc.

“É preciso melhorar as condições de trabalho dos professores, a organização pedagógica e o currículo”

Mas no inferno, dá pra fazer isso?

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Na mesma linha:

a) http://cafetao.org/2006/10/19/aos-menores-de-18-que-estiverem-lendo/

19/10/2007   5 Comentários

Tempo, tempo, tempo, tempo…

Cheguei às 23h em casa… como cansa dar aulas!

Hoje foi só agora de noite, das 18h às 22h. Educação de jovens e adultos. Pessoas com idades de 14 a quase 70!

Impressionante como alguns deixam a vida passar né?

Os jovens - com exceções - conversam, falam, brincam, riem, pedem pra sair toda hora, brincam nos celulares, fazem piadas…

Segundos depois de você dizer algo, invariavelmente perguntam exatamente sobre aquilo que você acabou de explicar!

Enquanto isso os adultos - com exceções - perguntam, escrevem, querem saber, reclamam da bagunça… não têm tempo a perder! Já o perderam. Seja por culpa ou por desculpa, já o perderam.

Por isso que eu digo aos jovens: “cresçam!!!”.

Acho que vou pra Brasília, ficar rico!

17/10/2007   3 Comentários

Como fazê-los fazer?

Estou no computador da secretaria da escola. Esta escola agora é a do Rio, onde também tenho uma matrícula, há uns 4 anos. Vim parar numa escola ao lado do cemitério… acho que meu destino é esse: lixo!

Uma ao lado do aterro de lixo (já saí de lá, indo pra secretaria de educação - mas isto é pra outro post), outra ao lado do aterro de gente!!!

Como eu ia dizendo, estou na secretaria da escola, utilizando o computador daqui, após dar minha aula. Hoje só tenho a primeira, das 7:10h às 8h. Escolhi este horário propositalmente, para poder trabalhar o dia todo em outro lugar.

Mas, voltando, como é difícil fazê-los fazer! Esta turma da qual saí é a 6a série, com alunos dos seus 12 ou 13 anos. Impressionante… alguns não tiram nem a mochila das costas. É sério! Não tiram nem a mochila das costas! Ficam conversando o tempo todo, andando pela sala ou mesmo sentados, sem abrir caderno, livro ou pegar num lápis.

E olha que não sou do tipo que enche o quadro com baboseiras tiradas de um livro. Aliás, este deve ser o meu erro, porque se faço isso, imediatamente eles sentam e copiam. Gostam disso, porque é a única coisa que conseguem fazer.

Como eu dou aulas em uma sala de ciências , de forma que busco a criatividade e pesquisa deles, muitos nem tentam fazer algo. Eu me nego a fazê-los copistas, eles se negam a ser pensistas.

Hoje, continuando a aula anterior, pedi para, em grupo, bolarem um jogo de ciências, pelo qual as pessoas podem aprender ciências brincando. Alguns grupos tentam, outros fazem, outros reclamam, reclamam, mas tentam, coitados… outros alunos simplesmente têm a atitude que descrevi: nada.

Impressionante.

17/10/2007   2 Comentários