Informações Docentes, Discentes e Decentes
por Declev Reynier Dib-Ferreira
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Categoria — Diário

Continuo não acreditando nesta escola! E você, que escola quer? -2-

Tentarei ser breve hoje. Estou cansado. Meus dias dariam, às vezes, cada um deles, um livro. Sei que é piegas esta frase - e é mesmo -, mas acho que dariam.

Esqueci de dizer umas coisitas no ”Não acredito nesta escola!” número um. Apesar de todo aquele blá blá blá sermaonístico que tive que ouvir da diretora - com uma rigidez rabugenta que beirava a grosseria -, eu, apesar de estar na escola há uns dois meses, nunca participei de um planejamento decente. Veja: nunca.

Todas as 6as feiras, os professores das disciplinas “sérias” matemática, português, ciências e história/geografia (são juntas) não dão aula e se juntam para fazer o “planejamento”. Os professores das outras disciplinas, as “menores”, artes e línguas, dão aulas. E nunca nos encontram!

Muito bonito ela me dizer que blá blá blá só, só, somente só se tiver um planejamento integrado e em conjunto junto nós poderíamos fazer o que fizemos (veja no link acima se você não leu). Pois este planejamento até agora eu não vi. Tudo o que fizemos foi ficar preenchendo aquele diário enorme de grande do qual eu já falei horrores aqui mesmo! Uma das 6as feiras nós ficamos arrumando as prateleiras cheias das horrendas apostilas. Isto mesmo, cares amigues: arrumando as apostilas nas prateleiras - contando, separando, limpando, matando o tempo… ops!

Nos outros dias, preencher diários. E como os diários estavam nas mãos dos outres professores… muitas vezes fiquei ali, a falar besteiras.

Alguém nos fez trabalhar em conjunto? Nos deram a oportunidade disso? Nos incitaram a tal? Nos mostraram formas? Nos proporam projetos? Nos separaram em grupos para discutir determinados temas? Conversamos sobre os problemas da escola e como resolvê-los? Pensamos em formas de nos unirmos para que os alunos realmente consigam aprender algo?

Não.

Pois é… a vida é um eterno paradoxo…

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Dindin:

a) Para que possamos todos aprender juntos e fazer um bom trabalho pela educação, pesquise títulos e compare preços de livros sobre planejamento e sala de aula! (Bondfaro)

b) E para aqueles que se sentirem tocados com meus posts, tente ler uns livros sobre o trabalho do coordenador pedagógico na escola! Compare títulos e preços com o Bondfaro.

c) Por fim, veja títulos e preços de livros sobre projetos pedagógicos, também com o Bondfaro. 

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Na mesma linha:

a) Perguntar ofende?

b) A importância do coordenador pedagógico

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30/11/2007   8 Comentários

Não acredito nesta escola! E você, que escola quer?

Chamaram-me a atenção, semana passada, numa das escolas em que trabalho. Diria, aliás, que foi uma bronca mesmo. Fiquei muito puto da vida dentro deste meu corpinho bem humorado. Deve ser porque é “escola modelo”. Trabalhar em “escola modelo” pode ser bom, mas pode ser… digamos… complicado.

Pra começar, no sentido pretendido, não deveria existir escolas “modelos”. Todas deveriam sê-las. Mas deixo isto para um outro post.

Retornando. Acontece que fui broncado por ter juntado, de última hora, minha turma com a de um professor de história para assistir um filme. Disse a diretora que “não gostou nem um pouco do que viu, e que quando não gosta tem que falar!” Eu, como aprendi - ou estou aprendendo - a calar, quando não gosto de algo, tenho que escrever!

Os seus argumentos foram de que “pareceu” que colocamos nossas turmas - eu e outra professora de ciências - para assistir ao filme com o outro professor por “oportunismo”, que não foi fruto de um planejamento, coisa e tal; que os alunos percebem e se desmotivam, coisa e tal; que cada um deve trabalhar em sua sala, separados, coisa e tal; e que só, só, somente só se for o caso de um planejamento prévio, em conjunto, com introdução objetivos materiais e métodos é que poderíamos fazer algo assim e coisa e tal; que se fizermos um planejamento para aula de ciências, este planejamento não deve ser mudado, coisa e tal; que estamos em época de avaliação, não poderia perder aula, coisa e tal…

E eu, quem me viu, quem me vê, quem não me conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais me esquece não pode reconhecer, ao mesmo tempo que aprendi a me calar - manda quem pode obedece quem tem juízo - não consigo ainda disfarçar minha cara de sentimentos impuros.

Vamos aos fatos para que entendas:

Escola à noite, de jovens e adultos. Cada professer tem sua sala, as turmas vão mudando de lugar. A minha sala é a única que tem uma TV com DVD e videocassete, com uma caixa de ferro gradeada, com cadeado, presa à parede.

Veio o professor de história perguntando se teria problema ele passar um filme na minha sala, se eu poderia trocar com ele. Disse que tudo bem e perguntei o nome do filme.

Quase dois irmãos“, disse ele.

Putz! Este filme é uma porrada no estrômbago! Eu o vi com uma grande amiga, a Maruzza. Perguntem a ela, eu chorei adoidado no final do filme. Chorei de desesperança. Chorei de impotência. Chorei de choque de realidade.

Quando ele disse o nome do filme eu disse “só se minha turma puder assistir também!” Claro. E lá fomos nós. Tinha eu 6 alunos em sala. Seis. era uma quinta-feira que na terça foi feriado; a frequência deles já não é das melhores, a sala estava vazia, um ótimo filme para discutir assuntos da realidade deles… formô!

E então, no dia seguinte, fui chamado, por outras palavras, de opostunista… Pois é, aproveitar as oportunidades virou oportunismo!

É por isso que eu não acredito nesta escola - não falo desta especificamente, mas do modelo de escola que temos. Não acredito neste planejamento, nesta avaliação, nestas aulas, neste engessamento, nestas carteiras enfileiradas viradas pra frente, neste quadro-e-giz, nestas apostilas inócuas…

Veja: são adultos. Estão lá pra aprender? Sim, mas o quê? O que é mais importante, eu “ensinar” que ecossistema é uma comunidade biótica constituída por produtores, consumidores e decompositores fincionalmente relacionados entre si e o meio abiótico e todas as suas relações blá blá blá? Que os artrópodes são assim chamados porque têm patas articuladas? Que os seres vivos são classificados em cinco reinos com exceção do vírus? Que o reino Monera… AAAARGH!

Veja, não sou contra os “conteúdos” das disciplinas (embora também esteja mexendo em vespeiro!), mas a forma como é feito. Eles por eles não são nada!

Estas coisas desvinculadas da realidade são um engodo! Garanto, aposto e dobro a aposta que vocês que estão lendo não passariam em uma prova de ciências da 5a série! (se não forem da área, claro). E que não passariam em outras, como geografia, história… Nós não sabemos tudo!

Temos é a capacidade de aprender, de discernir, de discutir, de politizar, de construir, de raciocinar, de buscar informações, de pensar, de conversar, de ler com sentido, de ver sentido, de ouvir atento, de transformar qualquer informação em sentido, de assistir a um filme e fazer disso uma aprendizagem!

O importante é o que o aluno aprende, não o que o professor ensina!!! Então temos que fazê-los aprender - de todas as formas.

Caraca!

A diretora, ao invés de aproveitar o ensejo e direcionar a ação para um projeto, para uma ação em conjunto, para uma construção coletiva… não, cortou a ação! Deu bronca!

“Muito bom gente, e então? o que se pode tirar daí, o que se pode ensinar em ciências, em história? como podemos juntar os dois conhecimentos? como podemos desdobrar este filme em outras ações para que os alunos, ao raciocinarem sobre suas situações de vida e de cidadãos, possam ao mesmo tempo assimilar o conteúdo programático de cada disciplina?”

Não seria bem mais proveitoso para os alunos? Mas não foi.

Depois não se sabe porque tem tanta evasão na escola!

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Dindin:

Não consegui achar o DVD do filme Quase Dois Irmãos, mas quem quiser conhecer outro trabalho da mesma diretora, veja o preço do Brava Gente Brasileira no BuscaPé.

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Na mesma linha:

a) Escola da Ponte

b) Aprender o quê?

c) Desabafo: educação

d) A importância dos gestores inovadores

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28/11/2007   6 Comentários

Formação do professor e restinho de esperança

Hoje ministrei um curso de dia inteiro em Nilópolis, sobre educação ambiental, dentro de um programa de formação de professores em Agenda 21, da Secretaria de Estado do Ambiente.

Eu gosto de trabalhar com professores. acho que dá pra plantar uma semente e, quiçá, esta semente germinar em frutos de trabalho nas escolas, através de atividades, projetos e reflexões destes professores com os alunos.

Gosto de ver os olhos brilhando de alguns, as idéias florescerem em outros, mexer com o imaginário e com aquilo que eles davam como certo e imutável em suas vidas pessoais e profissionais. É, é difícil, mas possível.

Talvez faltem espaços e oportunidades para que os professores se encontrem e reflitam sobre o que fazem. E isto é fundamental, creio, para dar novo ânimo para enfrentar o trabalho. Enfrentar mesmo, uma luta, briga, guerra, batalha diária, na busca de melhor desenvolver os alunos nas suas potencialidades e, com isto, construir uma sociedade melhor.

A educação ambiental trata disto: construir uma sociedade melhor. E estamos precisando! Dê uma olhada nisso! Sempre enfatizo a importância da educação ambiental não se restringir a aspectos puramentes individuais e comportamentais, do tipo ”faça a sua parte”. A historinha do beija-flor é muito bonitinha, mas ele NÃO RESOLVE O PROBLEMA SOZINHO! É claro que o exemplo é importante e as ações individuais também - eu mesmo pratico várias, definindo-me como um cidadão ecosocialambientalmente correto. Mas não é tudo.

Preferia na historinha acima citada, que o beija-flor organizasse uma reunião com todos os seus colegas, fizesse uma conferência às pressas (uma reunião extraordinária) e definissem todos juntos que a união faz a força e que deveriam atuar unidos. Se os outros animais não estivessem querendo participar como eles, eles fariam pressões para que se mexessem -afinal, a mata é um bem difuso - bicando a bunda de todos eles até que fossem para a beira do rio pegar água pra apagar o incêndio!

É… isto dá mais trabalho… mas a educação ambiental deve agir assim.

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Na mesma linha: http://fabiodeboni.blogs.sapo.pt/19205.html

29/10/2007   6 Comentários

Você quer ser professor?

Vida de professor cansa! E é assim mesmo. Cheguei em casa 23h, havia saído às 7:30h. Não, não passo o dia todo dando (ou melhor, vendendo) aulas; tenho outros trabalhos.

Mas faz parte da vida do professor, certo? Ou ele tem diversos trabalhos como professor - aí entra em sala bem cedo e sai bem tarde - ou ele tem suas escolas e outros diversos - aí ele sai bem cedo de casa e chega bem tarde.

Hoje passei um filme pra turma da noite, sobre um professor de basquete, dentro de uma escola do subúrbio dos EUA, onde a maioria é negra. O time de basquete começou a ganhar todas, mas o professor cobrava deles a presença nas aulas e as boas notas - o que, claro, eles não tinham. Ele cancelou todos os treinos e jogos até que o time todo estudasse e tirassse boas notas. É claro que todos foram contra ele, blá blá blá, aquele melodrama de professores que nós conhecemos dos filmes. E o basquete nos EUA parece pior que uma religião né?

Claro que todos foram felizes, inteligentes e bons jogadores para sempre. Mas confesso que não deu pra assistir o final do filme! É mole? Bateu o sinal, deu 22h e todos tivemos que sair sem ver o final - mas que podemos imaginar…

Mas que é interessante e instigante ver estes filmes sobre professores é né? Como Sociedade dos Poetas Mortos, Escola de Rock e outros. Dá até mais ânimo pra tentar ser diferente… até encontrarmos tudo igual pela frente e a resistência ser tão forte que nos desanima de novo! Aí assistimos outro filme e a vida continua…

Mas é raro vermos um com uma professora! Por quê será…?

Em tempo: ensinar é diário e em qualquer lugar… veja o Raphael ensinando a introduzir!

23/10/2007   1 Comentário

Tempo, tempo, tempo, tempo…

Cheguei às 23h em casa… como cansa dar aulas!

Hoje foi só agora de noite, das 18h às 22h. Educação de jovens e adultos. Pessoas com idades de 14 a quase 70!

Impressionante como alguns deixam a vida passar né?

Os jovens - com exceções - conversam, falam, brincam, riem, pedem pra sair toda hora, brincam nos celulares, fazem piadas…

Segundos depois de você dizer algo, invariavelmente perguntam exatamente sobre aquilo que você acabou de explicar!

Enquanto isso os adultos - com exceções - perguntam, escrevem, querem saber, reclamam da bagunça… não têm tempo a perder! Já o perderam. Seja por culpa ou por desculpa, já o perderam.

Por isso que eu digo aos jovens: “cresçam!!!”.

Acho que vou pra Brasília, ficar rico!

17/10/2007   3 Comentários

Como fazê-los fazer?

Estou no computador da secretaria da escola. Esta escola agora é a do Rio, onde também tenho uma matrícula, há uns 4 anos. Vim parar numa escola ao lado do cemitério… acho que meu destino é esse: lixo!

Uma ao lado do aterro de lixo (já saí de lá, indo pra secretaria de educação - mas isto é pra outro post), outra ao lado do aterro de gente!!!

Como eu ia dizendo, estou na secretaria da escola, utilizando o computador daqui, após dar minha aula. Hoje só tenho a primeira, das 7:10h às 8h. Escolhi este horário propositalmente, para poder trabalhar o dia todo em outro lugar.

Mas, voltando, como é difícil fazê-los fazer! Esta turma da qual saí é a 6a série, com alunos dos seus 12 ou 13 anos. Impressionante… alguns não tiram nem a mochila das costas. É sério! Não tiram nem a mochila das costas! Ficam conversando o tempo todo, andando pela sala ou mesmo sentados, sem abrir caderno, livro ou pegar num lápis.

E olha que não sou do tipo que enche o quadro com baboseiras tiradas de um livro. Aliás, este deve ser o meu erro, porque se faço isso, imediatamente eles sentam e copiam. Gostam disso, porque é a única coisa que conseguem fazer.

Como eu dou aulas em uma sala de ciências , de forma que busco a criatividade e pesquisa deles, muitos nem tentam fazer algo. Eu me nego a fazê-los copistas, eles se negam a ser pensistas.

Hoje, continuando a aula anterior, pedi para, em grupo, bolarem um jogo de ciências, pelo qual as pessoas podem aprender ciências brincando. Alguns grupos tentam, outros fazem, outros reclamam, reclamam, mas tentam, coitados… outros alunos simplesmente têm a atitude que descrevi: nada.

Impressionante.

17/10/2007   2 Comentários

Bem-vindo à Selva

Nunca pensei em dar aulas! Eca!! aquele bando de crianças ou adolescentes me enchendo o saco como eu fazia com os meus professores!!! Neca! Mas é isso aí… a Terra é redonda (meio achatada, mas redonda) e a vida dá voltas. Fiz Biologia querendo ser pesquisador e trabalhar com macacos no meio da Amazônia – meu sonho, que foi realizado! Assim que me formei fui pra Amazônia trabalhar com macacos! É mole? Fiquei uns três meses trabalhando, mas por conta do meu chefe, tive que sair. Era um holandês filho da puta que sacaneou a gente. Mas, lembra da Terra redonda e da vida dando voltas? Pois é… este mesmo holandês fidapu que me sacaneou é agora manchetes por falcatruas cometidas.

Não tenho a menor dúvida de que é culpado, ao contrário do meio científico que o defende. Então, saí de lá. Fiquei uns anos meio perdido, tentando ganhar dinheiro. Não dá certo. Acabei fazendo um concurso pra professor (vê só o que é o desespero!). Passei… Virei professor… Daí para fazer especialização, mestrado e doutorado, sempre trabalhando na área de educação e meio ambiente, foi um salto. Tô nessa!

Quer saber mais sobre o holandês safado? Visite esta matéria da Fauna Brasil ou esta matéria do Repórter.

16/10/2007   3 Comentários