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	<title>Diário do Professor &#187; Opinião</title>
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	<description>Informações Docentes, Discentes e Decentes</description>
	<lastBuildDate>Sun, 18 Jul 2010 06:07:25 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Garoto morre baleado dentro de sala de aula</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 05:45:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Garoto de 11 anos morre baleado dentro de sala de aula.

O acontecimento – morte por bala “perdida” – não é um caso isolado, mas ocorre muito mais do que imaginamos. 

Mas o fato de ter ocorrido isso dentro de uma sala de aula, é emblemático.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ffffff;">.</span></strong></p>
<p><strong><a href="http://infanciaurgente.blogspot.com/2010/07/menino-baleado-dentro-de-sala-de-aula.html" target="_blank">Garoto de 11 anos morre baleado dentro de sala de aula</a></strong>.</p>
<p>Essa notícia tem tantas referências com tantas coisas que escrevo, com tantas coisas que vivo, que me traz um turbilhão de emoções e sentimentos.</p>
<p>O acontecimento – <strong>morte por bala “perdida” </strong>– não é um caso isolado, mas ocorre muito mais do que imaginamos. É quase recorrente no Rio de Janeiro. Vivemos numa <strong>roleta-russa</strong>: sair de casa é não saber se volta…</p>
<p>Claro que sinto tristeza profunda pela criança, pela família, por nossa sociedade. Mas o fato de ter ocorrido isso dentro de uma sala de aula, é emblemático.</p>
<p>A tia falou:</p>
<blockquote><p>&#8220;Ele morreu com o lápis na mão&#8230;&#8221;</p></blockquote>
<p>Como se pode ensinar / aprender nessas condições? Como se pode viver nessas condições?</p>
<p>A secretaria de educação vai culpar as professoras pelo mal rendimento dos alunos daquela escola, <a href="http://diariodoprofessor.com/2008/11/30/carta-aberta-a-futura-secretaria-de-educacao-do-rio-de-janeiro-claudia-costin/" target="_blank">como fazem sempre</a>? Os gestores “esquecem” que isso tem a ver com os rendimentos dos alunos.</p>
<p>A polícia, por sua vez, obviamente culpa os traficantes.</p>
<p>Assim é fácil, a polícia entra atirando e quer que os traficantes não disparem um só tiro…</p>
<blockquote><p>- Ô <em>trafica</em>, agente vamos entrar atirando, mas toma cuidado aí com o pessoal morador! Num dispara não!</p></blockquote>
<p>Mas eu tenho um recado pra polícia: ô inteligência, <strong>o bandido é que é o bandido</strong>!</p>
<p>E se ele é o bandido, pra ele foda-se se alguém morre baleado pelo caminho. Então, polícia inteligente, ele vai atirar!!!</p>
<p>E, detalhe – acho que nunca falaram pra vocês – <strong>é a polícia que tem que tomar cuidado pra ninguém se atingido</strong>!!! Inclusive o bandido, que tem que ser preso, não morto!</p>
<p>Quem mora nesses lugares em guerra sabe que não é assim que a bala toca, ops!, que a banda toca. A polícia assassina não quer saber quem tá na frente.</p>
<p>E, não duvidem, essa bala – e todas as outras que já vimos se acharem – pode ter vindo de qualquer lado.</p>
<p>Só pro leitor ter uma ideia, eu já vi e vivi algumas vezes o fechamento da escola <strong>por ordem dos traficantes </strong>porque eles disseram que iria ter confusão na área! Não queriam que as pessoas ficassem circulando.</p>
<p>Sem comentários.</p>
<p>Acho que a melhor forma de acabar com a violência no Rio seria <strong>desarmar a polícia</strong>…</p>
<p>Termino com duas frases, uma do aluno sobre o que é ruim no bairro onde morava:</p>
<blockquote><p>&#8220;Os tiros, porque os tiros matam muita gente…&#8221;</p></blockquote>
<p>E outra do pai, colocando os gestores em seus devidos lugares:</p>
<blockquote><p>Eu fiz a minha parte, coloquei meu filho na escola… falta o governo fazer a parte dele.</p></blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Declev Reynier Dib-Ferreira<br />
Professor ao alvo</span></p>
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		<title>O recesso escolar agora é prêmio para o professor?!?</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2010/07/14/o-recesso-escolar-agora-e-premio-para-o-professor/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 00:31:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa é boa!!!!

O recesso escolar agora é prêmio para o professor!

Antigamente o professorado tinha uns três meses ou mais de merecidas férias. Um mês em julho mais dois a três no final e início de anos.

Agora, teremos que "merecer"...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa é boa.</p>
<p>O <strong>recesso escolar </strong>agora é <strong>prêmio para o professor!</strong></p>
<p>Antigamente o professorado tinha uns três meses ou mais de merecidas <strong>férias</strong>. Um mês em julho mais dois a três no final e início de anos.</p>
<p>Depois, com a lei que passou de 180 pra 200 dias letivos obrigatórios, passamos a ter um “recesso” (não mais férias) de 15 dias no meio do ano, férias de um mês em janeiro, mais uns 10 a 15 dias em dezembro, por conta do “recesso” de natal e fim de ano.</p>
<p>Pode-se argumentar que todo trabalhador “normal” tem apenas um mês de férias por ano (com exceção dos deuses do poder judiciário, que não são “normais”…) e, contando tudo acima, são quase dois meses.</p>
<p>Mas, convenhamos, quem está em sala de aula diariamente cuidando de 30 a 60 crianças ou adolescentes tentando fazê-las estudar e aprender e não se materem uns aos outros, não tem um trabalho normal.</p>
<p>Corroborem comigo os pais e mães que não aguentam com umzinho ou dois adolecentes brigando dentro de casa!</p>
<p>Não é à toa que tem tantos professores em <a href="http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=19" target="_blank"><strong>licença médica</strong></a>, seja por problemas na voz, por problemas psiquiátricos ou outros. <a href="http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/noticias/26728/indisciplina-de-alunos-e-vista-como-uma-das-causas-de-doencas-dos-professores" target="_blank">Trabalhar com alunos não é fácil</a>, é extremamente desgastante.</p>
<p>Considere os dias pingados que não se tem aula por conta de um monte de coisas, tais quais chuvas, feriados, tiroteios ou falta de água, e os 200 dias letivos tornam-se absolutamente apertados num ano de 365 dias. Mesmo em ano bissexto&#8230;rs!</p>
<p>Por conta disso, a <strong>secretaria de educação </strong>do município do Rio nos dá – só ela e há muito tempo, desde que eu entrei aqui – <strong>apenas 5 dias de “recesso” </strong>no mês de julho. Juntando com o final de semana temos uma semana de descanso no meio do ano, após mais de 5 meses de trabalho e com mais quase cinco meses pela frente.</p>
<p>As outras secretarias de educação – por experiência própria, a de Niterói; por amigos, a Estadual do Rio de Janeiro – nos dão 15 dias de descanso merecido, ou seja, duas semanas.</p>
<p>Aí eu leio a pérola abaixo, recebida por email, fonte fidedigna:</p>
<blockquote><p><strong>ATO DA SECRETÁRIA</strong></p>
<p><strong>RESOLUÇÃO SME</strong> Nº 1083 , DE 12 DE JULHO DE 2010.</p>
<p>Dispõe sobre o expediente nas escolas da Rede Pública do Sistema Municipal de Ensino no período de 26 a 31 de julho de 2010.</p>
<p>A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela legislação em vigor e CONSIDERANDO os bons resultados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) alcançados pelas escolas públicas da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, do que resulta a oportunidade reconhecer os Profissionais de Educação,</p>
<p>RESOLVE:</p>
<p>Art. 1.º As escolas da Rede Pública do Sistema Municipal de Ensino do Rio de Janeiro não terão expediente, permanecendo fechadas, no período de 26 a 31 de julho de 2010.</p>
<p>Parágrafo Único &#8211; Para os Profissionais de Educação, lotados nas unidades a que se refere o art. 1º que não estiverem em gozo de férias, este período será considerado recesso escolar.</p>
<p>Art. 2º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.</p>
<p>Rio de Janeiro, 12 de julho de 2010.</p>
<p>Claudia Costin</p></blockquote>
<p>Perceberam a falta de ética, o oportunismo, o descaramento, a sacanagem, a cara de pau, a brincadeira com coisa séria?</p>
<p>Eu não editei em nada o texto, ele veio exatamente assim.</p>
<p>Vou repetir a parte do óleo de peroba oportunista:</p>
<blockquote><p>CONSIDERANDO os bons resultados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) alcançados pelas escolas públicas da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, do que resulta a oportunidade reconhecer os Profissionais de Educação,</p></blockquote>
<p>Ou seja, para a secretária de educação do município do Rio de Janeiro, esses minguados 5 dias de “recesso” é um “prêmio” em “reconhecimento” aos profissionais de educação que fizeram um bom trabalho aumentando o ideb!</p>
<p>Somente &#8220;considerando&#8221; os &#8220;bons&#8221; resultados no ideb, ela &#8220;resolve&#8221; suspender o expediente das escolas durante uns 5 dias!!</p>
<p>Aquilo que já ocorre há dezenas e dezenas de anos agora é nos “dado” em reconhecimento pelo bom trabalho!!!</p>
<p>E sabe o pior de tudo? É ler no <a href="http://twitter.com/Declev/" target="_blank">twitter</a> um “agradecimento” à secretária pelo recesso…</p>
<p>Me desculpem os bons (e boas!) colegas, mas ô categoria de merda!</p>
<p style="text-align: right;">Declev Reynier Dib-Ferreira<br />
Indignado</p>
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		<title>Brasil foi mal no IDEB. Mas, por acaso, o Brasil vai bem em algo?</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2010/07/07/brasil-foi-mal-no-ideb-mas-por-acaso-o-brasil-vai-bem-em-algo/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 03:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[IDEB]]></category>
		<category><![CDATA[Índices]]></category>

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		<description><![CDATA[Saiu o novo IDEB. Comme d’habitude, os índices da educação brasileira foram menos do que sofríveis. 

Mas é só na educação que o Brasil, País dos Absurdos, vai mal?
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saiu o novo <a href="http://portalideb.inep.gov.br/" target="_blank"><strong>IDEB</strong></a>.</p>
<p>Comme d’habitude, os índices da <strong>educação brasileira</strong> foram menos do que sofríveis:</p>
<blockquote><p>Nos anos finais do <strong>ensino fundamental</strong>, o Ideb do País evoluiu de 3,8 para 4,0, superando a meta para 2009 e também ultrapassando a de 2011, que é de 3,9. […] No caso do <strong>ensino médio</strong>, o Ideb do Brasil avançou de 3,5 para 3,6, superando a meta nacional de 2009.</p></blockquote>
<p>E veja que, com estes índices, ultrapassaram as metas! Que metas…</p>
<p>Aí vejo na TV, nas rádios, nos jornais, na internet as mesmas dúvidas de sempre…</p>
<blockquote><p>“oh… por que a educação no Brasil é tão ruim? Por que não conseguimos fazer uma educação decente? Por que os alunos não aprendem?”</p></blockquote>
<p>Ora ora ora, a resposta é muito mais simples do que parece: porque no Brasil, TUDO é uma merda!</p>
<p>Nós não fazemos NADA decente! Não é só a educação, é tudo!</p>
<p>Nós não conseguimos fazer nada funcionar como deveria. Nada nosso chega aos pés dos chamados países desenvolvidos (com os quais adora-se comparar a nossa educação), nem aos em desenvolvimento, que também são melhores que nós na educação.</p>
<p>E sabe por quê? Porque somos desonestos, a corrupção grassa, a burocracia domina, o <strong>dinheiro</strong> nunca chega onde deveria e, se chega, não é usado como deveria.</p>
<p>Veja:</p>
<p>- <strong>Saúde</strong>: uma merda. Hospital, no Brasil, é uma piada. Mata, não salva. Médico é mal pago, não tem materiais, não tem equipamento. Há surtos de mortes;</p>
<p>- <strong>Política</strong>: nem preciso comentar. Mas veja <a href="http://www.prosaepolitica.com.br/2010/03/10/fabio-pannunzio-deputado-mais-processado-do-pais-recebe-comenda-de-guardiao/" target="_blank">esta notícia</a>, que interessante;</p>
<p>- <strong>Polícia</strong>: é pior do que bandido, ao qual deveria combater. Atira, mata e depois pergunta se você fez algo. Tá precisando de um dinheiro, vai pra rua fazer uma blitz pra catar um carro. Trata a população de baixa renda como se fossem ratos. Acumul <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI144788-15228,00.html" target="_blank">índices de assassinatos alarmantes</a>;</p>
<p>- <strong>Serviços</strong>: se você usa água, luz, telefone, banco (putz!) ou qualquer outro serviço, não tem como fugir, você vai se aborrecer, mas vai se aborrecer muuuuuito e terá a necessidade de utilizar a justiça (coitado…);</p>
<p>- <strong>Justiça</strong>: falando nisso… outra instituição que não preciso nem comentar… mas deixo dois casos como exemplo: <a href="http://oglobo.globo.com/sp/mat/2006/12/07/286938729.asp" target="_blank">doméstica presa por tentar roubar pote de manteiga</a> e <a href="http://www.diariodeumjuiz.com/?p=1336" target="_blank">Pimenta Neves 1</a> e <a href="http://www.diariodeumjuiz.com/?p=1337" target="_blank">Pimenta Neves 2</a>;</p>
<p>- <strong>Instituições públicas</strong>: tais como o INSS, as Agências Reguladoras, as Inspeções Sanitárias, Dentran (ARGH!) e todas outras que queiram lembrar. Poços fundos transbordando de incompetência, burocracia, vagarosidade, injustiças.</p>
<p>Poderíamos estender a lista até o artigo ter um metro pra baixo, mas chega.</p>
<p>A única classe profissinal, no Brasil, que faz o que deve e faz bem, é a da bandidagem. O bandido, sim, faz o que veio ao mundo fazer.  </p>
<p>Aí você poderia me argumentar: e os esportes, as artes, as músicas brasileiras? Sim, sim, tem coisa boa. Mas são muito menos valorizadas, fortalecidas do que dezenas de outros países. Todo país tem coisa boa nesses quesitos.</p>
<p>O que temos nesses casos são talentos e teimosias individuais, pessoas que lutam – e muito – para alcançarem seus sonhos. Assim como muitos médicos, alguns policiais, alguns políticos, alguns profissionais da área da justiça, muitos professores&#8230;</p>
<p>Teimosias individuais.</p>
<p>O Brasil (como um todo, como governo, como povo, como nação) não dá nada a eles, as exceções. E isso tem seu custo: a incompetência, a derrota, a coisa mal feita, os remendos, os índices baixos de coisas boas e os índices altos dos absurdos.</p>
<p>Vide as <strong>olimpíadas</strong>, onde sempre levamos goleadas de medalhas de países muito menores e mais pobres.</p>
<p>Não é à toa: levamos goleadas nas olímpíadas e<a href="http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=2388&amp;lay=pde" target="_blank"> goleadas nos rankings mundiais de educação</a>… coincidência?</p>
<p>No fim, na educação, mais uma vez, a culpa recai sobre os professores, que são aqueles que estão lá, à frente, tentando fazer o que a sociedade toda desfaz.</p>
<p>Se se perguntam por que os professores não conseguem fazer os alunos aprenderem, pergunto: por que os policiais não acabam com a violência? Por que os médicos não acabam com as mortes estúpidas nos hospitais? Por que os advogados, juízes e afins não acabam com as tantas injustiças no país? Por que os políticos não acabam com a corrupção? Por que os funcionários públicos não acabam com a burocracia e a demora geológica?</p>
<p>Por que o Brasil não deixa de ser um País dos Absurdos?</p>
<p style="text-align: right;">Declev Reynier Dib-Ferreira<br />
Revoltado</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Quem tem o dever de educar o cidadão?</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2010/02/16/quem-tem-o-dever-de-educar-o-cidadao/</link>
		<comments>http://diariodoprofessor.com/2010/02/16/quem-tem-o-dever-de-educar-o-cidadao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 00:25:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Com vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Quem educa?]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava quietinho no meu canto em imersão escrevendo a danada da minha tese de doutorado que tá quase, quase nascendo.

Numas das listas de discussão que participo, começou-se a falar do biguibróder.

Um senhor vem com a infeliz ideia de tecer as lamentáveis linhas que transcrevo.

Tive que responder!
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é&#8230; eu sofro da doença de pensar.</p>
<p>Ficarei louco, eu sei, quanto mais velho fico, mais eu sei.</p>
<p>Mas não consigo deixar de pensar nas coisas e de buscar brechas, <strong>rachaduras</strong> nesta sociedade louca que construímos, por onde possamos enfiar &#8220;cunhas&#8221; (essa eu aprendi com Rachel Trajber) e abrí-la um pouco mais.</p>
<p>Numas das listas de discussão que participo, começou-se a falar do <strong>biguibróder</strong>.</p>
<p>Um senhor vem com a infeliz ideia de tecer as lamentáveis linhas que transcrevo abaixo:</p>
<blockquote><p>Eu jamais diria, numa lista de educadores, que a <strong>escola</strong> é a responsável pela formação da audiência do<strong> Big Brother</strong> e eteceteas de mesmo calibre.</p>
<p>Para não dizer sou obrigado a admitir uma mutação genética causada pelo excesso de CO2 na atmosfera.</p>
<p>De toda sorte, pesquisem por imbecilidade humana no Google.</p></blockquote>
<p>Eu estava quietinho no meu canto em imersão escrevendo a danada da minha tese de doutorado que tá quase, quase nascendo.</p>
<p>Mas não me contive e respondi&#8230; [as observações e links são novos]:</p>
<blockquote><p>Senhor,</p>
<p>A &#8220;responsável pela formação da audiência do Big Brother e eteceteas de mesmo calibre&#8221; não é a escola.</p>
<p>É a Justiça brasileria (no sentido amplo englobando todos os setores do poder judiciário), onde todas as injsutiças começam.</p>
<p>É a justiça que não faz a sua parte fazendo-se cumprir as leis, mandando as emissoras de tv se comportarem como devem se comportar as concessões públicas; não colocando na cadeia os políticos que não cumprem a lei de responsabilidade fiscal e que não investem em educação o mínimo que a lei exige, que roubam o dinheiro que deveria ser investido na educação do povo.</p>
<p>É a Justiça que demonstra a todo mundo que as pessoas são iguais, mas umas são mais iguais que as outras, demonstrando para a sociedade que o que importa é ser rico e branco, porque aí pode-se fazer o que quiser que não vai preso (<a href="http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pimenta-neves-esta-ha-10-anos-impune-499689.shtml" target="_blank">até mesmo matar </a>*- fato verídico).</p>
<p>Se você for pobre, diz a justiça brasileira, vai sofrer toda a série de injustiças e&#8230; se <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1288126-EI5030,00.html" target="_blank">furtar um pote de margarina</a> ** para a alimentação dos filhos, ou <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2008/12/17/justica-nega-segundo-habeas-corpus-artesa-que-pichou-bienal-587332669.asp" target="_blank">pichar o muro de um museu</a>, *** vai preso sem direito a habeas corpus (fato verídico).</p>
<p>É muito fácil culpar-se a educação quando não se dá à escola (e aos profissionais da educação) condições de atuar decentemente. Lembrm-se: não ganhamos nem um décimo do que ganha um juiz ou um promotor ou mesmo um advogadozinho de porta de cadeia &#8211; e nem o que ganham os políticos desonestos &#8211; pleonasmo &#8211; que a justiça teima em não colocar na cadeia ou insiste de tirar de lá o mais rápido possível, quando vão. Ah, também não temos em nosso trabalho as dezenas de aspones que esses sujeitos-de-bem têm.</p>
<p>É muito fácil colocar a culpa na escola que deveria educar mas não educa, tendo a escola, contra ela, a sociedade inteira deseducando.</p>
<p>Eu sugiro àqueles que acham que a escola não faz o que dev eria fazer tentar viver uns 6 meses dando aula numa escola de periferia (e vivendo somente com o salário de um professor).</p>
<p>Depois disso nós continuamos a conversa.</p></blockquote>
<p><em>* Se até a veja acha que ele &#8211; que não é do MST &#8211; tem que ser preso! Já viu a merda, né?<br />
</em><em>** Mesmo que a tenha soltado depois, um absurdo.<br />
</em><em>*** Não defendo pichações. Estou falando das disparidades.</em></p>
<p>Ainda não obtive resposta e, sinceramente, não a quero.</p>
<p>Mas aí recebi um vídeo por email (até engraçadinho) que me fez lembrar outro, uma ficção, um comercial extremamente bem sacado, que havia visto há tempo. O que recebi por email hoje não é ficção, é real.</p>
<p>O que eles têm a ver com tudo isso?</p>
<p>Tirem suas próprias conclusões, mas para mim, independente da (in)justiça brasileira, o dever de educar um cidadão é de todos. Começa com quem geriu, passa por toda a sociedade, e&#8230; termina na escola.</p>
<p>Somos a pontinha do iceberg, a que aparece, a que pega o sol de cara, e, mesmo assim, leva a culpa se quebra o casco do navio.</p>
<p>Eis o comercial:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/lpLypCLT0vM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/lpLypCLT0vM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>Eis o vídeo que recebi:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/G2Sh8emSmig&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/G2Sh8emSmig&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>E este é só pra descontrair&#8230;</p>
<p>Porque eu sou muito ranzinza, mas tenho bom humor!</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NHUJLWQ3Ge0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/NHUJLWQ3Ge0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>Abraços,</p>
<p>Declev Reynier Dib-Ferreira</p>
<p><iframe width=450 height=200 src="http://www.videolivraria.com.br/videolivraria/partner_top.asp?partner_id_iframe=1597&#038;n_prod_h=3&#038;n_prod_v=1&#038;dept_id=3005" border="0" scrolling="NO" frameborder="0" marginheight=0 marginwidth=0 vspace=0 framespacing=0></iframe></p>
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		<title>O ano acaba e a farsa continua</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2009/12/23/o-ano-acaba-e-a-farsa-continua/</link>
		<comments>http://diariodoprofessor.com/2009/12/23/o-ano-acaba-e-a-farsa-continua/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 04:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Escolas]]></category>
		<category><![CDATA[Farsa]]></category>
		<category><![CDATA[Horário Integral]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais um ano se passou e a história se repete: no Rio, após o estardalhaço de que a rede começaria a ter escolas de ensino integral tudo continua na mesma.

A escola lotada, suja, mal arrumada. Os alunos com grandes dificuldades para aprender, os professores com grandes dificuldades para ensinar.

E os fatos continuam servindo às mentiras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um ano se passou e a história se repete.</p>
<p>No Rio, após o estardalhaço de que a rede começaria a ter escolas de ensino integral &#8211; <a href="http://diariodoprofessor.com/2009/08/28/quando-os-fatos-servem-para-mentir-o-caso-do-horario-integral-no-rio-de-janeiro/" target="_blank">escrevi sobre isso</a> &#8211; tudo continua na mesma.</p>
<p>A escola lotada, suja, mal arrumada. Os alunos com grandes dificuldades para aprender, os professores com grandes dificuldades para ensinar.</p>
<p>E continuam fingindo soluções.</p>
<p>A secretária que entrou dizendo que &#8220;<a href="http://extra.globo.com/rio/materias/2008/11/08/futura_secretaria_de_educacao_anunciada_por_eduardo_paes_contra_aprovacao_automatica-586315277.asp">acabaria com aprovação automática</a>&#8221; sabe o que fez? Para um aluno ser reprovado tem que ter conceito insuficiente (I) em 4 matérias das 5 do &#8220;núcleo comum&#8221;: Português, Matemática, Ciências, Geografia e História.</p>
<p>Isso mesmo: de 5 matérias, tem que ser insuficiente em 4 para ser reprovado.</p>
<p>E, isso mesmo: Artes, Educação Física e Língua Estrangeira não são suficientemente importantes para reprovar.</p>
<p>E aqueles que tiraram &#8220;apenas&#8221; até 3 conceitos insuficientes (das 5) devem levar para casa exercícios para fazer durante as férias.</p>
<p>Agora inclui-se, nos exercícios, as demais disciplinas que não reprovam (mas se não reprovam, para quê os exercícios?).</p>
<p>&#8220;<a href="http://odia.terra.com.br/portal/educacao/html/2009/11/segunda_chance_para_estudantes_reprovados_49070.html" target="_blank">Dever de férias</a>&#8220;.</p>
<p>Piada. Só pode ser.</p>
<p>Bom, eu sou contra a reprovação e não reprovo aluno nenhum. Isso é um assunto para um artigo extenso e detalhado, o que não farei aqui.</p>
<p>Só digo que não adianta reprovar um aluno no final do ano para se fazer exatamente a mesma coisa o ano que vem, sabendo-se desde o ano anterior, que ele tinha dificuldades em aprender.</p>
<p>E também não adianta achar que ele vai fazer algo durante as férias, em janeiro, no calor do Rio, sem ir às aulas, morando onde moram, se não fizeram o ano inteiro na escola.</p>
<p>A escola tem que ter meios para que este aluno aprenda &#8211; se ele quiser, pois se não quiser, não há Paulo Freire que dê jeito.</p>
<p>O aluno tem que, desde o início do ano letivo, contar com reforços decentes, aulas extras, aulas diferenciadas, atendimento pessoal, etc, como deve ser de fato uma escola de tempo integral verdadeira.</p>
<p>Já deixei aqui dezenas de opiniões, direções, exemplos, conselhos do que se deve fazer para melhorar a educação. São visões de quem está lá dentro, querendo fazer algo.</p>
<p><a href="http://diariodoprofessor.com/2009/08/25/em-determinadas-escolas-em-determinadas-turmas-e-impossivel-dar-aulas/" target="_blank">Em uma delas</a>, dei 4 pontos, 4 mudanças que devem ser realizadas para que a educação tenha uma chance de funcionar.</p>
<p>Esta secretaria não fez nenhum deles.</p>
<p>A escola não aceita mais remendos. A roupa não serve mais. Ou faz uma renovação geral no guarda-roupa, ou vive-se como mendigo.</p>
<p>Deixo este alerta somente para confirmar o que já disse antes: <a href="http://diariodoprofessor.com/2009/09/14/a-farsa-continua-e-a-cara-de-pau-cresce/">os fatos serem para mentir</a>.</p>
<p>Feliz ano novo para todos, e mais um ano letivo de enganação para os filhos dos pobres.</p>
<p style="text-align: right;">Declev Reynier Dib-Ferreira<br />
Esperando Papai Noel</p>
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		<title>Esclarecimentos posteriores sobre artigos anteriores</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 13:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Educação: Professores]]></category>
		<category><![CDATA[Escolas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tive algumas repercussões sobre meu último artigo e é por elas que escrevo o de hoje. 

Sinto a necessidade de explicar. 

E sinto se foi pesado demais pra vocês.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive algumas repercussões sobre meu último artigo e é por elas que escrevo o de hoje. Sinto a necessidade de explicar. E sinto se foram pesados demais pra vocês.</p>
<p>Quero em primeiro lugar deixar claro que o que venho sentindo é fruto da minha (quase) desesperança na mudança da educação que tanto almejo e creio necessária.</p>
<p>Não consigo “deixar pra lá” e relaxar. Ir, dar minha aula e dormir em paz. Entrar na escola e na sala de aula como se “sempre foi assim e nunca vai mudar”.</p>
<p>Me recuso. Tem que mudar.</p>
<p>E me recuso a desistir. Eu faço a minha parte, sim (<a href="http://diariodoprofessor.com/2008/10/15/a-escola-que-funciona-projetos-maquetes-atividades-diferentes/" target="_blank">1</a>, <a href="http://diariodoprofessor.com/2008/03/23/o-conhecimento-de-sua-regiao-e-a-construcao-de-uma-maquete/" target="_blank">2</a>, <a href="http://diariodoprofessor.com/2007/11/11/producao-de-jogos-para-o-ensinoaprendizagem-de-ciencias/" target="_blank">3</a>, <a href="http://diariodoprofessor.com/2007/11/10/corpo-humano-trabalho-pratico-na-sala-de-ciencias/" target="_blank">4</a>), mas essa história de “faça a sua parte”, como <a href="http://diariodoprofessor.com/2007/10/29/formacao-do-professor-e-restinho-de-esperanca/" target="_blank">já falei por aqui</a>, é ótima, mas pra mim é pouco.</p>
<p>Então quando me coloquei como “cobaia”, como o <em>Professor Truman</em>, me coloquei no sentido de demonstrar que mesmo com a percepção que venho tendo da educação, ainda me importo por ela.</p>
<p>E quando me mostro aqui do jeito que me mostro, não é para angariar dós e piedades – dispenso-os –, mas para demonstrar um lado que deve ser respeitado, observado e extremamente cuidado na educação: o do professor e professora.</p>
<p>Pode-se ler-me com o pensamento de que, coitado, “ele” está e sente-se assim. Ou então ler-me com o pensamento de que <strong>a “educação” está assim</strong>.</p>
<p>Se mostro o que sinto, não se deve achar que sou o único e que mereço compaixão ou decapitação.</p>
<p>Oras, a educação se faz a partir da interação entre o professor e o aluno. Se algo está errado entre ela – e está! – a educação não vai pra frente.</p>
<p>Veja:</p>
<blockquote><p>Só neste mês de setembro, cerca de 60 professores da rede pública estadual de Campo Mourão se licenciaram para tratamento de saúde. Levantamento (&#8230;) mostra que de janeiro a julho desde ano 266 professores se afastaram das salas de aula, a maioria vítimas de doenças psicossomáticas, ligadas ao estresse.</p>
<p>Salas lotadas, número excessivo de aulas por professor e principalmente a indisciplina dos alunos são as principais causas atribuídas aos problemas de saúde. “Infelizmente tem aumentado a indisciplina dos alunos e isso contribui para aumentar os problemas de saúde do professor. Aquele que enfrenta muitos problemas de indisciplina em determinada turma já sai de casa com uma carga de estresse muito grande”, comenta o chefe do NRE, João Luis Conrado.</p>
<p>(…)</p>
<p>“Assim como tem um ou outro que poderia estar trabalhando e pede licença, temos professores tão dedicados que estão trabalhando doentes”, frisa. Ele destaca que alguns estão afastados por doenças crônicas. (<a href="http://www.psicologiavirtual.com.br/psicologia/principal/noticia_view.asp?id=26728" target="_blank">FONTE</a>)</p></blockquote>
<p>Aí, com todos estes problemas, qual a solução que se dá?</p>
<blockquote><p>Para tentar conter o alto índice de licenças médicas, Conrado diz que a Secretaria Estadual de Educação estuda premiar o professor por assiduidade. Outra medida mais drástica seria fazer com que o tempo de afastamento por licença seja cumprido no fim da carreira do professor. “Sabemos que ele tem direito a licença médica, mas não podemos esquecer do direito do aluno, que não pode ser prejudicado”, comenta o chefe do Núcleo. (<a href="http://www.psicologiavirtual.com.br/psicologia/principal/noticia_view.asp?id=26728" target="_blank">IDEM</a>)</p></blockquote>
<p>Vedes a contradição?</p>
<p>Existe um problema que tem determinadas causas e que gera determinadas consequências. Vamos resolver as causas? Não, vamos sacrificar ainda mais quem é (também) a vítima.</p>
<p>O professor está doente? Ele não serve, é culpa dele. Então desconte-o, <a href="http://www.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1061:-rio-vai-dar-bonus-em-dinheiro-para-professores-que-atingirem-metas&amp;catid=67:observatorio-educacao-e-cidade&amp;Itemid=116&amp;lang=pt" target="_blank">não dá “Bônus”</a>, manda embora…</p>
<p>Vamos resolver os problemas que levam os profissionais da educação a este estado? Não.</p>
<p>Sugiro a leitura do texto completo do qual eu retirei a passagem abaixo:</p>
<blockquote><p>De acordo com o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), atualmente 45% desses profissionais estão com problemas de voz, a maioria causada por problemas emocionais, e 50% das licenças médicas no trabalho têm origem em causas psicológicas.</p>
<p>Segundo o presidente do SinproRio, Wanderley Quedo, 30,4% dos professores do Rio tem a <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-311X2006000500014&amp;lang=pt" target="_blank">Síndrome de Burnout</a>, que é um distúrbio de caráter depressivo (…). (<a href="http://www.saudedoprofessor.com.br/Imprensa/210909.html" target="_blank">FONTE</a>)</p></blockquote>
<p>Notícias assim podem ser encontradas com uma busca simples no deus google:</p>
<blockquote><p>As depressões e as doenças ansiosas figuram entre as principais causas de afastamento por licença médica. É o caso de Luciana Oliveira, de 30 anos. Professora da alfabetização no Gama, ela foi ameaçada por um pai que invadiu a escola para buscar a filha. O incidente ocorreu em junho e ela, desde então, não consegue mais pisar em uma sala de aula. &#8220;Estou dormindo à base de remédios e sofro só de pensar em ir para a escola&#8221;, afirma. Na semana passada, a professora conseguiu mais um mês de licença médica. (<a href="http://www.w73.com/marcellobarra/democratizando/2009/10/emocional-afasta-professores.html" target="_blank">FONTE</a>)</p></blockquote>
<p>Escola não é linha de montagem!, educação não rima com <a href="http://www.brasilescola.com/geografia/taylorismo-fordismo.htm" target="_blank">fordismo</a>!, professores não se substituem como a uma peça quebrada de uma máquina!</p>
<p>Devo me afastar? Não quero. Quero mudar. E isso envolve sofrimento. Só não sofre quem não sente nada. Pra quem tudo &#8220;está bom&#8221; e quem &#8220;não tem nada a ver com isso&#8221;.</p>
<p>E enquanto isso, não se deixem enganar pelas minhas escritas pessimistas: <strong>eu continuo trabalhando</strong>!, continuo desenvolvendo atividades e práticas interessantes, continuo ensinando, continuo me importando com os alunos, continuo me superando.</p>
<p>Meus próximos artigos serão com as atividades que venho desenvolvendo com os alunos.</p>
<p>Aguardem.</p>
<p style="text-align: right;">Declev Reynier Dib-Ferreira</p>
<p style="text-align: right;">Professor.</p>
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		<item>
		<title>Dia do professor. E daí?</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2009/10/15/dia-do-professor-e-dai/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 00:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Dia do Professor]]></category>

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		<description><![CDATA[Reflexão sobre o dia do professor, dia 15 de outubro. Para quê serve o dia do professor, em uma profissão tão sofrida?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha cabeça – pra variar! &#8211; vem fervilhando de ideias, me enlouquecendo.</p>
<p>Às vezes é tanta coisa que não consigo fazer nada.</p>
<p>Às vezes faço tudo de uma vez, descarregando toneladas de resíduos mentais.</p>
<p>Tenho encontrado dificuldade, por conta disso, em escrever por aqui, embora tenha já uns 20 artigos iniciados, pedindo para serem terminados.</p>
<p>Costumo dizer que sou uma pessoa de muita iniciativa, mas pouca terminativa.</p>
<p>Dito isto, fi-lo porque me senti compelido a escrever, por conta do dia de hoje. Não poderia deixar de fazê-lo, apesar… apesar de achar uma tremenda bobeira esse lance de “Dia de…”!!!</p>
<p>Inventam Dia de Tudo e Dia de Nada. Deviam inventar o “dia do político safado”, aí os políticos, invertendo a ordem, neste dia iriam trabalhar!</p>
<p>Nota d’O Globo do dia 27 de agosto deste ano (p.10), nos avisa: “Vem aí o ‘Dia do Quadrilheiro’”.</p>
<p>Quem pensava, como eu, que eles iriam homenagear os colegas, criando o Dia de quem pratica Formação de Quadrilha, se enganou.</p>
<p>É o dia de quem dança Quadrilha, a dança tradicional folclórica franco-brasileira.</p>
<p>A nota do jornal diz que num único dia específico foram aprovados nada mais nada menos do que 45 projetos deste tipo. Quarenta e cinco.</p>
<p>Como trabalham nossos políticos&#8230;</p>
<p>Segura aí:</p>
<blockquote><p>Dia Nacional do Macarrão;</p>
<p>Dia dos Trabalhadores em Massas Alimentícias;</p>
<p>Dia do Motorista de Ambulância;</p>
<p>Dia da Parteira Tradicional;</p>
<p>Dia do Calcário Agrícola (sim, isso mesmo: Dia do Cal-cá-ri-o A-grí-co-la!);</p>
<p>Dia do Tambor de Crioula;</p>
<p>Dia Nacional das Hemoglobinopatias (Hein?!?!).</p></blockquote>
<p>A lista segue, mas ja deu pra ver onde quero chegar.</p>
<p>Dia do Professor. Báh!</p>
<p>Oras, só me serviria pra me fazer descansar dois dias: o justo feriado da 5a e o justo enforcamento da 6a.</p>
<p>Mas, veja só como é a vida…</p>
<p>Trabalho no Rio de Janeiro na 5a feira (hoje), e o excelentíssimo prefeito passou o feriado pra 6a.</p>
<p>Fui.</p>
<p>Trabalho em Niterói na 6a, e o excelentíssimo prefeito manteve o feriado na 5a.</p>
<p>Vou.</p>
<p>Me desculpem a linguagem chula, mas a sabedoria popular é tudibom: “O que é um peido pra quem tá cagado?!”</p>
<p style="text-align: right;">Declev Reynier Dib-Ferreira</p>
<p style="text-align: right;">Professor. Dispenso parabéns.</p>
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		<title>Resposta a comentário</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2009/09/15/resposta-a-comentario/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 18:17:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[Respostas]]></category>

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		<description><![CDATA[Reposta a comentário de colega que faz faculdade de pedagogia, feito no artigo "Diário – 14/09/09 – Como estimular um professor". 

Como de costume, começo a escrever e não paro, ficando grande, e acho que dá uma nova reflexão em forma de artigo.

Continuemos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resposta a <a href="http://diariodoprofessor.com/2009/09/14/diario-140909-como-estimular-um-professor/" target="_blank">Comentário n.1</a></p>
<p>Oi Renata,</p>
<p>Você não me conhece pra dizer essas coisas. E não dá pra me conhecer pelo que eu escrevo simplemente em um ou dois artigos, nem pela fase que estou passando neste momento.</p>
<p>Se você navegar pelo meu site verá, inclusive, muitas atividades e projetos que já desenvolvi &#8211; e ainda desenvolvo &#8211; buscando criar estímulos.</p>
<p>E aprenda a ler direito. Eu não disse que vou a escola tomar café. Disse que era hora do recreio &#8211; leia novamente &#8211; e fui tomar café. Esse direito ainda não nos tomaram, graças a Deus.</p>
<p>Mas, falando de você, fazer pedagogia achando que a escola é uma maravilha &#8211; ou achando que não seja e que vai mudá-la com sua motivação, boa vontade e competência &#8211; é típico.</p>
<p>Só que tem uma coisa: pedagoga não entra em sala.</p>
<p>Essa é uma grande, enorme, incomensurável diferença entre os que acham que entendem de educação e os que estão na linha de frente da educação.</p>
<p>E, respondendo a sua pergunta, a diferença da minha atitude hoje para aqueles aos quais você se refere é o seguinte: sei que estou numa fase ruim por diversos motivos pessoais, tenho consciência das dificuldades que a profissão nos impõe e não me deixo abater.</p>
<p>O fato de estar escrevendo essas coisas &#8211; e todas as críticas que faço à escola de hoje &#8211; é justamente para criar reflexões entre os colegas no âmbito <strong>da verdade</strong> de dentro das escolas, para que juntos possamos pensar em soluções.</p>
<p>Mas dentro da verdade.</p>
<p>É muito diferente alguém que passa por uma má fase do que alguém que não se importa com nada. É justamente porque me imprto que estou como estou.</p>
<p>E vá com calma, futura pedagoga, porque você vai enfrentar pela frente em sua profissão 90% de professores muito piores do que eu.</p>
<p>Faça uma pesquisa e verá que a maioria se sente como eu. Veja os motivos de licenças médicas. Vá às escolas, converse com eles.</p>
<p>Mas a diferença, novamente falando, é que luto contra isso.</p>
<p>Dizer o que sinto é lutar contra isso, pois aqui recebo comentários de amigos &#8211; muitos dos quais nunca vi pessoalmente &#8211; que me ajudam, apoiam, dão conselhos, discutem comigo.</p>
<p>Achar que o professor que se sente assim deve pedir exoneração, Renata, é querer que no dia seguinte não aja mais escola. Sem exageros.</p>
<p>Por fim, se você se desmotiva com meus artigos e minhas verdades, se você não os vê como uma possibilidade maravilhosa de <strong>aprender </strong>e aprender e aprender cada vez mais <strong>sobre a realidade das escolas</strong> para sua faculdade, francamente, você está na profissão errada.</p>
<p>Ainda dá tempo de mudar.</p>
<p>Abraços,</p>
<p style="text-align: right;">Declev Reynier Dib-Ferreira</p>
<p style="text-align: right;">Professor. De verdade.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>A farsa continua e a cara de pau cresce</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2009/09/14/a-farsa-continua-e-a-cara-de-pau-cresce/</link>
		<comments>http://diariodoprofessor.com/2009/09/14/a-farsa-continua-e-a-cara-de-pau-cresce/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 07:39:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Colaborações externas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Não bastasse mentirem de que estão “consertando” a educação do Rio, agora eles vão fabricar as provas da farsa. 
Movimentaram milhares de alunos, retirando-os de suas escolas, assim como muitos e muitos professores e professoras para um teatro no maracanãzinho.
Mais uma farsa pra sair nos jornais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não <a href="http://diariodoprofessor.com/2009/08/28/quando-os-fatos-servem-para-mentir-o-caso-do-horario-integral-no-rio-de-janeiro/" target="_blank">bastasse mentirem</a> de que estão “consertando” a educação do Rio, agora eles vão fabricar as provas da farsa.</p>
<p>Na 4a feira, dia 02 de setembro de 2009, milhares de alunos foram reunidos no maracanãzinho para um simulacro de prova.</p>
<p>Diz-se que seria um “teste” para a <a href="http://provabrasil.inep.gov.br/" target="_blank">prova brasil</a>, do governo federal.</p>
<p>Movimentaram milhares de alunos, retirando-os de suas escolas, assim como muitos e muitos professores e professoras.</p>
<p>Devem ter gasto mais uns milhõeszinhos em alguma ONG paulista, com certeza.</p>
<p>É impressionante como as ONGs paulistas entendem de educação! Com certeza a educação de São Paulo já deve estar consertada, com tantas ONGs competentes merecedoras de tão vultosas somas de dinheiro em troca de sua competência!!!</p>
<p>Desta vez foi pra que mesmo?</p>
<p>Segundo a secretária municipal de marqueting&#8230; ops!, de educação, &#8220;as provas servirão para balizar os eventuais problemas de aprendizagem deste grupo específico de alunos&#8221;:</p>
<blockquote><p><em>Com o simulado estamos oferecendo às escolas a possibilidade de entender onde o jovem não está aprendendo direito para adotar alguma ação corretiva antes da Prova Brasil, em outubro</em> &#8211; disse a secretária. (<a href="http://webapp.sme.rio.rj.gov.br/noticias/iNoticias.jsp#22285" target="_blank">Fonte</a>)</p></blockquote>
<p>Deixe-me entender&#8230; &#8220;servirão para balizar os eventuais problemas de aprendizagem&#8221; e &#8220;estamos oferecendo às escolas&#8221; me sugere que a educadora em questão acha que os professores e as escolas não são capazes de avaliar os seus alunos&#8230; é isso?!?</p>
<p>Oras, convenhamos!</p>
<p>E, por outro lado&#8230; avaliar os alunos através de uma prova com questões públicas???</p>
<p>Oras, convenhamos!!</p>
<p>Vejam estes dois depoimentos de duas colegas (apesar de permitirem, omiti os nomes), de escolas diferentes, sobre o que viram e sentiram no dia:</p>
<blockquote><p><em>“Queridos, hoje fiquei muito surpresa ao ver a prova do simulado na revista Escola que está nas bancas. E, curiosamente, já vem com as respostas e os devidos comentários. Nada é sério na nossa Rede!!!</em></p>
<p><em>“O Simuladão de hoje foi mais uma farsa da nossa Secretária. Como disse ontem, a provas foram mesmo as que estavam na revista Nova Escola. Várias escolas sabiam, desde o início de agosto, e, é óbvio, os professores de matemática e de português fizeram as provas com os alunos (uma outra escola do Caju estava acomodada atrás da nossa e ouvimos vários comentários: &#8220;já sabemos fazer tudo mesmo, não vamos demorar&#8221;). Pensando em estatística, o desempenho nas escolas vai &#8220;melhorar&#8221; muito. Mas uma vez, uma prova de São Paulo! Será que não há em nossa rede ninguém capacitado para elaborar uma prova? Os alunos sentaram quase que um no colo do outro.Compareceram apenas 33 alunos. Talvez tenha sido a escola com menor representação. Porém, se todos tivessem comparecido, não haveria provas para todos, nem pranchetas e nem lugares suficientes para sentar. É inacreditável como se gasta dinheiro com uma farsa! Muita publicidade, propaganda enganosa e nenhuma seriedade. Lamentável!!!!! Bjs.”</em></p></blockquote>
<p>Eu peguei um modelo da prova, que ela me deu, e comprei a revista. É igual. Impressionantemente copiada, cada questão. <a href="http://revistaescola.abril.com.br/edicoes-especiais/027.shtml" target="_blank">A revista é essa</a>.</p>
<p>O outro depoimento:</p>
<blockquote><p><em>“Um misto de tristeza e vergonha se abateu sobre mim, no Maracanazinho, no dia do simulado da prova Brasil. Não que eu estivesse esperando que corresse tudo bem, muito pelo contrário, sabia que uma atividade desse porte, envolvendo tantos alunos, precisaria de muita organização, tanto por parte dos organizadores da Secretaria de Educação, quanto por parte das escolas. E, como era a primeira vez, obviamente, muitas falhas aconteceriam. O que não esperava era que ao chegar ao local da prova, no horário marcado, precisaria subir e descer tantas vezes as escadas para encontrar as cadeiras reservadas aos meus alunos e que, depois de encontrá-las, teria que subir e descer, de novo, para pegar todo o material da prova. Vi professores subindo muito lentamente as escadas e soube que são professores com problemas sérios de coluna. Lógico que as escolas poderiam ter previsto tudo isso e mandado para lá professores que pudessem subir e descer, tantas vezes fosse necessário, sem nenhum problema. Mas não seria mais decente que cada professor, lá chegando, fosse orientado para assumir o seu lugar, sem muitas buscas? Só depois que muita gente já havia chegado e passado por essa situação é que apareceu alguém com uma lista de posicionamento das escolas e ainda assim não foi fácil a localização dos lugares. Quanto a distribuição do material, não teve jeito. Cada professor responsável pela escola tinha que transportar o seu material, mesmo que fosse uma grande quantidade de provas e pranchetas. E aí, foi impossível atender a solicitação dos organizadores para que não deixássemos os alunos carregarem as caixas com as provas. Pelo amor de Deus, amadorismo tem limite! Como não mobilizar auxiliares para a distribuição racionalizada e adequada de material? </em></p>
<p><em>Bom, esse foi só o começo dos problemas e se ficasse por aí tudo bem. As coisas pioraram consideravelmente quando um dos responsáveis pela organização, colocou uma outra escola no lugar reservado a minha e a uma outra, sob alegação de que aquele espaço era muito grande para a quantidade de alunos da minha escola e, mesmo avisado que não, que quando reservaram o lugar, já contavam com aqueles alunos e que eles estavam a caminho, fez com que a outra escola invadisse, literalmente, as cadeiras. Depois dessa invasão e de muita discussão, esse senhor, levou nossos alunos para as cadeiras mais altas do espaço reservado à 1ª CRE ( sou da 2ª) e como não tinha acomodação para todos, colocou um grupo sentado e espremido em uma arquibancada, bem pertinho da laje do estádio. Para chegarmos aos alunos tínhamos que nos abaixar pois tinha uma pilastra inclinada separando os setores.</em></p>
<p><em>Tudo muito difícil e complicado para um simulado ou treinamento. Várias vezes uma senhora fez uso do microfone para chamar a atenção dos professores para que eles tomassem conta dos seus alunos pois eles estavam fazendo bagunça. Alguns colegas gritaram com seus alunos porque eles conversavam durante a prova. Que prova? Nenhuma atividade acadêmica deve ser feita daquele jeito. Não ensinamos nada a eles. Penso que a secretária de educação Claudia Costin deveria ouvir os professores com muita atenção antes de buscar ajuda tão longe e fora das nossas escolas. </em></p>
<p><em>Com certeza nossos alunos teriam aproveitado muito mais esse treinamento se o tivessem realizado em sua própria sala de aula, com uma infra estrutura adequada. Deus, nem a água, nem o lanche prometidos chegaram no momento adequado! Só no final.</em></p>
<p><em>Tentamos fazer tudo direitinho: aceitamos participar do evento, organizamos essa participação saindo da escola pois muitos pais ficaram preocupados por não poderem acompanhar os filhos até o local da prova, nos preocupamos com muitas coisas mas de que adiantou? Só me restou pedir desculpas aos meus alunos por tê-los colocado nessa situação tão incômoda para não dizer humilhante. Saí de Lá com a sensação de que eu e meus alunos fomos usados. Aquela foi uma aula de deseducação. Os bons resultados virão à medida que a educação for de fato levada a sério. À medida que os professores forem realmente valorizados. E não estou falando apenas de salários. Falo do reconhecimento da luta do dia a dia que cada professor trava para fazer com que as crianças e os adolescentes de nossas escolas aprendam a ler, escrever, falar, perceber e tentar superar os problemas que os impedem de ir além do simplesmente ler e escrever. Interpretar o mundo a sua volta e interferir de modo positivo na história da sua cidade, do seu País,da sua história enfim.</em></p>
<p><em>Se torna cada vez mais difícil alcançar esse objetivo. Senão não teríamos tantos projetos, tantas ONGs. Essas soluções buscadas fora da escola são solução para quê e para quem?”</em></p></blockquote>
<p>Eu sei muito bem avaliar a educação pública:</p>
<ul>
<li>Enquanto essas mirabolices acontecem, as salas continuam lotadas, sem nem espaço para circular.</li>
<li>A escola agora está ainda mais inchada, com a <a href="http://diariodoprofessor.com/2009/08/28/quando-os-fatos-servem-para-mentir-o-caso-do-horario-integral-no-rio-de-janeiro/" target="_blank">farsa do horário integral</a>, pois alguns alunos de um turno vão para o contra-turno e nós <strong>não temos espaço pra isso</strong>.</li>
<li>O calor entra rachando, sendo impossível ficar minimamente sossegado.</li>
<li>Os professores não têm nenhuma ajuda para enfrentar a batalha.</li>
<li>O salário continua sem aumento.</li>
<li>Por conta disso, temos que ter diversos empregos pra nos manter classe média baixa.</li>
<li>A violência invade as escolas, sem pedir pra abrir o portão &#8211; somos reféns sem direito à resgate.</li>
</ul>
<p>Eles não perguntam o que <strong>nós</strong>, que estamos lá dentro, queremos e achamos melhor pra escola.</p>
<p>Mas eles aparecem nos jornais dia-sim-dia-não, jogando bola, dançando, bricando com as criancinhas…</p>
<p>Quando a gente não imagina que podia piorar, eles sempre nos surpreendem!</p>
<p style="text-align: right; ">Declev Reynier Dib-Ferreira</p>
<p style="text-align: right; ">Professor. Ainda.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Quando os fatos servem para mentir &#8211; o caso do horário integral no Rio de Janeiro</title>
		<link>http://diariodoprofessor.com/2009/08/28/quando-os-fatos-servem-para-mentir-o-caso-do-horario-integral-no-rio-de-janeiro/</link>
		<comments>http://diariodoprofessor.com/2009/08/28/quando-os-fatos-servem-para-mentir-o-caso-do-horario-integral-no-rio-de-janeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 20:33:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Declev Dib-Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil - país dos absurdos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Escolas]]></category>
		<category><![CDATA[Horário Integral]]></category>

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		<description><![CDATA[Chamada na capa d’o globo (25/08/09) diz que “Rio começa a ter ensino público integral”.
MENTIRA!
Utilizam fatos reais para desvirtuar a verdade e dizer o que querem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante a capacidade de mentir utilizando verdades.</p>
<p>Chamada na capa d’o globo (25/08/09) diz que “<strong>Rio começa a ter ensino público integral</strong>”.</p>
<p>MENTIRA!</p>
<p>Utilizam fatos reais para desvirtuar a verdade e dizer o que querem.</p>
<p>Só se pode chegar à conclusão de que esses espaços midiáticos são comprados. Só podem ser comprados; um jornal comprometido com a verdade não faria tamanha manipulação da mesma.</p>
<p>Na página 14 a chamada da matéria afirma: “<strong>Escolas nas áreas mais violentas agora têm ensino em horário integral</strong>”.</p>
<p>E quem lê uma notícia surrealista como essa vai pensar o quê? Que o Rio começa a ter ensino público integral, oras!</p>
<p>MENTIRA!!</p>
<p>Vamos iniciar a conversa com a análise do que quer dizer “<strong>ensino em horário integral</strong>”.</p>
<p>O que você entende por isso? O que quer dizer escola de horário integral em qualquer país sério?</p>
<p>Simples: quer dizer que a criança entra de manhã cedo e fica o dia todo na escola, desenvolvendo uma série de atividades, saindo no final da tarde. Certo?</p>
<p>ISSO NÃO ACONTECE NAS ESCOLAS DO RIO. E nem vai acontecer por conta do projeto &#8216;revolucionário&#8217; em questão.</p>
<p>Só falta dizerem que todas as escolas no brasil são de horário integral, pois elas estão abertas de manhã, de tarde e de noite. Alguém que diz isso está mentindo?</p>
<p>Está.</p>
<p>E não está.</p>
<p>Viram como é fácil manipular a verdade transformando-a em outra?</p>
<p>Vejamos.</p>
<p>A notícia, na página 14 começa assim:</p>
<blockquote><p>“Os 108.576 alunos dos 150 colégios da rede municipal localizados nas áreas mais perigosas da cidade – batizados de Escolas do Amanhã – começaram ontem a ter aulas em período integral” <strong>(1)</strong></p></blockquote>
<p>MENTIRA!!!</p>
<p>E continua a síndrome de pinóquio paulistano, ops!, carioca:</p>
<blockquote><p>“Os quatro mil professores, coordenadores e diretores dessas escolas foram capacitados, no primeiro semestre, para utilizar metodologia diferenciada de ensino, que visa a contornar bloqueios de aprendizado em crianças sujeitas a episódios recorrentes de violência.” <strong>(2)</strong></p></blockquote>
<p>MENTIRA!!!!</p>
<p>E ainda, segundo a secretária-performance:</p>
<blockquote><p>“precisamos de um programa que mantenha os alunos mais tempo longe desses ambientes agressivos” [dos bairros onde morarm]. <strong>(3)</strong></p></blockquote>
<p>Mas, detalhe, a reportagem-ficção não explica como é essa escola &#8220;de tempo integral”, o que nos leva a pensar que é o queu disse acima.</p>
<p>Só que a reportagem não explica como a secretária-performance e o prefeito-factóide irão fazer com que as escolas de dois turnos (diversas turmas “da manhã&#8221; e diversas turmas “da tarde”) sejam de horário integral.</p>
<p>Documento publicado no diário oficial [não tem data na cópia que tenho] dá umas dicas da mágica:</p>
<blockquote><p>No conceito de Bairro Educador, escola e comunidade passsarão a viver integradas. <strong>(4)</strong></p>
<p>Cada Escola do Amanhã terá um Educador Comunitário [que vai] apontar e capacitar locais e ações para a  realização do contraturno também no entorno dos colégios [sic]. <strong>(5)</strong></p>
<p>Depois das aulas, as unidades vão oferecer diversas atividades culturais, esportivas e educativas, além de ampliar os horizontes da escola em relação às comunidades que acercam. <strong>(6)</strong></p></blockquote>
<p>Agora algumas observações importantes:</p>
<p><strong>(1)</strong> “Aulas em período integral” quer dizer que as crianças teriam aulas em período integral. Período integral que dizer o dia todo, cerca de 8 horas por dia AS MESMAS CRIANÇAS na escola. Isso não acontece e, pelo projeto, não vai acontecer nas escolas públicas do Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>(2)</strong> Alguns profisisonais tiveram uns cursinhos e/ou umas palestras sobre um ou outro assunto do “revolucionário” projeto da secretaria-de-pubilicidade-educação. Afirmar o que afirmam é o mesmo que dizer que todos os políticos são honestos, só porque uns dois ou três o podem ser!</p>
<p><strong>(3)</strong> Deixe eu tentar entender… a secretária-factóide diz a novidade de que “a violência pode estar inviabilizando a aprendizagem” e, por isso, “precisamos manter os alunos mais tempo longe desses ambientes agressivos”…</p>
<p><strong>(4)</strong> Mas no conceito bairro educador “escola e comunidade passarão a viver integradas&#8221;.</p>
<p>Ops!, tem algo errado! Se é justamente a violência do bairro onde morarm que faz com que, nessas escolas, o desempenho dos alunos seja pior, conforme a matéria do jornal supra-citado…</p>
<p><strong>(5)</strong> E o educador comunitário vai apontar &#8220;locais e ações para a  realização do contraturno também no entorno dos colégios”.</p>
<p>Vamos dizer agora que o “horário integral” da escola vai acontecer fora da escola??? Justamente nos bairros mais violentos???</p>
<p>Ops!, tem alguma coisa errada… quem se responsabiliza pelas crianças que estão em “horário integral” na escola fora dela??? Quem leva e quem traz??? Apenas uma pessoa ["educador comunitário"] pra catar atividades pros alunos???Quem vai dizer aos traficantes e policiais bonzinhos desses bairros que as crianças agora terão “horário integral” espalhadas pelo bairro? O prefeito-marketing já combinou com o adversário?</p>
<p><strong>(6)</strong> Por fim, mais uma mentira verdadeira. Que eu saiba, as escolas receberão “oficineiros” contratados por uma merreca para dar algumas oficinas para alguns alunos.</p>
<p>Como assim “alguns”?, me perguntarão vocês. Sim, alguns, uns 10 ou 15%. O resto vai pra casa ou vai continuar seu &#8220;horário integral&#8221; espalhado pelo bairro.</p>
<p>Oras, a explicação é simples: <strong>não tem espaço nas escolas</strong>, pois se existe um “contraturno” (depois das aulas), é porque existe “turno”. Metade dos alunos entrando na escola de manhã, metade entrando à tarde.</p>
<p style="text-align: center; "><strong>Se existe “turno”, a escola NÃO É integral!!!</strong></p>
<p>Escola de tempo integral, retoricamente falando, é aquela em que os alunos entram no início da manhã e saem no final da tarde, desenvolvendo diversas atividades neste período.</p>
<p>Convido a ver minhas <a href="http://diariodoprofessor.com/2009/08/25/em-determinadas-escolas-em-determinadas-turmas-e-impossivel-dar-aulas/" target="_blank">4 dicas de revolução verdadeira na educação</a>.</p>
<p>E como eu sei disso tudo, que essas aulas em horário integral não existem e não vão funcionar?</p>
<p>Eu estou lá dentro, numa das “escolas do amanhã”.</p>
<p>E sei, por vivência, prática, observação, conversas, experiência, dia-a-dia, que é tudo mentira.</p>
<p>Ou, melhor, manipulação da verdade.</p>
<ul>
<li><em>p.s. 1: Para não dizerem que sou simplesmente &#8220;do contra&#8221;, sou a favor de muitas ações que querem desenvolver nas escolas. Porém, a maioria deve ser repensada, pois eles acham que estão no país das maravilhas, não no país dos absurdos e, por isso, elas não vão dar certo. É um total desconhecimento da realidade. Mais democrático e prudente seria perguntar aos professores nossas necessidades, e não nos impor uma realidade paralela. </em></li>
<li><em>p.s. 2: Ademais, mentir descaradamente dizendo que com essas atividades paliativas estão implantando a escola de horário integral, fará com que <strong>nunca </strong>se realize de verdade o que se deve: implantar a escola de horário integral.</em></li>
</ul>
<p style="text-align: right; ">Abraços,</p>
<p style="text-align: right; ">Declev Reynier Dib-Ferreira</p>
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