Se nem cópia adianta, é melhor não fazer nada!

Você pode achar e chamar do que quiser o que vou dizer, mas tem turma que simplesmente, não dá pra dar aulas! Não dá pra trabalhar! Tentar fazê-los fazer algo, tentar ensinar algo, tentar um trabalho em grupo, tentar um texto com exercício, tentar uma pesquisa é muito difícil.

O conjunto de seres que se forma pode ser de tal forma que inviabiliza quaisquer tentativas de trabalho minimamente pensante.

Sem discutir as causas de tal fato, o fato é que há.

Nestes casos, sinto muito a humanidade que espera que eu a salve do fim através do meu poder de professor, mas pego um giz e encho o quadro.

Sabe a tevê, usada como babá eletrônica? O quadro cheio é o mesmo.

Numa destas turmas onde não consigo produzir nada, a aluna reclama que “não passo nada no quadro”, que “não tem matéria nenhuma no caderno” e por isso não vem a minha aula. Balela, claro. E realmente, ela tem mais de 50% de faltas.

Pra quem já leus outros posts meus e conhece meu trabalho, sabe que utilizo muito a técnica do aluno-que-aprende-não-o-professor-que-ensina. É só ver alguns exemplos aqui e aqui. Só que desde que entram na escola, têm como sinônimo de “aula” o cuspe-e-giz.

Mas tudo bem, este é o problema? “Peguem o caderno, vamos colocar matéria aí!”. Reclamação geral, quase linchamento da coitada.

Dividi o quadro em 5 partes e comecei. No meio da 2a parte a própria aluna reclama “chega professor, é muito!”. Nem dois quintos do quadro e eles já estavam reclamando, com os dedos doendo.

Mas então, peraí!, cópia é chato, exercício é chato, pesquisa é chato… hummm… que tal nada fazer?

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Na mesma linha:

a) Talvez esteja aqui a explicação do problema… (cuidado ao abrir no trabalho, pois tem som automático – um saco!)

b) Historinhas

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2 comentários sobre “Se nem cópia adianta, é melhor não fazer nada!

  1. Resolvi comentar porque esse texto me lembra de minha experiência na vida escolar, e se não se importa vou contá-la aqui.

    Eu sempre fui uma criança curiosa e interessada na aula, mas tive um defeito, grave na opinião dos meus professores: era lento pra escrever. Quando o professor apagava a lousa pela segunda vez, eu já tinha que pular umas linhas pra copiar depois. E claro, existiam professores que [i]adoravam[/i] encher a lousa 8 vezes numa aula só.

    Sabendo que não podia depender dos meus “manuscritos” pra passar de ano, eu optei por usar outra estratégia: prestar atenção. E eu fazia isso muito bem; enquanto os outros alunos guardavam a matéria no caderno, eu guardava no cérebro. Não só passava de ano como aprendia o conteúdo. Por efeito colateral, ainda desenvolvi uma memória acima da média pois precisava lembrar da lição no dia da prova. Chegou o ponto em que praticamente nem usava mais o caderno (talvez pra desenhar durante períodos ociosos da aula ou fazer bolinhas de papel hehehehehe). Nem fazia mais os exercicios, pois resolvia a maioria de cabeça.

    Por vezes, encontrei professores que julgavam que meu comportamento era preguiça, falta de respeito, desinteresse… faziam questão de que eu enchesse o caderno. Tive um professor de filosofia que dava a nota das provas proporcional à quantidade de tinta depositada no papel. Descobri isso na primeira prova, ao dar respostas concisas (3 ou 4 linhas) coerentes com o conteúdo e levar uma nota baixa; ao comparar com meus colegas que encheram linguiça na folha vi onde tinha “errado”. Claro que eu, que escrevia devagar, odiei o sistema de avaliação dele. Aprendi a tempo da segunda prova, mas essa foi a matéria que quase me reprovou na faculdade. Passei com 6,75 (arredondando = 7 hehehehe)

    Na época senti muita raiva, mas hoje sinto pena dessas pessoas, com suas mentes pequenas que acham que quem aprendeu é porque copiou a lousa, entrou num grupo de 8 alunos onde 2 trabalharam, soube colar sem ser pego. No fundo são todos vítimas, como eu e você tambem somos, do patético sistema de ensino brasileiro. Quem dera chegue o dia em que formaremos geneticistas aos montes, astrônomos, físicos nucleares e eles terão trabalho no Brasil mesmo? Quando teremos autores renomados (Paulo Coelho NÃO É literatura) e ganhadores de prêmios Nobel? Quem sabe um dia seremos o país da cultura e não o país da bunda ou da corrupção? Talvez meus netos vivam pra ver esse dia…

    Abraços
    João Paulo

  2. Pois é João, a maioria dos professores que conheço faz isso. Mas sabe?, nem os culpo. É realmente complicado dar aulas para certas turmas. Você não tem o que fazer! Eles não prestam atenção e não calam a boca se não for com cópía! E o problema é cíclico: se os professores não pararem com este sistema, os alunos nunca se acostumarão a pensar, ao invés de copiar; e se eles não se acostumarem nos primeiros anos de ensino, ferrou!, depois é que não vai dar pra fazer mais nada!

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