Viajando pelo mundo e falando mal do Brasil
Bom, amigues, me desculpem, mas os posts serão um pouco espaçados, pois estou viajando. Tinha que tirar uns dias pra me refazer deste ano. E os dias serão muitos e muito longe de casa. Nem sempre terei acesso à internet, o que dificultará um pouco. Mas farei o possível.Farei uns comentários da viagem, o que creio que será interessante. Não consigo me desfazer da visão de crítico que procura uma melhora do lugar onde vive. Portanto, os posts serão comparativos entre a Europa – por onde passarei por 10 países – e o Brasil, este monstro que cisma em ser desenvolvido não passando de um “caboclo querendo ser inglês”.Estou agora em Portugal, mais precisamente em Coimbra. Cheguei a Portugal pelo aeroporto do Porto. Lá dentro mesmo peguei um metrô. Veja: no aeroporto peguei um metrô! Ô caramba! Integração! Metrô no aeroporto… só Brasil que não tem.
Você compra um ticket na máquina e, dependendo de quanto paga, tem X horas para andar. Ouça o que te direi: não tem roleta! Não tem roleta! Não tem roleta! Você compra também um cartão que tem que validar antes de entrar. Senão, 85 euros de multa. Sem jeitinho brasileiro.
Detalhe: a passagem que comprei dá pra 1:15h também nos autocarros (ônibus)! Integração!
Da estação do metrô direto para estação do combóio (trem). Ãhn? Do aeroporto direto pro metrô e do metrô direto pro trem??? É gajo, integração! Fui pra Coimbra. Trem de uma cidade a outra? Esses europeus são uns malucos!!!
Na viagem sabe o que eu percebo? Pouco cimento! Sim, pouco cimento nos quintais das casas. Os quintais têm hortas. Todos têm um pedaço com couve, outro com árvores frutíferas, outro com nabos. Até mesmo em Coimbra, cidade, urbano, nas áreas dos apartamentos térreos você vê árvores e mais árvores carregadas de frutas. Até mesmo nas ruas.
Pena que no Brasil tenhamos pouca terra, poucas árvores frutíferas, pouco sol e pouca chuva… senão, já imaginou? Ao invés de metermos cimento nos quintais, poderíamos plantar!!!
Pra terminar minhas primeiras impressões, os ônibus (ou autocarros) de Coimbra. Sim senhores e senhoras… ônibus! Não aquilo que temos espalhados pelas cidades do Brasil. Pense no melhor ônibus que há por aí. Aqui o sistema é melhor.
Comecemos por onde…? Passagem. A passagem custa 1,50 euros, mas se você pagar ao motorista. Se compra um cartão com 11 passagens, paga 6 euros. Ou seja, sai a 55 centavos! Desconto se você paga muitas de uma vez, entende o que é isso?
No famigerado Rio de Janeiro, o excelentíssimo governador lançou com estardalhaço um cartão que custa 40 reais. A passagem do Rio custa 2 reais. Sabe pra quantas passagens dá o cartão? Vinte! Ãhn, você me pergunta… vinte? Quer dizer que nós pagamos ao empresário 40 reais adiantados, em dinheiro, e não recebemos nenhum desconto? Bingo! Estás me acompanhando?
E vejam isto, caboclos: o ônibus é bem baixo.
No Brasil é a uns 60 centímetros do chão, obrigando algumas pessoas a entrar com extrema dificuldade, até mesmo de joelhos, como eu já vi. Sabe por quê? Porque no Brasil eles são feitos em eixo de caminhão! É mole? E por aqui, quando ele pára pras pessoas descerem ou subirem, ele abaixa, ficando rente ao chão. Ãhn, abaixa? Sim, amigues, abaixa. E todos – todos – têm lugar pra cadeiras de rodas; alguns com rampa. Cidadania? Respeito? Sei lá, podes chamar do que quiseres.
E, repetindo, aqui não tem roleta. Os lugares não têm roletas; nem nos ônibus, nem no metro que eu disse que peguei antes. Você entra, paga - ou mete na máquina o seu cartão - e entra. Pronto. O motorista te viu fazer isso. Pra quê roleta? Pra controlar o rico dinheirinho do empresário? Ou porque são todos safados no Brasil, uns querendo roubar os outros e ninguém respeitaria? Você escolhe.
Pra terminar: os ônibus aqui têm horários certos pra passar! Sabe aquelas linhas que rodam pela cidade? Aquelas que podem chegar ao ponto onde você está em 1 minuto ou mesmo em 1 hora? Aqui têm horários certos. Nos pontos de ônibus existem placas com os horários que eles saem dos pontos de partida, e você pode calcular quando vão passar. E alguns ainda têm painéis eletrônicas dizendo quanto tempo falta para tal e tal linha passar por ali.. E sabe o que acontece? Não? Adivinha… Sim senhoras e senhores: eles passam! Certinho! Pasmem.
Vocês acham que o que construímos é um país, ou um aglomerado de gente? Falar bem do Brasil também é fácil. Difícil é fazê-lo bom de fato.
Até a próxima.
9 comentários
[...] Original post by Diário do Professor [...]
Viajando pelo mundo e falando mal do Brasil | Diário do Professor…
Comparação entre o Brasil e Portugal em relação a determinados aspectos, especialmente transportes urbanos….
Adorei…só queria que nossos governantes lessem isso…pena que eles só “se governam” e desgovernam as nossas vidas!
Cuidado com o complexo de inferioridade de colonizado, Declev!
Em primeiro lugar, é bom não esquecer que são apenas 11 milhões de portugueses, em um país do tamanho do Estado do Espírito Santo…
Em segundo, que essa “civilização” toda foi em grande parte financiada com o que se produzia aqui em Pindorama…
Concordo com você João. Inclusive podemos dar vários outros argumentos em relação a isso: são centenas de anos à nossa frente (não tivemos idade média), tem muito e muito dinheiro entrando aqui da União Européia…. inclusive de uns 15 anos pra cá muita coisa por aqui mudou por causa disso.
Mas nenhum destes argumentos desfaz o que eu disse. Acontece que se são só 11 milhões em um pequeno território, podemos comparar com um estado no Brasil, que arrecada muito dinheiro e não faz jus a tanto.
Se muita riqueza do Brasil veio parar aqui e ajudou a construir o país, o que fazemos com a riqueza que continuamos a produzir? (Que não é pouca). O meu complexo em relação ao Brasil é justamente ao contrário: somos grande, rico, mas não soubemos, até hoje, construir um país decente para todos.
Dinheiro não nos falta, terra não nos falta, conhecimento, sabedoria, inteligência não nos faltam… Só falta fazer.
Abraços.
Eu diria que falta uma coisa muito importante, Declev: respeito pelo próximo, também conhecido por “boas maneiras” e, como não podia deixar de ser, “educação”…
Mas nem tudo são flores na Europa: hoje, o The Guardian publica uma notícia irada a respeito do mau funcionamento das ferrovias britânicas no período do fim de ano e dos transtornos que os atrasos nas obras de manutenção estão causando…
O que não é, de forma alguma, justificativa para a má adminsitração no Brasil…
E’ ingracado e interessante fazer comparacoes do nosso pais com outros paises.
Eu concordo com o grande gap de deselvolvimento do nosso pais e do fato de estarmos bem atras em varios sentidos. Mas nao poderiamos ter um quadro diverso se infelizmente a maioria faz como voce esta fazendo, criticando e lamentando, talvez voce deveria passar um pouco mais de tempo no exterior e aprender que o seu pais tem muito a oferecer.
[...] de início, gostaria de comentar o post anterior e os comentários recebidos. Especialmente o último, do Rafa. Como minha resposta para ele seria [...]
Vejam o post
http://diariodoprofessor.com/2008/02/10/retornando-ao-brasil-e-respondendo-aos-comentarios/
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