Depende de nós… Nós quem?
Tomemos cuidado com estas frases genéricas do tipo “depende de cada um de nós” e “basta que façamos a nossa parte”.
São perigosas e são exatamente o que querem ouvir aqueles que lucram com toda essa situação calamitosa.
Sim, alguns penam e choram, outros lucram, riem e vendem lenços.
É claro que é importante a ação de cada um. Mas não basta e nunca vai bastar.
“SE” ninguém roubasse, não haveria roubo – mas nem por isso esparamos que “cada um faça a sua parte” e não roube, porque sabemos que não é tão simples. Temos, então, leis, polícia, justiça, prisões, sansões, investigações, etc.
É claro que “SE” todo mundo fizer a sua parte, que beleza!, a sociedade será uma maravilha!
Mas não é e nem será assim sem luta. Luta política, educação, convencimento, campanhas, leis, sansões, etc.
E, vejam, não existe, na sociedade em que vivemos, um “cada um” genérico!! É leviano dizer isso.
Não se pode dizer, por exemplo, que a minha obrigação, que a minha responsabilidade (enquanto um cidadão classe média professor) seja a mesma de um político que vive fazendo conchavos para roubar e lucrar mais; ou que a do dono de uma empresa que fabrica seja lá o que for e vende milhões e milhões; ou que a de um cidadão pobre de periferia que não tem acesso nem mesmo aos bens necessários à sobrevivência!
Juntar tudo no mesmo bolo do “cada um tem que fazer a sua parte” e nada mais é dizer que todos temos responsabilidades iguais perante à sociedade e ao meio ambiente!
E não temos!!
É muuuuuuito mais responsável aquele/a que tem o poder político nas mãos; aquele/a que está lá fazendo as leis; aquele/a que tem o poder econômico nas mãos; aquele/a que é pastor/padre de uma congregação onde milhares de pessoas os ouve; aquele/a que está na televisão “fazendo a cabeça” de milhões de pessoas ao mesmo tempo; aquele que estuda por 4 anos para aprender a como vender cada vez mais produtos pelos mais diversos meios de comunicação…
Não, não temos as mesmas responsabiblidades e dizer que basta “fazer a sua parte” é ingênuo demais.
Não, não estamos isolados do mundo, como querem dar a perceber.
A coisa vai muito mais a fundo.
Então, por exemplo, lutar contra os resíduos e a degradação ambiental, é lutar politicamente, é lutar para fazer leis mais rígidas e que elas não caiam contra os interesses maiores, é responsabilizar de verdade aqueles que tem responsabilidades diferenciadas.
O que você acha?