Artigos de — 09 2008
Pra início de conversa - o que é meio ambiente?
Esse texto eu fiz, a pedido, para um jornal de bairro, o “Folha da Ilha”, aqui do Rio de Janeiro.
Como foi o primeiro de uma série, tem o tom de um início de conversa, por isso o nome.
Já foi publicado e, por isso, republico aqui, assim como eu farei com os outros.
Divirtam-se…
Referência:
DIB-FERREIRA, Declev Reynier. Pra início de Conversa. In: Jornal Folha da Ilha. Rio de Janeiro: RJ, n.º 12, ANO I, setembro, 2008, p.9.
PRA INÍCIO DE CONVERSA
Nossa cabeça normalmente pulula de pensamentos. Somos assolados minuto a minuto com eles, em uma rapidez absurda. A vontade que temos, muitas vezes, é colocá-los pra fora, em ordem, num papel, mostrá-los ao mundo, discutir nossas idéias, conversar com os outros e achar pontos em comum.
Ao fazê-lo por escrito, aqui, é isso o que pretendo: lançar sementes de idéias, que possam crescer e, quiçá, darem outros frutos e novas sementes. Disseminar pensamentos não absolutos, mas que possam servir de inspiração para uma rica discussão sobre os temas abordados.
Uma floresta de idéias.
Ao ser convidado a escrever ao jornal, vislumbro a oportunidade iniciar a plantá-la. E aproveito estendendo o convite à discussão, comentários, concordância ou discordância de quem ler.
E em se tratando de meio ambiente, apesar do aparente consenso, muitos embates se apresentam.
Falar sobre meio ambiente hoje é “moda”, mas nem sempre foi assim. A premência do assunto vem acompanhando a necessidade da própria mudança no que fazemos com nosso meio. E o nosso meio é onde vivemos.
Falar sobre meio ambiente é, portanto, falar de onde vivemos. Encontramos em muitas fontes a referência ao Planeta, à Terra, à “Nave Mãe”. É certo que aqui vivemos, mas, antes disso, nosso meio ambiente é outro.
Podemos tratar sobre Aquecimento Global, Camada de Ozônio, Desmatamento da Amazônia – e vamos fazê-lo em outras oportunidades –, mas temos um ambiente mais próximo de nós para nos preocuparmos também.
Meio ambiente é tudo o que tem a ver com nossa vida, tudo o que nos cerca e nos influencia. É o conjunto de fatores naturais, sociais e culturais que nos envolve e com os quais interagimos. Nosso corpo e tudo o que a ele se refere – alimentação, estresse, saúde, bebidas, drogas, exercícios, etc. –, nossa casa, nossa família, nosso local de trabalho…
Como é nosso meio ambiente? Esse que está ao nosso redor, diretamente ao nosso redor, com o qual lidamos diariamente? O que fazemos com nosso meio ambiente? O que fazemos pra melhorá-lo ou não? O que fazemos que o transforma em um local cada vez pior?
São questões que esquecemos no meio da roda viva do dia-a-dia. Mas transformar o local onde vivemos em um lugar melhor pra todos é tarefa de todos. Uma melhor habitação, melhor qualidade de alimentação, um melhor transporte público, trabalho digno, formas de lazer adequadas, prevenção de doenças e tratamento da saúde quando necessário, respeito mútuo, especialmente aos mais jovens, aos mais idosos, aos mais necessitados…
Fazer a nossa parte é um começo, mas não o suficiente. Batalhar por uma rua melhor, um bairro melhor, uma cidade melhor deve ser constante, e isso não se faz sozinho. É necessário participação, união, a força do trabalho em conjunto. É necessário, além do que podemos fazer por nós mesmos, o que podemos fazer juntos.
Por isso a força do coletivo, da reivindicação, da ação política.
Devemos caminhar para a evolução desta democracia representativa que nos imobiliza – quando votamos em alguém e achamos que ele fará tudo por nós, deixando nosso “meio” em suas mãos – para uma democracia participativa, quando, além de votar, direcionamos nossos representantes para uma atuação voltada a toda sociedade, para o bem comum.
Isso inclui o meio ambiente. Isso pode começar agora.
Estamos em época de eleição. Será que em quem votaremos trabalhará para o bem do nosso meio ambiente? E será que nós o ajudaremos – com fiscalização, cobranças, colaborações – para que isso aconteça?
29/09/2008 3 Comentários
Como os projetos podem ampliar o espaço e o tempo da sala de aula
Olá a todes,
Disponibilizo aqui mais um artigo meu, fruto de um trabalho apresentado no II EREBIO - Encontro Regional de Ensino de Biologia.
Ele é de 2003, do tempo em que eu ainda estava na escola em Niterói.
Como sabem - ou não - eu agora estou na Fundação Municipal de Educação, no Núcleo de Educação Ambiental.
Este artigo discorre sobre umas observações de resultados do trabalho que eu estava lá desenvolvendo com os alunos, entre eles o projeto de educação ambiental.
Além disso, falo do uso dos espaços na escola e de algumas dificuldades encontradas.
Espero ser útil de alguma forma.
Divirtam-se:
O Espaço e o Tempo de fora da sala de aula - observações preliminares.pdf
26/09/2008 3 Comentários
Exposição sobre o Corpo Humano - Real e Fascinante
Mais uma vez venho aproveitar uma dica recebida do meu irmão Dimitri por email, sobre uma boa exposição na cidade do Rio de Janeiro.
Vocês podem achar que é preguiça de escrever e que estou aproveitando o que ele escreveu pra não ter que escrever falando a mesma coisa; mas é isso mesmo!
Também vi a mesma em São Paulo, posso afirmar que o que ele diz é verdade.
Aproveitem a dica, depois digam o que acharam…
“Caros,
Dia 27/09 vai começar aqui no Rio, no Museu Histórico Nacional (praça XV), uma exposição imperdível: Corpo Humano – Real e Fascinante.
Essa expo esteve em SP e naquela época, quase 2 anos atrás, não havia garantia de que viria para cá, então eu sai daqui num sábado de noite, chuvoso e no meio de uma festa, para cruzar a Dutra e chegar lá no domingo de manhã (tb chuvoso, afinal estava em SP!!!) e enfrentar uma fila quilométrica para vê-la. E posso garantir que valeu cada centavo do ingresso (salgado….) e cada quilômetro rodado até lá. Agora, vcs que foram mais espertos do que eu, que ficaram aqui e nem gastaram dinheiro de passagem até sampa, poderão vê-la aqui do lado.
Para quem nunca ouviu falar: trata-se de corpos humanos (reais, de chineses, que segundo consta doaram seus corpos de livre e espontânea vontade……) dissecados e preservados de uma forma nunca vista antes, completamente diferente da forma que os estudantes de medicina e de biologia estão acostumados nas faculdades.
A técnica deixa o corpo ou o órgão com aparência de plástico em qualquer posição. E até por isso a polêmica é muito grande onde quer que ela esteja (já passou por 33 países): são pessoas de carne e osso, “adquiridas” não sabemos ao certo como e expostas em um Museu. Mas a técnica tb deixou-os com aparências de grandes bonecos de plástico, o que de uma certa forma diminui a repugnância que poderia causar em pessoas mais sensíveis.
Bem, polêmicas científicas, morais e religiosas à parte, acho que cada um deveria tirar suas próprias conclusões dando um pulinho lá. Para os biólogos que estão lendo é uma obrigação e para os que nunca viram um corpo humano internamente (adultos e crianças), seus órgãos e seus sistemas, será uma apresentação e tanto a esse mundo realmente real e fascinante.
O site da exposição aqui no Rio é www.corpohumanorio.com.br e o do Museu onde ficará a expo aqui é http://www.museuhistoriconacional.com.br/ (que já vale uma visita por si só pelo belíssimo acervo e arquitetura).
Como eu disse o preço é salgado: 40 reais inteira e 20 meia porém é uma vez na vida e outra na morte….
Um abraço
Dmtr”
24/09/2008 3 Comentários
Vídeo “A História das Coisas” em bom Português
Já falei sobre este curta por aqui, mas de forma superficial.
É bom, portanto, relembrar e colocá-lo agora para quem quiser assistir e baixar.
É, para mim, um dos melhores documentários que já vi para se trabalhar, na educação ambiental, temas relacionados a meio ambiente, consumo, lixo, descartabilidade, obsolescência planejada, sociedade de consumo, publicidade, recursos naturais, desigualdade…
Começa com um aipode, passa pela extração das matérias-primas para nosso consumo desenfreado e chega às montanhas de lixo que produzimos.
Fantástico.
Dá pra trabalhar com o que você quiser e com praticamente todas as faixas etárias.
Se você quiser baixar o vídeo e saber mais informações, como os merecidos créditos da produção e da ótima dublagem, visite o saite Sununga.
Se quiser assistir, divirta-se aqui…
20/09/2008 Nenhum Comentário
Mais um dia na vida de um professor
Essa vai por conta da vontade de desabafar… pra que serve um diário né?
É nosso confidente, aquele que não vai ‘contar pra ninguém’… ops! Esse conta!
Tudo bem, levando em conta tudo que passei ontem, deixa contar.
Mas quem não tiver curiosidade sobre a nem tão pacata vida minha, não precisa ler. É só balela mesmo.
Começo o dia com uma palestra, organizada por mim, da Jacqueline Guerreiro, com quem trabalho por estas bandas da educação ambiental.
Organizei esta palestra lá na Fundação de Educação de Niterói - onde trabalho no Núcelo de Educação Ambiental - para os professores de escolas de 3o e 4o ciclos se inteirarem da III Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente: o que é, qual o histórico, como fazer…
Desconsiderando o atraso por conta da chuva e trânsito aqui no Rio, foi ótimo. Participativo, instrutivo, animativo.
Saí de lá correndo - sem almoço pra variar - para a escola do Rio, onde daria aulas.
Pensei até que seria uma tarde agradável, pois com chuva e frio as crianças (que crianças???) ficam mais ‘calmas’.
Engano engano meu…
Foi um inferno.
Chutaram portas, quebraram vidros, gritei, me alterei, fiquei com uma dor de cabeça filadaputa o dia todo, colegas saíram chorando de sala de aula, mães foram chamadas, alunes foram repreendidos, um inferno!
Putz!
Mas lá no meio da conversa pós-inferno, em que estávamos nos lamentando e vendo o que poderíamos fazer naquela estrutura de merda com pouca gente pra milhares de jovens aborrecentes em plena ebulição hormonal, eis que me liga uma coordenadora de uma escola de Niterói pra me dar uma boa notícia.
Bálsamo. Quase chorei (mas homem não chora! rs).
Por conta de uma indicação que fiz para que a escola participasse de uma Conferência sobre mudanças climáticas promovida pela Ficruz, a escola vai agora ganhar todo o material e apoio técnico pra a implantação de uma rádio-escola, que vai abordar questões, entre outras, de meio ambiente.
Putz!
Fui pra casa.
Corpo cansado, mente doída.
Mais um dia na vida de um professor.
19/09/2008 10 Comentários
O Menino de rua
Fiz este conto há um tempo e o postei no meu saite de escritos: Hebdomadário
Só que achei que seria interessante metê-lo (ops!) aqui também.
Talvez sirva para nos fazer pensar.
Ou não.
Divirtam-se…
Estavam voltando do restaurante, satisfeitos. Antes de chegarem ao carro avistaram a cena chocante, que deixou os dois aflitos. – “Olha Mário, coitado…” – disse a esposa. – “Oh…, você sabe que não consigo ver essas coisas Sandra!” – os olhos dele logo lacrimejaram. Ficaram por alguns instantes parados, observando aquele triste quadro urbano.
– O que vamos fazer? – ela perguntou.
– Eu não sei… me sinto tão impotente. E isso está se tornando cada vez mais normal!! – demonstrou raiva pelo que via, mas deu sinais de seguir adiante, começando a dar tímidos passos na direção do carro. Ela abaixou a cabeça e o acompanhou. Ele pôs a mão no bolso buscando a chave. Ela segura seu braço, o olha nos olhos e diz:
– Mas temos que fazer algo, alguém tem que fazer! Não podemos deixar que isso se torne uma coisa normal!
– Talvez você tenha razão… – cambaleou o marido.
– Sim! Uma cena como esta é hoje tão corriqueira, que muitas das vezes desviamos nosso caminho, mudamos de calçada e seguimos em frente, como se nada estivesse acontecendo!!
– Mas somos tão pequenos… – argumentou.
– Mas podemos fazer algo. Se cada um fizer um pouco, podemos melhorar a situação destas criaturas.
– Ora Sandra, de que adiantaria? São tantos!
– Sim, são muitos, mas podemos fazer a diferença para alguns, se não nos deixarmos simplesmente seguir adiante virando o rosto ou fechando os olhos. E se cada um que tenha condições fizer o mesmo, se todos seguirem o mesmo caminho, em um esforço conjunto faremos a diferença!
– Talvez você tenha razão…
– Sim, Tenho! – anteviu nos olhos do marido a possibilidade de fazerem algo naquele momento.
– E então, o que podemos fazer, o que você sugere?
– Vamos adotá-lo! – falou a esposa, com um sorriso tímido nos lábios.
– Mas Sandra, já temos tantas coisas, tantos compromissos… e não é nossa obrigação, podemos ajudar de outras formas…
– Não é nossa obrigação, mas temos uma obrigação moral. Temos que fazer algo, Mário, veja a situação dele…
– Pode ser… – observou a cena com mais detalhes, o que o comoveu ainda mais.
– Vamos Mário… diz que sim, vai… – fez aquele rosto infalível de quando pede algo…
– Está certo! Vamos adotá-lo!!
Ela pulou de alegria, beijou-lhe o rosto e foi em direção ao garoto que dormia. Se abaixou e pegou o filhotinho de cachorro com todo o carinho.
– Ei, ele é meu! – disse o menino, acordando assustado, saindo de baixo dos jornais.
Ela o olha com incredulidade. – “Mas você está aí, todo sujo, com esses panos imundos, esses papelões velhos… como vai criá-lo?” – argumenta.
– Ele vive comigo, na rua… – responde o menino, incerto em suas palavras.
– Então! Nós poderemos dar a ele uma vida melhor – disse a esposa –, temos uma casa com quintal, piscina, outros animaizinhos para ele brincar, poderemos dar a melhor ração… o que você acha?
O garoto pensou por alguns instantes e perguntou: “Ele vai ser feliz?”
– Claro que vai! – responde ela.
– Então pode levar…
Ela foi em direção ao marido, feliz, beijando o cachorrinho, que abanava o rabo. O garoto voltou a dormir, enxugando a lágrima que escorria dos olhos.
16/09/2008 2 Comentários
Cartilha sobre coleta seletiva “Lixo, o que fazer”
Prezades amigues,
Eis-me aqui, mais uma vez, para vos brindar com algo que creio interessante.
Como sabem (ou não), trabalhei como coordenador de educação do Projeto CatAÇÃO-RIO, desenvolvido pelo Instituto Baía de Guanabara e patrocinado pela Petrobras.
Foi um projeto (foi, porque acabou e ainda não renovamos) para a organização de catadores de materiais recicláveis em cooperativas. Quem quiser mais detalhes, vai no saite já lincado acima e aqui de novo.
De qualquer forma, estou aqui não para falar do projeto, mas da cartilha que de lá surgiu.
Fizemos, entre muitas coisas, trabalhos de palestras e oficinas em escolas do entorno das cooperativas. Para auxiliar o fluxo de informações acerca do lixo e da coleta seletiva - foco também do projeto - desenvolvemos a cartilha em questão, que agora ofereço aqui, para baixar.
É isso. Espero que gostem e que ajude em algma coisa.
Divirtam-se:
10/09/2008 2 Comentários
II Encontro das Redes de Educação Ambiental do Brasil
Em pleno sol de inverno seco do cerrado, cerca de 60 pessoas - eu incluso - nos reunimos em Brasília para discutir os rumos das redes de educação ambiental no Brasil.
Trata-se do 2º Encontro das Redes de EA da malha da REBEA com o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental.
Entre os dias 03 e 07 de setembro de 2008, os enredados participamos de uma extensa programação com palestras, discussões e deliberações.
Tenho colocado as notícias no saite da REARJ, além dos documentos gerados para o encontro, as apresentações, entre outros.
Dêem uma olhada aqui, peguem mais informações e aproveitem os conhecimentos disponibilizados.
Abnraços a todes.
06/09/2008 Nenhum Comentário