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Afinal, o que é educação? Como se faz educação?

Afinal, o que é educação? Como se faz educação?

Afinal, o que é educação? Para quê serve a escola? Que tipo de educação queremos?

Se depender do que temos, já podemos responder: Português e Matemática com prioridade de 90%; pessoas que sabem (?) ler e escrever e sabem contar, mas que não têm memória, não têm humanidade, não têm dom, cidadania, arte, cultura, poesia, amor, coração…

Uma sociedade de enormes avanços tecnológicos, mas na qual a moral não acompanha. E isso SE aprenderem a ler, escrever e contar.

Se essa escola, se essa escola fosse minha…

Na minha escola não tem “tempos” divididos minutamente absolutos; não tem apenas salas secas compostas de carteiras enfileiradas e um quadro negro verde ou branco onde os alunos olham pra frente, o professor olha pra eles; o professor fala, os alunos escutam.

Na minha escola não tem provas, “pontos”, números qualificadores e regras absolutas.

Na minha escola não tem professor disso ou daquilo que são responsáveis apenas por passar o conteúdo disso ou daquilo.

Na minha escola as crianças tem aulas de música e, no meio delas, aprendem matemática, porque para ser um músico, para o ritmo, para ler e escrever música, é desejável ou mesmo necessário saber matemática e ter o raciocínio lógico desta.

Na minha escola os alunos produzem um jornal para divulgar notícias do mundo, do seu país, estado, município e bairro e, para isso, aprenderem a ler e escrever, porque para escrever um jornal com notícias de seu interesse, é necessário sabê-lo.

Na minha escola eles também aprendem o Português para poder ler os grandes autores nas rodas de leitura que queiram participar; e para escrever as poesias, contos, crônicas que são divulgadas pela escola, impressas em livros, publicadas nos jornais, murais e outros espaços.

Na minha escola os alunos montam diversas peças de teatro por ano. Para montá-las, aprendem conceitos de História e de outras disciplinas, pois para escrever o texto, têm que sabê-lo; ou enquanto montam um texto já existente, estudam sobre ele.

Na minha escola há vida. Há animais – peixes, coelhos, codornas… – e plantas espalhadas por ela toda e os alunos são resposnáveis por seu bem-estar e saúde.

Na minha escola os alunos são co-responsáveis pela limpeza, pela organização, pela arrumação. São co-responsáveis pela cozinha, por servir aos colegas e arrumar o refeitório.

Na minha escola os alunos fazem experimentos com ações do dia-a-dia, como quando fazem comida. Enquanto isso, aprendem ciência. Eles fazem coleções e recortam textos de tudo o que tem relação com os conteúdos de Ciências que estão à sua votla e expõem por toda a escola e contam e mostram aos colegas o que aprenderam.

Na minha escola os alunos escolhem o esporte que querem fazer e o fazem. Para fazê-lo porém, aprendem a se alimentar direito, a fazer exercícios e a relação que isto tem com a ciência do seu corpo. E aprendem conceitos de ciência e de física para ajudar no seu desempenho; e lêem os jornais de esportes criticamente, compondo resenhas para divulgação nos murais, jornais e rádios da escola.

Na minha escola todos os que tem um dom para uma determinada arte a praticam sempre que querem. Mas para que o dom seja amplamente desenvolvido aprendem a ciência das cores, a matemática das formas, a história da arte.

Na minha escola as crianças lêem jornais e revistas, impressos ou on-line, e discutem a política, a religião, os fatos, atos, destratos de todo o mundo, destrinchando a geografia mundial e todos sos seus desdobramentos. Visualizam no mapa mundial e aprendem a ler o mundo através de outros olhares.

Na minha escola não há sala de aula.

Ha escola de aula, escola de vida.

 

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Educador

About Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

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7 comments

  1. E a “sua” escola seria um paraíso… que, infelizmente, ainda não existe na face da Terra. (Mas já existiu: as “escolas” dos velhos filósofos gregos — o que mostra que nem tudo que é antigo é obsoleto).

    Para isso existir, basta nos livrarmos da mentalidade de “linha de montagem” que assola nossa sociedade. Um “só isso” bem difícil de meter na cabeça de quem nem uma “linha de montagem” decente consegue fazer…

  2. Essa escola nem em sonho .
    Sou um professor comprometido com a educação , digo até com paixão pelo trabalho, tenho o maior respeito pelo educando …

  3. O que nos estimula é que há muita gente como nós, pensando e tentando algo assim. Há a Escola da Ponte e outras tantas escolas, lutando contra inúmeras dificuldades, com educadores que buscam uma escola para a vida. Parabéns Declev pelo texto e iniciativa. Estamos juntos nessa !!

  4. È realmente a situação da educação no Brasil é vergonhosa, não se sabe de quem é a culpa? O sistema diz que se a escola vai mau a culpa é dos professores, que não sabem dar aulas e são despreparados, mas e a família, onde ficam? Pois acredito que não mais se importam com os seus, também é culpa dos professores? Prefiro acreditar que se cada um de nós brasileiros cuidarmos de nossa fimília com amor e dedicação, inserindo conceitos básicos de educação, respeito, moral e amor ao próximo, teremos pessoas mais preparadas para ser seres humanos melhores em todos os pontos.

  5. Maria leticia(04.05.2010)

    Somos brasileiros e queremos acreditar que um dia nosso pais ira ser completo por gente que briga pela educa;ao,gente que vai atras da escola da vida,sonha em um arco iris lindo com um mundo cheio de pessoas coberta de livros……..

  6. Pooxa Declev Bem que seria maneira essa escola mais nem existe ne fazer oque mais concerteza ia estuda nela se existice