Desentortei e estou de volta à ativa: escolas, alunos, professores, diretores… tremei!

Apesar de ter ficado meio torto por umas duas semanas, estou de volta à ativa.

Não falei aqui ainda, mas aquilo que me fazia escapar um fio d’água ao bochechar após escovar os dentes, ter que tomar uma cacetada de remédios e ter que dormir com uma venda nos olhos – que não fechavam o suficiente por si só – foi vírus, do grupo da herpes, segundo os médicos.

Como disse no artigo lincado acima, fui no neuro em um hospital universitário. Uma amiga que me indicou e me levou. Chegando lá, havia uma turma me esperando ansiosa e três professores. Fui colocado em uma cadeira na frente de todos e usado como cobaia, para um estudo de caso.

Esmiuçaram todos os meus sintomas, me pediram pra olhar pra baixo, pro alto, fazer biquinho, contar detalhadamente o que houve e o que eu estava sentindo, etc.

Após a sessão de observação detalhada, tive que sair e eles conversaram por uns bons 30 minutos. Chegaram à conclusão que disse acima: vírus.

Mas já tô bom – e mau!

Em Niterói, tirando o descaso com meu caso e algumas exceções, ô rede boa de se trabalhar. Tive 30 dias de licença e pude me recuperar à vontade.

Na rede do Rio, a perita genteboa achou que eu já estava bom pra voltar pra sala de aula e me mandou no dia seguinte pra lá. Como eu tinha médico marcado, faltei. Como não fui, o diretor genteboa me deu falta.

Então, eu, que em 5 anos de município do Rio (e 10 de Niterói) nunca tinha tirado esse tal de “BIN” – licença por motivos de saúde – a perita genteboa manda pra sala, mesmo com a boca meio torta e o olho falhando.

Mal sabe ela que o que me fez ficar torto, abrindo a brecha pros vírus genteboa, foi o estresse causado pelo inferno, agravado pelo novo diretor genteboa do inferno…

Mas, olha que engraçado: conheço uma pá de gente e uma pá de gente conhece outra pá de gente que tira BIN à torto e à direito (sem trocadilho com o “torto” e o “direito”!).

Duas situações estapafúrdias:

1) Um amigo, diretor de escola, me contou que uma professora pediu pra faltar por um motivo pessoal qualquer, mas não de saúde. Algo banal. Como a fiscalização estava marcando em cima – e acho que ela já havia faltado, coisa e tal -, ele disse que não poderia liberar.

Ela disse que iria pegar um BIN. Ganhou 9 dias. NOVE DIAS! Uma pessoa que não estava doente pegou nove dias de uma licença por motivo de “saúde”;

2) Um amigo faltou pra ir num curso. O diretor disse pra ele: “pega um BIN”. Ãhn? “Pega um Bin”?? “Eu faltei pra ir num curso que tem a ver com a minha área, disse ele”. 

Mas… pensando bem… como assim?!? É fácil assim “pegar um Bin”?!?

#%&*#*%##*&*#@$%¨&*, exclamo eu respeitosamente neste momento… porque não recebi???

Estou chegando à conclusão que a licença por saúde no Rio é pra quem tem como amigas peritas genteboa

 

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

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Prticipe do Movimento:

SE EU FOSSE SECRETÁRIO(A) DE EDUCAÇÃO, O QUE EU FARIA?

8 comentários sobre “Desentortei e estou de volta à ativa: escolas, alunos, professores, diretores… tremei!

  1. Ora, ora professor Declev
    Só porque o senhor não conhece genteboa, fica com inveja de quem conhece?
    O senhor deveria ser mais talentoso e conseguir amizades genteboa. Assim conseguiria passar à frente das pessoas na fila…não ser pego em flagrante…poder ludibriar o semelhante…e até conseguir Bim sempre que quisesse…
    Se o senhor não consegue ter este talento não venha reclamar daqueles que têm.
    😉

  2. Declev, sou professor tb auqi no DF e sinto as mesmas angustias suas, agora um recado, quem precisa de vc é o diretor arrocha esse cara, se uns podem todos tb podem , a escola não é ó para o amigo do amigo é para todos e não aceita falta não, na lei 8112 há outras formas de justificar a falta ao trabalho, e ela conta com o bom senso do gestor , Diretor que tb é um bosta de um professor, não se abata e nem deixe ninguem te atropelar principalmente esses alunos imbecis. Boa noite e busque mesmo uma vida melhor nos merecemos.

  3. Já penei com isso, Declev.
    Precisei pegar BIM mais de uma vez e foi sempre um inferno. Quem está doente de verdade – foi o meu caso, assim como o seu – acaba sendo “penalizado” por quem só enrola e busca licenças sem necessidade. Os olhares são de desconfiança, pedem laudos, querem “comprovar” que você está doente realmente e agem dessa forma, mesmo estando você munido de atestado, tudo direitinho, como manda o figurino.
    Operei a vesícula recentemente e fui lá na biometria, na véspera, tirar a licença, mas não consegui. Uma das pérolas que ouvi foi: “e se você desistir de fazer a operação em cima da hora, “aproveitar” essa licença e depois vir aqui pegar outra pra mesma coisa?”. Por isso tive que mandar uma amiga, no dia seguinte à minha operação, com o atestado do hospital comprovando minha internação, para só assim conseguir a licença de 15 dias…
    Nessas horas dá vontade de mandar tudo às favas!

    Quanto ao comentário do professor acima, o Marcelo… Chamar os alunos de “imbecis” não é um direito nosso e só piora as coisas. Te garanto, por conhecimento e experiência própria, que os mesmos, por mais difíceis que sejam, são os menos culpados desse quadro todo.

  4. Declev, imagino que ter que voltar à sala de aula sem estar 100% curado deve ter sido muito ruim, isso aconteceu comigo, tive que voltar a trabalhar depois de um mês que tinha operado do coração, isso porque sou uma professora que aceitou o desafio de se tornar Diretora, e como considerei que o meu substituto não era responsável o bastante para assumir a Caixa Escolar, me vi obrigada a retornar em tão pouco tempo para não deixar faltar merenda para os alunos. Não concordo com o Marcelo quando ele diz que quem precisa de você é o Diretor, na verdade, não há quem precise de alguém, a escola é que precisa de todos. Os alunos são peça fundamental para a existência da escola e merecem respeito, é claro que alguns são indisciplinados mas temos alunos brilhantes que não merecem pagar pelos outros. Em relação ao abono de faltas que deve ser analisado pelo gestor, penso que ele deve agir de maneira que não julgue diferente as necessidades apresentadas pelos servidores, para isso, é bom pensar em situações que as faltas podem ser abonadas de acordo com uma atitude ética. Estar à frente de uma escola não é tarefa fácil, e antes de julgar e dizer que o Diretor é um “bosta”, tente conversar com ele e saber quais foram os motivos que ele teve para tomar alguma decisão que não te agradou, se ele estiver mesmo errado, pode reconsiderar, afinal, somos humanos!

  5. Estou passando por isso agora. Achei esse blog procurando no google como proceder. Quebrei um dedo do pé. Tenho licença de 15 dias e minha diretora ‘genteboa’ agiu como se eu estivesse mentindo, não me dando nenhuma informação de como agir. Estou no escuro. Não sei o que fazer direito. Tenho que arrumar um jeito de pegar um tal BIM, para depois fazer perícia não sei aonde, pois os telefones que me deram não atendem.

    UMA VERGONHA. E sinceramente, hj em dia, não tenho mais nenhum prazer em dar aula. Não aguento mais esse descaso.

    Fui.

    • Oi Michelle,

      Só peguei BIM uma vez na vida. Não lembro o caminho das pedras, mas a diretora com certeza sabe.

      Qualquer coisa pergunte a algum colega que seja amigo. Ele ou ela saberá te dizer.

      Ou mesmo ligue para a diretoria de pessoal de sua secretaria.

      Os serviços só funcionam pra quem é filhodaputa e arruma um monte de atestado falso… esse pessoal tem a maior facilidade.

      Nós não.

      Abraços.

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