Diário – 14/09/09 – Como estimular um professor
Sento à minha mesa às 13:45h.
Estou sem forças e sem motivação nenhuma para pedir para dar aulas.
Sim, eu tenho que pedir porfavor e pelamordedeus pra dar aulas, se quiser fazê-lo.
Eu teria que levantar, gritar, pedir silêncio, gritar, mandar sentar, me aborrecer, gritar, tirar alguém de sala… Só assim teria o mínimo do mínimo para fazer qualquer coisa.
Mas não tenho motivação nem vontade de me aborrecer pra dar aulas.
Eles continuam, às 13:55h, absolutamente como se eu não estivesse aqui.
Neste momento têm 6 alunos em pé.
Há uns 20 adolescentes falando ao mesmo tempo e, como não se ouvem, falam mais e mais alto.
Umdeles batuca com a bala halls na mesa, cantando um funk.
Outros 3 olham pela janela.
Outro grita palavras de baixo calão para a colega.
Outros dois dormem, de cabeça baixa.
Folhas são arrancadas e jogadas displicentemente para frente, em direção à lixeira, sem acertá-la. Mas não as pegam, ficam no chão. Ao menos é um avanço: não estão jogando-as, agora, nos outros.
Uma aluna grita pela janela, falando com alguém na rua.
Outra joga um pedaço de plástico pela janela.
São 14h. É como se eu não estivesse aqui.
Um faz um sinal feio para o colega de fora da sala.
Outro me pede “Professor, não dá aula hoje não!” – como se precisasse pedir…
Agora há somente uns 10 falando ao mesmo tempo.
Uns 6 chupam piruluto, cujos papéis de embrulho e palitinhos vão para o chão, invariavelmente.
No início da aula havia um aluno com uma bolinha de papel na mão, jogando–a para o alto e pegando-a novamente. Para evitar um míssel, pedi a bolinha e joguei-a no lixo. Agora ele está com outra, fazendo o mesmo.
Contei 38 adolescentes em ebulição hormonal em sala.
Eles não têm livros.
Eu tenho uma sala de 30 m2 com 45 carteiras, 38 alunos, o meu livro de professor e um quadro.
Só eu.
A janela da sala dá pra frente da rua, onde passam caminhões barulhentos e onde há pessoas que mexem com os de dentro e eles mexem com os de fora.
Estou só aqui dentro.
Daniel na cova dos leões.
Me levanto e grito pra fazer silêncio?
Mesmo que fizesse, silêncio mesmo não haverá, por conta do barulho da rua.
Me levanto e digo que estou aqui? Não… acho que eles sabem.
Tento “dar aula”?
Mas explicar o quê? Que os animais são heterótrofos porque não produzem o seu alimento e as plantas são autótrofas porque produzem o alimento através da fotossíntese?
Antes de eu tentar levantar, ouço um CARALHOOOOO! bem alto, vindo do meio da sala.
Desisto de tentar dizer a eles que teia alimentar é diferente de cadeia alimentar.
Um joga água na colega. A colega revida.
Mais bolas voam ao chão.
Uma aluna dá chutes em outro aluno.
Um aluno “rouba” o caderno de outra, que sai correndo para pegar, passando por cima de mais um.
São 14:25h e têm 11 alunos em pé, em uma sala de 30 m2 contendo 38 alunos.
Falam alto, gritam pela janela, batem uns nos outros, gritam, jogam bolinhas de papel, dão socos e recebem tapas, dão puxões de cabelos nas meninas, fazem queda-de-braço, batucam nas carteiras.
Eu penso que, com estas condições, nunca atingirei o índice que nossa santidade a secretária quer que atinjamos para nos “premiar”.
De qualquer forma, eu não ganharei mesmo, por conta do problema de saúde que tive no início do ano – por conta desta mesma escola.
E, então, desisto de dar a aula.
Às 14:30 entrego as carteirinhas – sim está faltando professor e eles saem na hora do recreiro – e vou tomar um café na sala dos professores.
Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor. Às vezes.
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23 comentários
Faço faculdade de pedagogia e vc é o típico desmotivador da profissão, sente prazer em se dizer SOFRESSSOR. Se não tem mais condições de criar estímulos em sala de aula para ajudar os que precisam , peça exoneração.
É vergonhoso q exista um blog onde o “educador” se sinta e aja como um derrotado e admita que vai à escola tomar café.
Qual a diferença de sua atitude hj, para a do seu artigo sobre “o professor que lê o jornal e ” joga” o exercício no quadro”?
Ah, claro já sei, vc não passou na banca…Francamente, poupe-nos de suas crises e procure outro emprego.
Fará um favor a vc mesmo e a comunidade.
Resposta à Renata no post:
http://diariodoprofessor.com/2009/09/15/resposta-a-comentario/
Cara Renata,
Sou PROFESSORA, como o colega, e já estou há 30 anos no magistério público e nunca desisti. Batalho muito, meus alunos podem comprovar, e estou sempre procurando atividades diferentes para meus alunos. Sou professora de matemática mas trabalho com artes, história, português, música, ciências, sempre procurando integrar a matemática às demais disciplinas. Sempre participei, com os colegas, da Feira de Ciências no Planetário, organizei um clube de matemática na escola em que trabalho, fizemos, com a participação de todos os professores da escola, a semana de matemática e por aí vai. Tudo para cumprir o meu papel de PROFESSORA e EDUCADORA. Coisa que, tenho certeza, o colega DECLEV procura fazer com consciência mas não com muito prazer porque tudo que está faltando à educação nesse País é valorizar o trabalho do professor e dar uma educação DECENTE aos nossos alunos. Isso não é de hoje, você deve saber. Que muita coisa tem que mudar você também deve saber. É preciso mergulhar bem fundo nesse mar tão revolto , é necessário muita consciência da importância do seu trabalho para ter a coragem de escrever um desabafo desses. Para expor em um diário público a situação caótica em que se encontra a maioria das escolas do Brasil. A luta dos professores é uma luta solitária. Quando se pensa no movimento de toda a sociedade, hoje, essa luta é solitária. Pense nisso. A minha escola já foi assim. Hoje, está um pouco melhor, graças ao empenho do coletivo de professores de lá. Precisamos de muito esforço, não reconhecido, diga-se de passagem, para conseguirmos desenvolver um trabalho menos indecente. Esse depoimento, longe de exemplificar o descompromisso, mostra o cansaço de, não um, mas de muitos professores que vêem mudanças e mudanças de governo, cada um querendo mostrar mais poder que o outro, com diretrizes cada vez mais absurdas. Os alunos? Que se danem. O que dói é ver que essas mudanças não nos têm levado a resultados minimamente positivos. O que tem acontecido de bom, são resultados isolados, de esforços também isolados, de algumas escolas ou de alguns professores. Mas isso não faz deles melhores nem piores que os outros. Sabe por que? Porque não tem a força de mudar o esquema. Fico feliz quando vejo um aluno meu bem preparado ou já formado, trabalhando. Fico triste porque o meu desejo é que TODOS estejam bem e preparados para a vida. A sua, é uma opinião. Uma opinião que demonstra uma visão parcial e estreita da situação atual da educação no Brasil. Espero você em nossas escolas. Viva essa experiência!
Dirce.
Não merece resposta o comentário da estudante de pedagogia…
Primeiro pelo fato da sua condição ainda ser de estudante. Desta forma, não tem nenhum contato com a realidade da educação…somente do idealizado.
Segundo, e mais importante, porque está estudando para se formar numa das profissões que mais impulsionam o magistério no poço da amargura. A pedagogia como ela se mostra hoje no Brasil leva a educação à ruína e o professor ao tronco.
Ah Renata…bastaria uma semana no lugar do Declev para você correr da sala de aula chorando.
Declev, seu trabalho é digno e orgulha todos os professores que lutam por uma educação verdadeira.
Abraços!
Sou pedagoga e aplaudo a resposta da Dirce: inteligente, experiente, sem partir pra nenhum tipo de agressão… Parabéns!!!
Acho que falta à Renata experiência prática sim. Ela foi tremendamente injusta com o Declev! Mas entendo o que ela sentiu, pois o mesmo desânimo que o professor hoje sente em relação aos alunos que parecem “não querer nada”, muitas vezes nós, pedagogos, sentimos da parte dos professores, em relação a ouvir e se abrir pra novas tentativas e mudanças, CONSTRUINDO JUNTOS alguma coisa. Sou professora também, mas não vou tapar o sol com a peneira: professores como Dirce e Declev, com a postura que mostram aqui, infelizmente não são maioria não. Gostaria muito que fossem e entendo bem a solidão e dureza que enfrentam, pois também enfrento, só que nem tanto com os alunos mas sim na relação com muitos professores (infelizmente…), diretores, secretarias de educação, políticos pilantras, etc.
Quanto a fala do Luiz Eduardo, lamento esse maniqueísmo, onde os professores são vistos como heróis e os pedagogos como vilões. Faça-me o favor! A realidade é bem mais complexa do que isso.
Talvez vc não saiba, Luiz, mas quase todo pedagogo é professor e já exerceu o magistério, em geral no primeiro segmento do Ensino Fundamental (antiga “Escola Primária”).
Existem pedagogos maravilhosos, batalhando e muito pela Educação e que respeitam profundamente a profissão de Professor. Não generalize!
Essa desunião só interessa aos que se perpetuam no poder, pois cria divisões, lutas internas, enquanto eles continuam manipulando o povo…
Força, Declev!
Um abraço a todos,
Regina.
Regina,
Não se trata de maquineísmo…
Basta se desfazer da capa de pedagoga e fazer uma pesquisa informal com os professores e verá que a maioria acha acha que o trabalho de vocês mais nos atrapalha do que nos ajuda.
Não seja ingênua em comparar 20 crianças de 6, 7, 8 anos com os 40 adolescentes que recebemos nas nossas salas de aula.
E o fato de já “ter passado” pela sala de aula não impede que seu discurso seja corrompido… é preciso “estar” vivendo.
Nos últimos anos, os professores foram doutrinados a pensar que são inteiramente responsáveis pela educação (seja o sucesso, seja o fracasso), como se a relação professor-aluno fosse o único elemento a se considerar neste processo.
As produções acadêmicas de psicólogos, pedagogos e psicopedagogos são unânimes em apontar o culpado pela decadência do ensino no país – o magistério. Claro que não dizem isso diretamente, mas é indiscutível que esta ideia está implícita em suas teorias.
Já é lugar comum dizer que o sistema está falido devido à má formação e atualização dos professores, da desvalorização moral, social e econômica dos docentes, da falta de infra-estrutura da maioria das escolas do país, enfim, isso todos já sabem, não se discute.
O que estou propondo é ampliar este debate. Deste modo, vou citar um estudioso do assunto, Júlio Groppa, adorado por todos aqueles que compartilham o prazer de falar mal do magistério, sobretudo público. Trata-se de uma análise rápida, apenas com a intenção de ilustrar o que pretendo repudiar.
O senhor Júlio Groppa foi escolhido pela secretaria de educação da cidade onde leciono para apresentar uma palestra intitulada “A indisciplina na sala de aula”. Na ocasião, deixou os docentes revoltados com sua arrogância e colocou toda a culpa da desobediência dos alunos nas costas do professorado. Se levarmos em consideração que as palestras deste profissional são muito requisitadas pelas secretarias de educação pelo Brasil afora, trata-se de afirmar que é um discurso comprado (ou assumido) pelo Estado.
Em uma de suas entrevistas, o “professor” Júlio Groppa afirma que a questão da violência na escola é tratada com alarde pela imprensa e pelos professores. A situação é bem menos grave do que parece. Quando questionado sobre a posição dos docentes em falar que o problema está na (falta de) educação familiar do aluno, o referido autor é categórico ao dizer que o professor deveria “se silenciar” ao abordar questões que estão fora da sua alçada. Sem comentários!
Em outra ocasião, num artigo intitulado “da palavra e o professor: notas sobre pregar, narrar e democratizar”, o senhor Júlio Groppa busca no século XVII um texto referencial para defender suas teses. Trata-se de um sermão do Padre Antônio Vieira discorrendo sobre o fracasso das pregações do seu tempo. Desprovido de qualquer análise do contexto histórico de Vieira, o “educador” Júlio Groppa faz suas as conclusões do padre: o fracasso é culpa do pregador.
O estudioso da USP não está sozinho. Faz um bom tempo que as faculdades de pedagogia não fazem outra coisa senão culpabilizar os professores pelo insucesso da aprendizagem dos seus alunos. Poderia aqui citar outros inúmeros profissionais renomados que compartilham este pensamento.
Muitos educadores adoram trazer experiências bem sucedidas na Europa e adaptá-las ao Brasil. Claro que eles se esquecem que lá a educação é levada a sério. Os professores recebem um salário compatível com sua importância social. Pratica-se a verdadeira democratização do ensino, ou seja, a educação pública é freqüentada por todos. Desta forma, toda a sociedade realmente se preocupa com a qualidade de suas escolas. No Brasil, quem tem dinheiro simplesmente manda o filho para uma escola particular. Resolve-se, assim, o problema, bem ao jeitinho passivo do brasileiro!
Entretanto, quando penso na Europa como referencial educacional prefiro seguir uma prática bastante comum na maior parte deste continente: a distribuição de papéis. As leis educacionais costumam definir a seguinte estrutura: ao Estado cabe disponibilizar toda a estrutura para que as escolas possam funcionar; ao professor cabe a obrigação de ensinar, sendo apoiado pelo Estado neste papel; ao aluno cabe a obrigação de aprender, sendo apoiado pela família neste papel. Mais simples do que isso é impossível.
Sabe-se que as certezas e verdades são tão efêmeras quanto duvidosas. Porém, há muitos anos que o Brasil resolveu adotar um pensamento como dogma – a noção de ensino-aprendizagem. Assim como numa Inquisição, cometer a heresia de contestar esta verdade é passível de condenação, menos mal que hoje em dia dispensamos as fogueiras, embora mantenhamos os expurgos.
É preciso abrir um parêntese. Não estou colocando em discussão inúmeros estudos sérios demonstrando a relação estreita entre a forma de ensino e o tipo de aprendizado. Apenas chamo a atenção para os desdobramentos que isto acabou provocando no pensamento pedagógico, sobretudo brasileiro. Utilizando a lógica do dogma em questão, deduzimos que só há ensino se houver aprendizagem, ou seja, se o aluno não aprendeu é porque quem ensinou – o professor – falhou. Que engraçado, acho que já falamos disso lá em cima.
O discurso que aqui entendemos ser dominante na educação brasileira acabou por trazer uma triste consequência para o trabalho do professor. Diante da realidade (alunos semi-analfabetos chegando ao Ensino Médio), muitos colegas sucumbem e apesar de saber que seu aluno não tem condições de seguir adiante não querem conviver com o rótulo de fracassado. No final do ano, arruma-se sempre um “jeitinho” para que o “aproveitamento” seja “satisfatório”. Alimenta-se, desta forma, um circulo vicioso. Mas este mesmo discurso, bancado pelo Estado (viva Júlio Groppa!), está ajudando o Brasil a melhorar os seus números (viva Maquiavel!). Que coisa linda ver aquela mulher do comercial subindo as escadas do desenvolvimento na educação do país! O Ideb só melhora! Escolas e prefeituras pulam de alegria quando veem seus cofres mais cheios por cumprirem a meta do Ideb. O contraditório é que isso tudo contrasta com aquilo que os professores percebem no dia a dia do seu trabalho: a cada ano que passa o “nível” fica pior. Qual é o segredo?
Se você pensar um pouco mais, com calma, vai perceber o quanto de podre se encontra a educação brasileira. O país quer mostrar para o mundo que investe na educação, para isso precisa melhorar os índices de escolaridade. Uma das primeiras iniciativas foi a tão conhecida universalização da educação, garantindo a todas as crianças o acesso à escola. Para garantir lugar para toda esta demanda, era comum os governantes criarem escolas, assunto corriqueiro nas campanhas políticas. Com o passar do tempo, achou-se que não precisava de mais unidades, afinal, seguindo a linha do “coração de mãe”, quem dá aula pra 20 pode muito bem se virar com 40. E, afinal de contas, como já testemunhei uma educadora dizer, “não há nenhuma pesquisa comprovando que numa turma menor há melhor aprendizado”.
Outra iniciativa, esta mais recente, foi incluir a antiga Classe de Alfabetização no Ensino Fundamental, uma manobra simples que aumentava em 1 ano a escolaridade do brasileiro.
Paralelamente, buscou-se uma forma de quantificar a qualidade da educação. Encontrou-se uma fórmula mágica. O Ideb faz uma média entre a nota da Prova Brasil, os índices de evasão e de repetência. E não é de se estranhar que o peso dos números da repetência é maior do que o da avaliação nacional.
Agora é só fazer a brincadeira do siga os pontinhos: o Brasil quer que o Ideb do país melhore e para isso fornece gratificações para os estados e municípios que obtenha tal feito. Os estados e municípios querem receber mais dinheiro e por isso premiam as escolas que conseguem melhorar seu desempenho. Junta-se agora a fome com a vontade de comer. Temos um professor encurralado por dois lados: por um, a equipe pedagógica dizendo que quanto mais ele aprovar, mais competente ele é; de outro, uma secretária de educação ou o diretor de escola (loucos por mais verba) dizendo que quanto menos ele reprovar, menos chance de algo acontecer com ele (leia-se demissão, para os contratados; perseguições; transferências de escola; desvios de função, etc.). Ingredientes perfeitos para explicar uma das facetas da falência da educação no país.
Mas quando se culpa o professor pelo fracasso escolar do aluno, há de se debater outros pontos. Quando falamos em educação, somos obrigados a falar em quatro atores: Estado, professor, aluno e família. Toda vez que alguém restringe esta tarefa à relação professor-aluno incorre num erro grave.
Um dos textos do Declev aborda, entre outras coisas, esta discussão. Ele dizia que recebemos, salvo algumas exceções, um aluno extremamente carente. Primeiro é o Estado, que desde os seus primórdios dias quase sempre não cumpre com que prometeu. Coisas “pequenas” como o que a constituição do país ordena: saneamento básico, saúde, segurança, habitação etc. Com isso, temos a criança e sua família desprovida de elementos básicos para se viver dignamente. E por falar em família, além de sofrer toda a falta do Estado, o aluno, antes de chegar até você, professor, ainda passa pela experiência de ser criado em ambientes tão desestruturados como os lares atuais. Poderia aqui falar da ausência de limites imposta às crianças, da falta de exemplos, da violência doméstica etc. Mas assim estaria desobedecendo às ordens do mestre Groppa.
Tudo isso foi pra dizer que quando recebemos um aluno em sala de aula, ele já se encontra afetado por inúmeros traumas que vão, indiscutivelmente, afetar seu desempenho educacional. No entanto, os mesmos atores (Estado e família) que malograram no seu papel, transferem para os docentes a culpa que deviam repartir.
É exatamente por acreditar na capacidade transformadora da educação que afirmo: somente avançaremos quando os quatro atores admitirem suas limitações e suas falhas. Enquanto a novela da qual fazemos parte continuar a colocar o professor como vilão, continuaremos a ver a mesma história, ano após ano.
Caso você não tenha percebido, Regina, ao falar que professores dedicados são minoria, tu praticas o mesmo mal que me acusas. E mais, reforça a minha fala de que a sua profissão nos atrapalha mais do que ajuda.
Saudações!
Luiz Eduardo
Luiz,
Acho que vc coloca algumas OPINIÕES suas como VERDADES e FATOS. Não são. Por exemplo:
- “Basta se desfazer da capa de pedagoga e fazer uma pesquisa informal com os professores e verá que a maioria acha acha que o trabalho de vocês mais nos atrapalha do que nos ajuda.” – Minha experiência mostra outra coisa (ouço muitas outras coisas) , até porque faz parte da minha profissão estar sempre fazendo essa pesquisa informal, com TODOS os profissionais de Educação, incluindo aí os funcionários que vc nem lembrou de ao menos citar! E não uso capa. Sou um ser humano com toda a complexidade que isso implica e, portanto, sou mãe, filha, educadora, psicóloga, amiga, cidadâ… entre outras coisas! Sua colocação foi estreita e preconceituosa, na minha opinião;
- “Não seja ingênua em comparar 20 crianças de 6, 7, 8 anos com os 40 adolescentes que recebemos nas nossas salas de aula.” – Quanto preconceito!!!! Vc é daqueles que acha que trabalhar com crianças é muito mais fácil do que com adolescentes e isso é ridículo! Só mostra o seu desconhecimento dessa área e o seu preconceito contra os professores de Educação Infantil e do 1º segmento do Ensino Fundamental. Pra completar, já trabalhei com turma lotada (44 alunos) de adolescentes também, viu?!!;
- “E o fato de já “ter passado” pela sala de aula não impede que seu discurso seja corrompido… é preciso “estar” vivendo.” – Estar “vivendo” Educação é muito mais do que estar em sala de aula!!!!!! Ou então voltaremos todos para os fundos dos quintais, já que sem funcionários (merendeiras, porteiros, secretárias, etc.), sem administradores (diretores, equipe pedagógica, etc.) e mantendo-se apenas professores e alunos, só se for assim: no fundo do quintal! O que não é nada realista em se tratando de um mundo super populoso como é o nosso hoje;
Enfim, eu poderia seguir citando vários trechos do seu discurso, mas vc sinceramente não me pareceu aberto ao debate, embora diga o contrário. Por isso, vou apenas dizer o seguinte: minhas referências na Pedagogia (da qual parece que vc só conhece um pensador) são muito mais Paulo Freire, Moacyr Gadotti, Dermeval Saviani, Celso Antunes, entre outros.
Preste atenção, rapaz! Não tente consertar um erro com outro!!!!
Se é injusto e parcial se culpabilizar tanto os professores pelo estado atual da Educação (concordo que é injusto sim), buscar outro “bode expiatório” também é! Me desculpe, mas acho uma grande besteira culpar os pedagogos ou os professores ou mesmo, apenas, os governantes. Todos somos, em algum grau, responsáveis pelo que aí está e enquanto continuar essa guerrinha, um culpando o outro, não haverá a união necessária para que a Educação seja reconstruída em melhores bases para TODOS OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO, não só para o professor.
Se vc realmente leu tantas teses de psicólogos, pedagogos e psicopedagogos como diz (ou insinua), então entendeu mal, pois com certeza elas NÃO FICAM TODAS CULPANDO O PROFESSOR NÃO! Poderia dar um milhão de exemplos aqui, mas na própria internet vc pode pesquisar e encontrar aos montes, se deixar as idéias pré-concebidas de lado e realmente PESQUISAR, ao invés de ficar repetindo esse discurso tão ou mais fora da realidade do que aqueles que vc se julga conhecedor o suficiente para julgar.
E como pode ser professor se, de uma só vez, ataca 3 campos diferentes do saber – Psicologia, Pedagogia e Psicopedagogia -, nos quais nem formado vc é (ou é????) e que, pelo que escreveu, conhece tão pouco?!!!
Um pouco de humildade cairia bem, rapaz!
Quanto a situação do aluno de escola pública hoje e de suas famílias, conheço BASTANTE, muito de perto, inclusive porque também faz parte da minha profissão de pedagoga – que vc considera tão dispensável e nociva ao professor – justamente atender a essas famílias, buscar alternativas junto com a comunidade, ouvir a todos, entre outras coisas que, infelizmente, o professor que acha que educar é só entrar em sala de aula e passar conteúdos está longe de conhecer, o que é uma pena.
Por isso aplaudi aqui as colocações de Dirce e Declev, como aplaudo a de todos os professores que, como eu, criticam esse quadro geral em que vivemos sem procurar bodes expiatórios e realmente abertos para aprender a FAZER JUNTOS alguma coisa em prol de uma Educação verdadeiramente transformadora. Se for pra brigar contra alguém, devemos nos unir e enfrentar os governos e suas políticas públicas e não ficarmos nos degladiando uns contra os outros!!
Um exemplo prático, nesse sentido: estou participando da CONFEDUC e da CONFEINTER, debatendo ponto por ponto os ítens do documento que irá pro CONAE ano que vem, junto com uma quantidade imensa de educadores como eu (a maioria é de professores), de Duque de Caxias e outros municípios da Baixada Fluminense. Tem sido um exercício de cidadania fantástico, onde estamos, mais uma vez, lutando pela valorização do educador e pelo cumprimento de leis que já existem, além de estarmos JUNTOS criando mil outras contribuições, trocando idéias e experiências, debatendo, etc. Tudo isso será parte de uma luta política SIM, que está só começando!
Em todas as áreas existem bons e maus profissionais. Na minha opinião, o bom educador é aquele que, em primeiro lugar, procura ter uma visão global das coisas e não uma visão que parte apenas de um ponto de vista, de um único segmento, sem conseguir realmente enxergar e ouvir outros. E, nesse ponto, Luiz, pelo que escreveu e pela falta de respeito que demonstrou em relação às minhas profissões (Pedagogia e Psicologia) e às de tanta gente, acho que vc precisaria fazer uma auto-crítica e uma reavaliação para ver se realmente está sendo um Educador, com “E” maiúsculo, ou não.
Novamente, na minha opinião (e quero frisar isso porque não vou fazer afirmações, como vc fez, como se fossem “verdades” quando são, isso sim, “pontos de vista”), considero que essa sua postura não é a de quem está aberto ao debate não.
Eu justamente critiquei essa busca de “heróis” e “vilões” na Educação, e nem isso vc entendeu… Lamentável.
Se é para fazer um longo discurso, como vc fez, eu também poderia escrever muito mais aqui e ir me colocando em relação a cada ponto que escreveu, além de acrescentar outros, mas já sou do tipo que escreve pra caramba também e não quero cansar os leitores…
Me pergunto se realmente vc só conheceu pedagogos que pensam e agem como descreveu (que existem, infelizmente, assim como existem professores péssimos também, infelizmente também…) ou se os seus preconceitos já são tão grandes que vc generalizou e não enxerga mais nada além disso, procurando encaixar tudo que vê nessa “fôrma”, nesse viés, nessa arrogância…
E mais: eu NÃO DISSE que professores dedicados são minoria. Não foi bem isso. Leia de novo. Tá vendo como vc já tenta encaixar tudo em sua visão pré-concebida?!
Uma das piores formas de VIOLÊNCIA é o PRECONCEITO, na minha opinião, e discrimar 3 classes de profissionais de uma só vez, como vc fez, foi exatamente isso!!!!!!!!
Repito: SOU PROFESSORA TAMBÉM! Mas não vou tapar o sol com a peneira. Onde eu enxergar falhas, seja em mim, em outros professores ou pedagogos, em governantes, famílias ou seja onde for, VOU FALAR!
Heróis e vilôes só existem nas histórias infantis. Somos SERES HUMANOS e, portanto, somos em parte heróis e em parte vilões, em alguns momentos professores e em outros alunos, velhos e moços, sábios e ignorantes… e muito mais!
Já escrevi demais e, se for pra continuarmos esse “debate”, proponho que aprofundemos ponto a ponto e não que façamos um longo discurso, abordando vários pontos ao mesmo tempo, como vc fez e como eu mesma acabei fazendo ao respondê-lo. Acredito que assim ficará menos cansativo e mais produtivo para todos.
Ah! E sobre a realidade da Educação européia, uma sugestão: assista o filme francês “Entre os muros da escola”. Talvez ele te faça repensar algumas afirmações que fez.
Um abraço,
Regina.
Prezadas e prezados amigos,
Estamos do mesmo lado.
Sim, há muitos professores que deveriam deixar a profissão – mas apesar do que a renata falou, acho que eu tenho “salvação” – assim como há pedagogos, dentistas, médicos, engenheiros, políticos (esses ganham de lavada!), advogados, juízes e afins (outras categorias que deveriam sofrer reformulação quase geral)…
Enfim, há maus profissionais em todo lugar.
Por isso, definitivamente, não sou fiel à nenhuma categoria.
Sou fiel à boa educação.
O fato de eu ser professor não me faz condescendente pela “categoria” simplesmente pela “categoria”. Se o sou, sou pela educação.
Mas nós professores, sofremos uma grande pressão de que somos os únicos culpados pelo fracasso dos alunos.
Esquecem-se de todas as relações extra-escola tão bem discutidas por aqui.
Não concordo, porém, em dizer que quem diz isso sejam os pedagogos. Sim, alguns podem professorar isso, mas é uma visão generalizada na sociedade como um todo.
Vide a frase da grande educadora secretária do rio: http://diariodoprofessor.com/2008/11/30/carta-aberta-a-futura-secretaria-de-educacao-do-rio-de-janeiro-claudia-costin/
Mas se há péssimos motoristas, não é culpa do detran.
Se há tanta violência por aí, não é culpa da polícia.
Se há tanta injustiça, não é culpa da justiça.
Se há tanta burrice no trânsito e no crescimento vertical das cidades, não é culpa dos engenheiros.
Se o filhodaputa do traficante é solto por bom comportamento, sai e mata mais uns 30, ou se a dona de casa que furta um pote de manteiga vai presa sem direito a habeas-corpus, não é culpa do juiz (argh!), mas da lei.
Mas a má educação – e quiçá todos os problemas citados acima – é culpa dos professores.
Porém não nos adianta repassar a culpa para outra categoria da educação, nem indo nem vindo. Apesar de haver, como disse, quem merecesse cartão vermelho – e não são poucos.
Se há culpado, é da classe política que é uma merda.
E é contra ela que devemos lutar, incessantemente, até que haja uma maioria decente.
Caro Declev,
Vc disse tudo:
“Se há culpado, é da classe política que é uma merda.
E é contra ela que devemos lutar, incessantemente, até que haja uma maioria decente.”
Concordo totalmente!
E é por isso que ficar repassando “culpas” entre os próprios profissionais da área só nos enfraquece, divide e dispersa.
Como vc, sou, acima de tudo, fiel à boa educação!
Não podemos perder esse foco, que está além de nossas eventuais diferenças.
Um abraço,
Regina.
Regina,
Infelizmente, cheguei a conclusão de que não há a mínima condição de discutir qualquer coisa com você.
A falta de educação nas suas colocações e acusações contra mim (que você mal conhece) falam por si só sobre a sua pessoa.
Em nenhum momento te acusei diretamente, e sim, fiz críticas a atuação de uma classe. Ao contrário de você que gostou de me acusar pessoalmente.
Se utiliza tantas argumentações para tentar me humilhar (e o arrogante e preconceituoso sou eu!), apenas imagino o que não faz com seus colegas de trabalho…
Recomendo-lhe um terapeuta.
Sem mais comentários!
Luiz,
Quando vc culpa 3 classes profissionais, das quais faço parte, e escreve um texto dirigido a mim, não é pessoal????
Releia e veja o que escreveu. Faça uma auto-crítica.
Vc já fez suas colocações desqualificando qualquer uma que eu pudesse vir a fazer, por achar que só quem pode opinar é quem “é professor regente de turmas de adolescentes na escola pública”.
Eu apenas fui mais direta ao me referir a vc (o que vc considerou falta de educação, entre outras coisas…), até mesmo porque não acusaria uma classe inteira de profissionais, como vc fez (vc atacou 3!), pois em todas as profissões existem os maus e os bons profissionais.
Quanto a fazer terapia… só rindo! Está querendo dar uma de psicólogo agora? Na verdade, TODO MUNDO poderia se beneficiar e muito de fazer terapia, ainda mais quem trabalha em algo tão estressante quanto é a Educação. Eu faço e me ajuda muitíssimo!
Quanto aos meus colegas de trabalho… Basta conversar com qualquer um para saber como os trato.
Um abraço,
Regina.
Espero encerrar aqui a discussão…
Talvez a Regina se esqueça das coisas que escreve.
Certa vez, em relação aos professores, disse:
“É muito solitário debater Educação dentro das escolas, quando se foge do lugar comum, isto é, quando ousamos questionar e criticar os erros de professores que estão longe de serem verdadeiros educadores, embora permaneçam batendo na tecla de que são vítimas de baixos salários (como se isso justificasse ser mau profissional!), vítimas de alunos agressivos, vítimas de uma sociedade que não valoriza mais a profissão de professor, etc. Cansei!
Espero que chegue o dia em que os bons profissionais sejam maioria, pois do jeito que está não dá pra continuar…”
(Fonte: http://educaforum.blogspot.com/2009/04/mensagem-da-professora-regina-milone.html)
Preciso dizer mais alguma coisa.
Quanto aos seus colegas… nãopreciso conversar com eles…basta ler o que você escreveu quando comentou o caso de uma professora que repreendeu um aluno que chamou um colega de idiota:
“Também tenho horror a esse tipo de comportamento de professores (não “educadores”; concordo com vc) dentro das escolas e já enfrentei isso várias vezes (e fui mal falada pelas costas depois, como vc bem pode imaginar…). É crime constranger e humilhar crianças e adolescentes dessa forma, ainda mais na frente de todo mundo! Quanto ao caso dos palavrões, se a profª encaminhou o assunto com raiva, meio que querendo se vingar dos alunos que xingam demais (me ocorreu essa possibilidade agora), aí é lamentável realmente. (…)
Concordo que a escola tem sido um espaço antipedagógico e que apenas iniciativas individuais procuram minimizar um pouco isso. É o meu caso na escola, onde muitas vezes me vêem como “defensora dos alunos” ou coisa do gênero, quando tomo iniciativas e assumo posições muito diferentes da maioria. Por outro lado, quando chamo a atenção dos alunos por alguma coisa, os meus “colegas” acham que “finalmente estou aprendendo…” É super difícil lidar com isso tudo no dia a dia.”
(Fonte: http://educaforum.blogspot.com/2007/11/falncia-da-escola.html)
Sem comentários!!!!
Preciso dizer alguma coisa?
Ainda em tempo…
Esta cidadã é uma das colaboradoras de um dos blogs mais nojentos da internet (http://educaforum.blogspot.com)… que só fazem falar mal dos professores.
Luiz,
Eu tenho pena de vc… Sinceramente.
E nem vou dizer tudo o que penso sobre o modo como vc está agindo comigo por RESPEITO AO DECLEV. Gosto muito do blog dele, estou sempre divulgando e, embora não o conheça pessoalmente, o respeito muito.
Se sou “colaboradora” do educaforum, como vc colocou, então sou daqui também e de vários outros blogs, comunidades, redes virtuais, grupos, etc. , pois já escrevi e escrevo em vários!
Respeito muito o blog que vc chamou de “nojento” (o educaforum) e, mesmo que eu não concorde com tudo que já li lá, defendo até a morte o direito dele existir e daquelas pessoas exporem suas opiniões SIM, porque isso é DEMOCRACIA. Têm mulheres muito inteligentes e batalhadoras lá, de quem gosto e com quem já troquei idéias várias vezes. Qual o problema????
O fato de ter escrito coisas lá que vc , pelo jeito, considerou tão ofensivas aos professores, mais uma vez só mostra o quanto vc confunde opiniões com verdades, o quanto gosta de julgar e ser parcial e o quanto é preconceituoso SIM. Afinal, retirar trechos de textos de seus contextos para provar seus pontos de vista, sem ter acompanhado nada do que gerou esses textos (conversas, fatos, desabafos…), é uma forma de manipulação antiga e covarde, na minha opinião.
E, novamente por respeito ao Declev, vou parando por aqui. Até pra seguir algo que meus pais sempre disseram e acho super verdadeiro: “quando um não quer, dois não brigam”. Portanto… procure outro(a) “pedagogo-vilão” pra brigar!
Boa noite.
E mais uma vez, Declev, voltando ao seu texto, que é a coisa mais importante aqui, na minha opinião, repito que te compreendo e sque ou solidária ao que está sentindo e vivendo, viu?! De coração.
Um abraço pra vc e me desculpe por qualquer coisa…
Regina.
Corrigindo o erro de digitação: “…repito que te compreendo e que sou solidária ao que está sentindo e vivendo…”
OBS.: Se escrevi tantas vezes a expressão “na minha opinião” aqui foi justamente porque não acredito na existência de “verdades absolutas” na vida. Acredito que tudo pode ser visto por vários ângulos. Acredito que quase tudo é relativo. E acredito, também, no direito à livre expressão de idéias entre as pessoas. Busco muito mais compreender e aprender do que julgar ou condenar (pelo menos é o que tento fazer). Só não dá é pra ficar calada diante de certas injustiças e, por isso, acabei escrevendo as respostas que escrevi aqui ao Luiz, já que ele se dirigiu diretamente a mim. Mas agora acabou.
Mais uma vez, desejo FORÇA pra vc, Declev!
Beijos…
Caro Declev,
Estou encantada por tudo q estou lendo por aqui, parece q vc ta tirando as palavras da minha boca… incrível! Penso igual a vc, pena q na minha escola eu esteja sozinha nessa parada. Parece que uma nuvem escura cega os colegas e não os deixa ver a real situação que enfrentamos todos os dias.
Estou somente há 5 anos na educação, mas já foi tempo suficiente para provar todos os dissabores da profissão. Leciono o conteudo d língua portuguesa em duas escolas da rede estadual de Minas Gerais. Venho, frequentemente, afastando do trabalho por problemas de saúde. Estou convencida de que preciso urgentemente mudar de profissão e é o que estou buscando pra mim.
Quero cumprimentá-lo pela coragem d expor suas ideias neste espaço. Sou mais uma fã sua, ok? Bjim
Oi Gisele,
Muito obrigado. De fato, parece que muitos estão deixando a vida passar, esperando pelos finais de semana, esperando pelas férias. E aquilo: fingem que acreditam que realmente conseguem dar aulas e que se os alunos não aprendem, é por culpa deles.
Não é. É do sistema, que deve ser mudado.
Mas acho que não vivo pra ver tanto…
Abraços,
Declev e Gisele,
Mais uma vez vc disse tudo, Declev…
E compartilho da sua opinião: também acho que não estarei viva para ver tanto.
E pra vc, Gisele, eu queria dizer que 5 anos não são pouca coisa não! Tempo demais acaba, muitas vezes, cristalizando idéias e hábitos e as pessoas passam a não conseguir enxergar mais nada, a não ser as mesmas coisas e sempre pelo mesmo viés. Por isso, mude sim, enquanto ainda tem forças para isso, pois sem saúde não se trabalha nem em escola e nem em lugar nenhum! Realmente a saúde precisa estar em 1º lugar.
E saiba que estou fazendo o mesmo que vc: me mobilizando (tentando…) para sair de vez do trabalho em escola, pois não aguento mais o sofrimento e a impotência diante dessa realidade e desse sistema – esse sim o culpado, como bem disse o Declev. E completo dizendo que esse sistema só se perpetua por ser criado e alimentado por pessoas que, muitas vezes, são as mesmas que ficam buscando bodes expiatórios para culpar depois. Botar o dedo na ferida e falar dos verdadeiros responsáveis é algo que exige coragem e que admiro no Declev e em seu blog.
Ainda tenho essa coragem também, mas pago um preço alto por ela…
Estou exausta… Emocionalmente e fisicamente.
E estou doente de novo, com Síndrome de Burnout.
Trabalhar em Educação, hoje em dia, principalmente em escola pública, faz mal à saúde!!!! Infelizmente…
Beijos a todos,
Regina.
Prezada Regina, adoro seus comentarios (tenho acompanhado todos eles, viu!). Qdo crescer qero ser igual a vc rsrsr, ainda estou engatinhando.
São dizeres sábios advindos d uma mente brilhante e, creio eu, d mta experiencia profissional.
Obrigada pelas palavras dirigidas a mim. Bjim
Puxa, Gisele… Muito obrigada, viu?!!!
Ando tão esgotada que ler o que estou escreveu pra mim veio em ótima hora!
Mais uma vez, obrigada pelos elogios!!!
E que bom saber que ainda posso ser inspiração para algumas pessoas, em alguns momentos!
Beijão pra vc…
Declev,
Convido você e seus leitores a ler a notícia abaixo e meus comentários em seguida…
“Concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3,180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). Para participar do concurso, bastava ter concluído a quarta série do ensino fundamental.”
(Folha de São Paulo – outubro de 2009)
Bom, nem sei por onde começar…
Confesso que fiquei alguns segundos tentando digerir a informação acima. E, para ser sincero, não sei qual é a melhor análise a se fazer sobre a notícia.
Vou tentar seguir uma explicação e espero que consiga argumentar bem a minha tese.
Estas pessoas mencionadas no texto teoricamente poderiam estar concorrendo a vagas com o nível de exigência bem maior. Porém, a opção pelo concurso da Comlurb é fruto, segundo eles, da falta de mercado em suas áreas e da segurança que um serviço público proporciona.
Vamos primeiro debater sobre as duas justificativas.
Por mais saturado que seja o mercado de trabalho, como é o caso do direito, não faltam vagas. As empresas, pelo contrário, sentem dificuldades de contratarem profissionais. No entanto, a exigência é grande e o simples fato de ter um diploma não garante a qualificação do sujeito. Muitas profissões procuram pessoas com conhecimento em informática, em língua estrangeira, com boa bagagem cultural e/ou elementos pessoas como liderança, bom relacionamento inter-pessoal etc.
Em resumo, o desemprego é fruto da falta de qualificação. Pessoas capacitadas, se desempregadas, estão procurando emprego no lugar errado. Vagas não faltam.
Só para finalizar, como citei o caso do direito… quantos concursos públicos são realizados durante o ano nesta área? Inúmeros, não! Mesmo que não seja no direito, dezenas de concursos públicos são feitos todos os anos para a contratação de pessoas em nível superior.
Este último ponto nos leva a segunda justificativa: a estabilidade no emprego.
Concordo que a estabilidade no trabalho é uma das grandes conquistas que o trabalhador pode ter. Afinal de contas, sair de casa para trabalhar e não saber se você será o próximo da lista é altamente estressante.
Para quem não quer viver esta situação o setor público é o paraíso. De lá você só sai se fizer muita força. E só entra se tiver competência.
Não é difícil passar num concurso. Se a pessoa tiver um bom histórico escolar e estudar um pouco é o suficiente.
E este último ponto é exatamente o que quero sublinhar.
Chamo a atenção pra você, leitor que me atura, pensar comigo… se uma pessoa tem um doutorado significa que ele passou no mínimo do mínimo 8 anos tendo contato com professores do primeiro time – a elite do magistério do país. Este doutor persegue a vaga de gari… Então eu faço a seguinte indagação: todos os professores que passaram em sua vida foram incompetentes na sua missão de ensinar ou este aluno fracassou e provavelmente passou a trancos e barrancos até conseguir o diploma de doutor?
Quando eu digo fracassou não é um menosprezo pela profissão de gari… longe disso. Só não dá pra entrar na minha cabeça como pode uma pessoa estudar quase 20 anos da sua vida pra limpar o lixo da cidade.
Talvez a resposta esteja, em parte, para um breve relato sobre a minha vida na universidade.
Como alguns de você já sabem, estudei numa faculdade particular. E assinando embaixo do que disse um reitor de uma desta faculdades, o aluno da faculdade particular chega em um nível menor do que o seu colega da pública. O trabalho dos professores é mais árduo e deve ser feito mais rápido a ponto de que passados 4, 5 ou 6 anos este aluno tenha o mesmo nível do seu colega da pública.
Para encurtar a questão, preciso dizer que no último período da faculdade era comum ter alunos na minha turma que não sabiam escrever uma redação, interpretar corretamente um texto e/ou elaborar um argumento convincente para defender uma hipótese.
Mais do que isso, muitos deste ganharam o diploma deste jeito, apresentando monografias medíocres.
Mais do que isso, tenho uma colega de faculdade que fez pós-graduação em seguida e me “contratava” para elaborar resenhas de livros pra ela. E não é porque ela não tinha tempo pra fazer… é porque não sabia mesmo.
Tive professores excelentes no ensino superior. Acho que aqueles que se esforçaram conseguiram “sugar” o máximo deles. Porém, outros preferiram empurrar com a barriga e pegar o diploma no fim do curso. Para muitos pode parecer loucura mas passar de perídodo na faculdade é tão fácil como passar de ano no ensino básico. Não tem muita diferença… passam quase todos, inclusive os incopetentes.
Enfim, para concluir o raciocínio, tento insistir em dizer que o baixo nível do alunado, em todos os segmentos de ensino – do primário ao doutorado -, não é resultado direto da ação no magistério. Se fosse, não haveria doutores procurando emprego para gari.
Volto a afirmar, o insucesso do aluno não pode ser debitado na conta dos professores, nem mesmo nas instituições de ensino. A maior parte da responsabilidade deve ser atribuída a particularidades da pessoa, seja alguma dificuldade de aprendizado, seja desinteresse ou qualquer outra coisa que, diferente de como os pedagogos querem nos enfiar pela goela, o professor tem poucas ferramentas para reverter.
O professor de faculdade não pode ensinar um aluno a fazer uma resenha, assim como eu não posso ensinar a meus alunos como se lê ou escreve B+A=BA.
O professor de faculdade não pode impedir que seu aluno pense que deveria estar no bar tomando cerveja, assim como eu não posso evitar que meus alunos prefiram estar em casa jogando Playstation.
Em resumo, não podemos lutar contra as individualidades. Por mais que eu fique 386 anos numa escolinha de futebol, nunca chegaria aos pés de um jogador razoável. Por mais que eu tivesse o Picasso como professor, nunca pintaria uma tela tão melhor do que um macaco.
Cada um de nós nasce com uma aptidão para certas áreas. Por melhor que eu seja, nunca terei uma turma com todos os alunos aprendendo História. Isto porque é impossível que todos tenham facilidade com a leitura e escrita (fundamentais para se entender e “fazer” História). O que a escola de hoje me impõe é a exclusão daqueles alunos que não aprendem, seja pela repetência ou pela evasão.
O que talvez os pedagogos de hoje possam fazer, em vez de tentar humilhar o magistério, é imaginar uma escola que consiga se moldar aos alunos, oferecendo atividades que vão ao encontro das habilidades da criança. Se esta escola existisse, talvez aqueles doutores não tivessem perdido tanto tempo de suas vidas e já estariam hoje, felizes, varrendo o calçadão de Copacabana.
Fonte:http://profluizeduardofarias.blogspot.com/2009/12/gari-com-doutorado.html
Esta aqui também é muito boa…
O professor está sempre errado
“O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!”
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia’.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um ‘caxias’.
Precisa faltar, é um ‘turista’.
Conversa com os outros professores, está ‘malhando’
os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a ‘língua’ do aluno, não tem vocabulário..
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu ‘mole’.
É o professor está sempre errado, mas, se conseguiu
ler até aqui,agradeça a ele.
(fonte – Revista do Professor de Matemática, no.36,1998)
Declev,
Você descreveu a antiga sala de aula de meu filho….
Ele estudou 1 ano e meio na rede pública porque o colégio que estava anteriormente estava muito caro.
Fiz o antigo curso do magistério (1a a 4a série) e o que vejo hoje é lamentável.
Fui educada em colégio de freiras tradicional do jardim até a 8a série, fiz o magistério em colégio estadual, o que posso dizer…
Minha base foi rígida e efetiva, sem faltar afeto e atenção. Nos 10 anos em colégio de freira aprendi em casa boas maneiras (minha família tem origens modestas, descendo de imigrantes italianos), mesmo com pouco estudo minha família exigia de mim boa escrita (gramática e caligrafia) e meu avô achava muito importante que mesmo aos 5 anos não permitisse que me dessem troco errado na cantina na hora do lancha, por isso tão nova aprendi a fazer contas com ele. Aos 7 anos me envolvia com música, principalmente clássica, mas também bossa nova e rock (beattles). Parece sonho né? Estudei durante as décadas de 80 e 90, em 1996 aos 18 anos havia me formado professora e casei em seguida aos 19 anos.
Dou a mesma educação que tive ao meu filho, prego o respeito, caráter, cultura, não permito funk em minha casa e nem nada que tenha fim agressivo.
Ele é “antenado” nas novidades mas com 12 anos já sabe fazer escolhas. Sofreu muito na rede pública de ensino, disse que ninguém copiava matéria, viu que os colegas mentiam pros pais e culpavam os professores.
Eu vi mãe de aluno dizendo que o filho era um santo e que não mentia. Vi aluno dizendo que o professor injusto só não deu visto no caderno dele, outros dizendo que foi a única “vítima” sem nota de trabalho porque não sabia que já era pra entregar.
Eu não precisava estar dentro de sala de aula pra saber o que acontecia lá. Bateram no filho, ele ficou cheio de ematomas, tirei fotos, liguei pra secretaria de educação, fui no conselho tutelar, me queixei com a diretora. O incidente ocorreu no pátio e os 4 inspetores não viram. Meu filho disse que chamou um deles pra que fizesse algo e este respondeu pra ele se virar e bater também.
Em outra ocasião fiz denúncia em jornal, a minha resposta foram 2 arrombamentos em minha casa em menos de 2 meses, nos quais além de dinheiro levaram minha câmera e meus celulares.
Meus caros, a briga não apenas com os políticos e seus pistolões que ocupam cargos altos nas instituições de ensino, é também com os pais que são cegos (negligentes?) que não lutam ao lado dos professores e dão a razão aos filhos em primeiro lugar, esquecem que confiança é algo que nossos filhos conquistam aos poucos e ela não vem embutida no parto, assim como ler e escrever a confiança também se adquire, mas leva tempo. O adolescente é inconstante por si só, está descobrindo um mundo novo está se descobrindo e ainda não tem discernimento e certeza pra fazer suas escolhas, ele precisa acima de tudo dos pais pra dizer o que é certo e o que é errado e mesmo que escolha o que é errado ( como nào fazer o dever), mesmo que os pais não repreendam, devem ao menos aceitar que o filho errou e que a consequência imposta pelo professor além de justa é a resposta ao ato cometido.
Agora a minha pergunta professor Declev: onde estão os pais de seus alunos?
Mais uma: Eles informaram aos filhos que muitas das pessoas que eles consideram “ricas”, além de não serem são pessoas que estudaram e que seus filhos podem um dia ocupar posição semelhante se estudarem?
Se os pais de seus alunos não tiveram condições de explicar sobre como funciona esse mundo, e dar a esperança de uma vida melhor talvez caiba a você. Aproveite o novo ano letivo, esqueça a sua aula planejada, traga seu café pra sala de aula e comece conversando sobre o tipo de futuro que seus alunos querem ter e a partir daí trace o nível de profundidade de suas aulas, pode ser que eles não aprendam muito de biologia, mas se aprenderem algo sobre a vida será um grande passo.
Não sei se o que disse poderá te ajudar, visto que não dou aulas e tenho apenas meu diploma na gaveta ( que não serve de grande coisa sem um curso superior), mas essa é minha experiência como mãe de um atual adolescente (que foge dos atuais padrões). Hoje ele voltou pra escola particular, mas sei que tem muito aluno com potencial nas escolas públicas, apenas não tem orientação.
Abraços e boa sorte
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