Sobre comentário à Carta à Secretária, artigo de Ali Kamel, escola, educação…

Olá a todes,

Este é mais um artigo que nasceu de uma resposta a um comentário feito a um outro artigo, neste caso feito ao Carta aberta à futura Secretária de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin – comentário n. 16.

Vou escrevendo, escrevendo… e, de repente, tenho um artigo.

E geralmente estes nascem de comentários contrários, claro.

Os que concordam nos fazem muito bem e massageiam o ego. Mas os discordantes nos fazem pensar, nos fazem ler mais, nos fazem debater e, para isso, precisamos ler, pensar, falar, escrever… torna-se um ciclo interessante.

Vamos a ele.

 

Oi Eliane,

Concordo com a colocação quanto à linguagem chula, mas foi uma opção quanto à minha indignação e ao veículo de propagação desta carta – meu blog. As palavras, mesmo sendo grandes em seu sentido (“palavrões”), expressavam melhor o que eu queria e sentia e, como este meio permite, fi-lo.

Escrevesse eu para um outro meio, tal como o jornal, adaptaria a linguagem – assim como tenho outros artigos publicados em jornais, revistas, livros etc, com linguagem mais contida.

Em relação à afirmação de texto confuso, discondordo, pois mais explicadinho do que ele é, dividido em tópicos para facilitar a sua compreensão, impossível. Você pode – e é muito salutar – discordar do seu conteúdo. Mas dizer que é confuso, não creio.

Equivocado? Talvez, dependendo do ponto de vista, pois, como disse, a discordância é salutar.

Bom, você me indica um artigo do Ali Kamel.

Gosto de muitas das coisas que o Ali escreve, mas mesmo ele não é uma unanimidade. E prefiro olhar criticamente tudo o que ele escreve, mesmo gostando, pois sendo diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo fico com um pé atrás, visto que não confio na absoluta imparcialidade jornalística deste grande conglomerado.

E não sou o único a pensar assim, veja:

Ali Kamel e seu mais recente delírio

Abaixo-assinado contra Ali Kamel (feito por jornalistas)

ALi Kamel e as 40 razões

O dedo de Ali Kamel

O artigo que você me indicou, “Ao Prefeito“, é bom, concordo com muita coisa.

Mas não chega a ser nenhuma novidade e tem um agravante: comparar a educação do Brasil, ou do Rio, com a do Reino Unido, achando que tem que ser a mesma, é perigoso se não se apontam possíveis soluções para determinados problemas que nós temos, mas o Reino Unido não.

É o mesmo caso da secretária, que não sabe por que que, com tantos doutores de qualidade, não temos uma educação de qualidade compatível com a dos países desenvolvidos – resposta que eu dei no artigo “Carta…“.

Outros artigos meus vão ao encontro de diversas citações do Ali, complementando o que ele quis dizer. Vamos discutir alguns pontos [em destaque trechos do artigo dele]:

“O que a lei determina [no Reino Unido] é que as escolas ‘ensinem’. A função de ‘aprender’ cabe aos alunos, que devem ser monitorados por suas famílias (e não pelo Estado).”

“Aqui, pelo menos no Rio, já temos a progressão continuada. O que falta são os outros requisitos: as escolas devem melhorar, e muito, para ensinar aos alunos; os professores devem avaliá-los dentro da mesma perspectiva britânica; essa avaliação deve ser posta à disposição dos pais; e, por fim, programas de apoio a famílias devem ser criados.”

As famílias não têm condições de fazer este monitoramento. Por várias razões, mas dentre elas pelo simples motivo de que não sabem. Quanto a este assunto, veja meu artigo A importância da educação familiar: como atuar na raiz do problema escolar.

Continuando no Ali:

“Se um aluno vai mal [no Reino Unido], a família é chamada para que se discutam formas de melhorar o desempenho: aulas de reforço, cuidados especiais em sala de aula, programas para que as crianças estudem em casa.”

Achar que as escolas não tentam fazer o que ele cita acima, é um absurdo desconhecimento do que acontece lá dentro. Chega a ser ofensivo com os professores(as), coordenadores(as), diretores(as), supervisores(as) (que o Rio não tem!!) e todos aqueles que, dentro da escola, tentam conversar com as famílias, fazer reforços, mandar trabalhos para estudos em casa, dentre outras ações.

Quanto à família, já falei acima. Mas, concordiscordando, o que eu sempre digo por aqui é que o que ele fala é o que deveria acontecer, mas a escola não tem condições! Como fazer isso se os professores trabalham em várias escolas? Se não há salas livres? Se as salas de aula são abarrotadas?

Programas para que as crianças estudem em casa?? Que casa?? Na favela?? Em barracos super lotados?? Em meio aos tiros de policiais e traficantes?? Em meio aos pés-na-porta e tapas-na-cara dos policiais?? Depois da escola e antes do serviço que eles tem que fazer para ganhar algum dinheiro para ajudar as famílias?? Durante as tarefas domésticas que são obrigados a fazer?? Após as brigas e violência que sofrem??

Oras, de que realidade estamos falando??

“Não se trata de leniência, mas de uma visão completamente distinta da nossa. Aqui [no Brasil] a utopia é ensinar as mesmas matérias a todos os alunos e desejar que todos as apreendam de forma igual.”

Concordo. Mas repito que não se trata das visões diferentes, mas de realidades diferentes.

O importante é o que o aluno aprende, não o que o professor ensina!!! Então temos que fazê-los aprender – de todas as formas.

“Porque a filosofia [no Reino Unido] é que mesmo aqueles com graves deficiências em matemática e ciências podem ter um desempenho muito bom em música ou português e, por isso, merecem passar. Cada criança tem o seu talento.”

Veja o que eu disse em Quantos talentos deixaremos escapar pelos nossos dedos?. Nada mais a acrescentar.

“O incrível é que escolas particulares, as melhores, reprovam com gosto e, quando isso acontece, não se constrangem quando são trocadas por outras ‘mais fáceis’. Fingem que são severas, quando, na verdade, querem mesmo se livrar desses alunos para, assim, apresentarem um desempenho melhor, mas falso, no vestibular.”

Por fim, vale a pena ler estes três artigos, sobre estes aspectos, que julgo serem muito mais esclarecedores:

O que é uma boa escola?

Manter o aluno na escola… mas qual escola?

O que é uma boa educação?

Agora sim, Elaine, teremos muitos assuntos e argumentos para conversar.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

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Prticipe do Movimento:

SE EU FOSSE SECRETÁRIO(A) DE EDUCAÇÃO, O QUE EU FARIA?

13 comentários sobre “Sobre comentário à Carta à Secretária, artigo de Ali Kamel, escola, educação…

  1. Uma coisa é indiscutível amigo: Nosso Doutorando deve melhorar e muito sua redação, chega a ser vergonhoso um futuro Doutor abusar dos “ques”, comer mosca nas virgulas, etc. Vamos assumir o texto como chegou até meu email: Desabafo de um Professor ( de Ciências)! Concordo com o que lá foi colocado, não estou nem ai para os “palavrões”, poderia até serem “mais enfáticos”, nada contra. Tira o teu cavalo dessa chuva e pede para os teus amigos de Língua Portuguesa darem uma nota no texto somente pela redação. Forte abraço! Sou Professor de Física. O texto acima tb apresenta problemas amigo. ok?

  2. Oi Luiz,

    Eu cei que os meus texto apresentam plobremas.

    Escrevo e não tenho revizão; portanto, cei que é normal acontecer iso.

    Mexmo um livro de um irudito passa por várias revizões antes de ser publicado e, sabemos, ainda pode conter erros.

    Até mesmo o seu pequeno, mas siguinificativo comentário, contem vários…

    Abrassos.

  3. Creio que quem deseja passar uma mensagem seva se preocupar com a clareza das idéias! Se Vc realmente não liga para forma, faz questão de fazer piadas com a ortografia, um bom processador de textos já seria de grande ajuda, mas fica clara sua necessidade de fazer galhofas a respeito do assunto. Vejamos: Confuso> dificultando o pronto entendimento> 1. Desordenado, misturado, tumultuado, revolto. 2. Mal distinto; obscuro. 3. Enleado, perturbado; 4. Hesitante, perplexo.> Eu ficaria com o “tumultuado”. Quem não gosta de ser criticado não deveria fazer críticas. Obs.: O meu Editor de texto usa o acordo Ortográfico Antigo… Só quando a Microsoft lançar um atualizado é que vou me preocupar com as mudanças! Física é uma ciência Natural, quem a complica são os homens de mente fechada.
    Quanto a esses que falam sobre Educação sem viver a intimidade da Escola ou simplesmente engendrando meios de dilapidá-la, diria: Se não podemos mandá-los para prisão, nos empenhemos nas mudanças sociais. Quem sabe assim esses espíritos pobres, inumanos, encontrem seu legítimo destino?!?!
    Fraternal abraço a todos.

  4. Olá!!!

    Gostaria de parabenizar pelos artigos que tem publicado em seu blog, sou estudante de pedagogia , e adoro atuar na area da educação , e quero ressaltar que sempre necessário os seus artigos sao estudados e debatidos em sala de aula , a maioria gosta , mas sempre tem aqueles que nao concordam com algo.

    abraços!!!!

    • Olá Valéria,

      É um grande prazer ler um comentário deste tipo, pelo qual passamos a saber que o que escrevemos está servindo para reflexões na área da educação.

      Sei que nem sempre o que escrevo é acatado, mas é extremamente normal, pois é subjetivo, vindo de minhas experiências pessoais.

      Agradeço muito o retorno e convido-a a estar postando seus comentários por aqui.

      Em tempo: qual é a universidade?

      Abraços.

  5. Oláa!!!

    Sobre a faculdade , estou em processo de transferencia para outra , estou saindo da UNIVES para estudar na FAVI.
    Se quiser verificar o site fique a vontade.

    http://www.favi.br/

    No de mais , estarei sempre aqui postando meus comentários, e indicando o seu blog a nova faculdade q irei estudar.

    Beijos e Abraços!!!

  6. Caro colega,

    Acredito que alguns que lhe criticam deveriam passar um tempinho conosco. Hoje mesmo, a minha sala de aula estava um inferno de calor. O nosso ventilador parece uma uma hélice de C-46 e o barulho é imenso!!! Certamente ninguém sabe disso, não é? Seria uma ótima oportunidade para se fazer uma sauna!!!
    Quem será que aprende assim? E o pior, isso não acontece só em minha escola, no bairro de Cordovil, no Rio de Janeiro!!!

    Acho mesmo que esse povo deveria ler um livrinho de um velho de barbas longas. Nesse texto ele conta a sua experiência como Secretário de Educação da Cidade de São Paulo. Qual será mesmo o nome dele? O livro chama-se “A Educação na Cidade”!!!
    Talvez teriam um outro parâmetro de julgamento da educação e somariam esforços para garantir o direito de nossos meninos de ter de fato uma educação de qualidade!!

    Mudando de assunto, deixo aqui uma idéia para um artigo bacana!!!

    O nosso Governador, aquele mesmo dos notebooks, não paga o Nova Escola para milhares de servidores que tiveram um único pecado, foram chamados em 2006!!!

    A situação é vergonhosa!!! Ganho R$ 540,oo líquidos para trabalhar no Complexo do Alemão!!!

    É mole?

    Um grande abraço e parabéns pelo Blog!!

    Marco Antonio Rubim.

    • Oi Marco,

      Nem me fale em calor! Dou aulas no Caju – um inferno feito de caminhões e poeira.

      Fico com a camisa literalmente molhada.

      Quanto ao Nova Escola, não tenho as informações necessárias. Você não gostaria de escrever algo para que eu possa talvez inserir em um artigo? Ou mesmo escrever um artigo, se quiser, posso publicar para você, se você topar assiná-lo.

      Abraços.

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